20 de jan de 2018

65) Ruídos Ancestrais: a importância de conhecer a nossa história


Fui dormir cedo porque faremos o “Seminário Histórias que Atuam” hoje (09/04/2017): uma jornada pelos roteiros ocultos que atuam sobre nós. Só que algumas moças ao lado da casa silenciosa, onde sou acolhida amorosamente quando estou em Porto Alegre, gritavam esganiçadas e, para a minha raiva, estavam sem alma como se faltasse alegria verdadeira naquela euforia festiva. Mas era eu quem estava surda para o que diziam. 


Encontro do Historias aqui no RJ em 2018



Sobressaltada e não querendo me estressar, fui ler a dimensão histórica do processo de análise no livro “Archetipal Dimensions ofthe Psiche” da Marie-Louise Von Franz. Em seu divã, a psicanalista junguiana testemunha que cada indivíduo carrega dentro de si, nas camadas mais profundas da sua psique, “todo o passado histórico de seu povo e até da humanidade como um todo”.

No sonho de um paciente italiano, por exemplo, apareceu Hermes, ao invés do anjo da morte do cristianismo, anunciando uma doença que tiraria a sua vida. Quem entra no Uffizi em Firenze sabe muito bem quem são os Deuses da Itália. Em outro analisando coreano de Von Franz surgiram temas xamânicos pré-budistas. Nos próprios sonhos da analista ela tomava vinho com ancestrais medievais. Nos meus sonhos me visitam o mar e filhas indígenas. Tenho duas bisavós guarani e tupinambá, materna e paterna. E os Guaranis têm uma ligação simbólica bem forte com o mar - e eu nem sabia disso.

Em teus sonhos, quais os temas ancestrais te visitam até as suas raízes?



O sonho de um analisando mexicano revelou para Von Franz sua ligação com os Astecas e com ela uma mágoa de 4 séculos. Este encontro transgeracional lá nas camadas subterrâneas do seu psiquismo o liberou de uma desorientação neurótica atual. Ele não podia revelar suas origens graças ao racismo do meio em que vivia, assim como não podia acessar sua história graças à aniquilação da cultura de seu povo por Cortés com sua missão pseudocristã há séculos atrás. Ao reconhecer estes estratos profundos de sua história pessoal/coletiva, pode reconciliar com a força dos símbolos de seus antepassados e até dos símbolos cristãos que os incorporaram.

Nas Constelações Familiares com temas de guerras, a cura pode surgir quando se olham os mortos com amor, mas também quando se reconhece, por exemplo, no nome de um Santo ou guerreiro dado a um neto ou a uma bisneta a história pregressa. São como a senha oculta que conecta com a cultura destroçada de um povo. Assim não só choramos e olhamos com amor a morte dos dois povos que guerreavam, reconciliando no coração nosso parentesco de sangue com tudo o que existe, mas também nos conectamos ao "fio da meada" perdido da nossa história, guardado naquele nome que passa de pai para o filho ou do mito de um povo para as futuras gerações.

Esta conexão com a nossa cultura e a nossa cultura ancestral funda a espinha dorsal da nossa identidade e de todo um povo, como diz P.R.Sarkar. E ele evidencia este aforismo ao mostrar como o mercado estrangeiro se impõe sobre outra cultura quebrando a espinha dorsal daquela gente, invisibilizando a cultura de quem se quer dominar.

Fazemos da mesma forma quando desconsideramos a família e valores do cônjuge com a intenção de submete-lo/a aos nossos valores, ou quando fazemos ou sofremos alienação parental, ou mesmo achamos que uma das nossas raízes não presta. Acontece também quando se ataca os centros de umbanda e candomblé, ou se rouba a terra e aniquila outros rituais e símbolos dos povos que se quer subjugar.


Karstadt. Personal Identity 2003-14. 
Self-portraits with sewn-in original documents, birth certificate, SIM cards


Desta forma, vagando sem identidade e com o nosso psiquismo sedento por achar uma plataforma cultural para se manifestar e continuar crescendo psiquicamente e espiritualmente – natureza de nossa mente, segundo o yoga -, somos conduzidos às compras nos santuários dos mercados, como se lá houvesse algum pontilhão para a nossa identidade se fundar e a nossa neurose sanar.

Consumimos então plastic food, bebemos como se Dionísio pudesse chegar e se rebelar das opressões, fazemos filas para a última geração do iphone e imitamos os semideuses do cinema e da televisão.  E isso é tudo o que os juros dos cartões de crédito, o lucro descabido dos bancos, os patos gigantes, os senhores da guerra precisam. Todos os vampiros que surgem em épocas de transições [i] precisam da nossa cabeça vazia, nocauteados, sem capacidade para fazer trocas simbólicas, dessimbolizados e sem raízes, para continuarem sugando a nossa energia e dinheiro.

Dinheiro muitas vezes conseguido numa profissão que odiamos e nos neurotiza mais ainda - hiato entre quem somos e o mundo, preenchido com um modo de vida sem sentido, mas que dizem e impõe como bom e o certo. E “ai” da gente se não tiver carteira de trabalho, que agora querem tirar.

Chega, então, aquele momento diante daquela pilha de roupas novas, 10 diplomas e 5 crushes que nos perguntamos quem somos afinal? Para que tudo isso se não encontro um sentido de vida? Nesta hora alguns de nós buscam um caminho espiritual, outros, terapia e ainda outros alguns medicamentos, drogas ou mais consumismo ainda. Se estamos afinados com a nossa cultura, a terapia pode ajudar a escapar do vazio, se além disso estamos em ordem com nossos pais, o caminho espiritual é uma benção. Mas para muitos de nós, falta ainda alguma coisa, sem a qual não há alívio: o contato reverente com a nossa história e cultura ancestral.

Como estas raízes são feitas de arquétipos, elementos primários da mente humana, a forma de acessá-las é conhecendo a história, os nossos mitos e contos afins, assim como ter acesso ao princípio feminino e masculino e suas várias facetas. E aí está outro desafio: várias facetas do princípio feminino foram banidas na nossa cultura. O princípio masculino se mantém, distorcido, é verdade, mas o feminino tem sido banido.



Desde Lilith, aquela “safada” substituída por Eva, bela, recatada e do Lar, que este princípio foi demonizado. O curioso é que Eva escuta a serpente, que é a Lilith demonizada no mito do paraíso, e tudo fall a part. Nossa cultura cristã é fundada numa queda por causa de duas mulheres e um homem facilmente seduzido. Eu consigo ver esta passagem mitológica no que aconteceu politicamente no Brasil em 2016.

Mitologicamente, então, o corpo de Cristo subiu aos céus, mas o corpo da mulher onde o lado instintivo da vida se apresenta em toda a sua pujança nos nascimentos, não! Religião e instinto não são polos opostos, mas aqui no Ocidente e em outras tradições viraram inimigos e, claro, a mulher, a serpente e a natureza, devem ser torturadas para revelar os seus segredos, segundo Bacon. Na ciência a polaridade cultura e natureza se estruturou sem reconciliação, e o corpo e a mente não mais se encontram. Na revolução industrial os homens têm acesso aos meios de produção e então a um salário, mas a sua força de trabalho foi quebrada em vários eixos para o lucro do patrão. As mulheres e tudo o que faziam artesanalmente também é industrializado, então seus afazeres tão necessários não têm mais importância na nova ordem que surgia, e como o seu trabalho de cuidar da família não é visto como força remunerável no mundo capitalista, (mas são), seus esforços ficam invisíveis diante de toda riqueza construída!

Haja constelação empresarial onde a esposa e a mãe surgem como a solução que não era nem vista!

 Sem falar que a saída do campo para a cidade desenraizou homens e mulheres. Sem acesso aos mitos, desconhecendo a nossa história,  mergulhados em trocas de mercado sem trocas de sentidos, com o corpo e os saberes cindidos e com várias dimensões do feminino negadas, caminhamos para o abismo? Como é que se pode reconciliar o que foi ruído?

Bem, os contos de fada estão cheios de Reis doentes que esperam que um dos filhos liberte uma princesa para fazer um novo reinado. A questão é que uma nova ordem surge e não mais a antiga, incorporando aqueles que um dia foram excluídos.

As mulheres aqui ao lado pararam de gritar dez minutos depois de me acordarem a meia-noite, mas as que estão em mim ainda não! Só consegui escutá-las graças as bacantes que eu, soberbamente, critiquei. São 7:44 da manhã. Preciso acordar!





[i] Quando a neurose é total e o psiquismo não tem respaldo na cultura.

1 de jan de 2018

64) A Jornada de Iniciação Masculina

JOÃO DE FERRO, BOYHOOD e CAPITÃO FANTÁSTICO

A Jornada de Iniciação Masculina


(tem spoiler)


O texto abaixo é sobre a jornada masculina, segundo Robert Bly [i] em seu livro João de Ferro, analisada nos filmes Capitão Fantástico e Boyhood. Para os homens, de acordo com relatos de amigos meus que leram o livro de Bly ou fazem o Movimento Guerreiros do Coração, é uma possibilidade de legitimação do seu processo de individuação. Para as mulheres uma esperança e reencontrar seus parceiros e lembrar que nós também temos nossos mitos para auxiliar nossa jornada de singularidade.

Como toda boa obra, o filme Capitão fantástico, dirigido e escrito por Matt Ross, fala da criação dos filhos contra a decadência da dessimbolização da civilização ocidental. Uma civilização que optou por banir as trocas simbólicas [i] que dão sentido à vida por trocas de mercado. E em paralelo revela outra história: a jornada extraordinária de deixar de ser um menino para virar um homem. O despertar de um homem começa cheio de potência já na primeira cena, e é desafiado até o final, como qualquer vida que se preste viver.











Em Boyhood, do maravilhoso cineasta Richard Linklater, a trajetória de um menino até a sua juventude termina com um horizonte um pouco vazio de sentido e muitas possibilidades a partir desta falta. Há uma certa melancolia no céu de fim de tarde. A história em segundo plano também fala da formação de um homem, mas no mundo dessimbolizado. Tanto é que a mãe do protagonista  está também sem  os aliados simbólicos para o seu processo de individuação, apesar de toda a emancipação conquistada num mundo machista de homens-crianças como foi mostrado ao longo no filme.

O que faltava em Boyhood não como filme, mas como sentido existencial era o elo com o mundo arquetípico masculino no protagonista e em seu pai. E o elo com o mundo feminino na mãe dele. Eu só entendi esta falta depois de ler o livro “João de Ferro” de Robert Bly. Então a passagem de um menino para a vida adulta na sociedade atual (inclusive porque foi filmado ao longo dos 12 anos da maturação do ator mirim), está sem a potência do pai e do marido, que é ausente. O filme parece que se passa todo naquela fase do conto João de Ferro, quando a bola de ouro do príncipe fica presa da jaula do homem selvagem e não pode mais ser resgatada, a não ser que ele busque a chave debaixo do travesseiro da rainha (mãe) e vá fazer a sua jornada masculina.


 Estas lacunas, brilhantemente reveladas na película de Linklater, pretendem ser superadas nos métodos de criação dos filhos do Capitão Fantástico.


Ellar Coltrane durante os doze anos de gravação do filme


Aquele rapaz sensível e receptivo, artista e carismático de boyhood foi lançado ao mundo sem a força do homem selvagem, que nenhuma barba lenhador vai conseguir suprir. Talvez esta moda seja uma esperança – que não funciona sem seu contexto simbólico e ritualístico - de poder acessar um elo perdido com a masculinidade, que a revolução industrial e a moral religiosa trancafiaram em seus porões. Há, segundo Bly, cinco aspectos da masculinidade que são representadas pelos cabelos do homem selvagem em João de Ferro, e que aparecem com força nas imagens do Capitão Fantástico. Elas foram suprimidas na civilização ocidental de diversas maneiras.

São elas, por exemplo, o espírito caçador que liga os homens aos seus ancestrais. Não é transpor esta faceta ao caçar mulheres ou virar caçador profissional.  É um estágio onde o menino quer caçar mesmo. Muitos de nós, eu inclusive, não suporta este estágio do masculino. Problema nosso. Mas ele surge em algum momento com estilingues e passarinhos caídos e, depois, é integrado. Há também o surgimento de um temperamento mais quente, como fogos de artifícios, que a gente não suporta porque fere os ouvidos dos cachorrinhos. E é um problema mesmo colocar os cachorros na nossa sociedade castradora tão perto das nossas neuroses. Se eles estivessem em seus lugares, que os mesmos homens trataram de destruir, não teria tanto problema alguns fogos de ano novo. Os mesmos que simbolicamente lembram dimensões masculinas, segundo Bly.

Tem também a impulsividade apaixonada, segundo Bly, que é muitas vezes punida rigorosamente em algumas religiões ou medicada como DDA. Há a espontaneidade, o ciúme de tigre e a força de um leão. Todos estes “estágios” encaixotadas numa cadeira de escola que fixa nosso olhar num quadro negro, aos cuidados de boletins enviados aos pais. 

Algumas de nós a partir dos anos sessenta também, como mulheres, e eu me excluo totalmente deste desejo, começamos a querer e criar um homem com o lado feminino mais desenvolvido para contrapor aquele que nos reprimiu. Nem o homem se sentiu mais integrado em seu masculino positivo por meio desta estratégia, nem nós.

Nem o rifle dado pelo avô, no filme Boyhood, pode fazer esta passagem para o masculino adulto, porque ele não estava contextualizado em um ritual e não entrelaçou a convivência com os pai e avô do adolescente. Talvez até o prenda naquele lado sombrio da masculinidade que torturou o planeta, dominou as mulheres e que funda o imperialismo. Sim, o masculino e o feminino têm suas sombras.

Os avós, ou anciãos, segundo as antigas tradições e o Bly, são os reservatórios de sabedoria e a ligação com os ancestrais capazes de ajudar a tarefa de individuação. Eles e as anciãs são desprezados em nossa época. Até pelos motoristas de ônibus que não param para os idosos. 


O próprio carro que o pai do protagonista prometeu para ele, símbolo desta passagem da força masculina, foi vendido numa quebra de acordo e justificativas ultrapassadas. O pai neste filme ainda não aprendeu nada e ainda joga a culpa nas esposas. A presença forte de sua mãe também não pode ajuda-lo nesta tarefa de virar homem, embora tenha lhe garantido a sobrevivência e outras riquezas indispensáveis. No final ela também quer saber onde esteve este tempo todo que não acessou um sentido de vida. Só lutou para criar seus filhos e quem sabe achar um bom homem que nunca encontrou. Agora eu entendo aquela cena memorável e mínima, quase ao final do filme, que rendeu um Oscar à Patrícia Arquette.


Ellar Coltrane e Ethan Hawke - o pai.


Ela também não encontrou em nossa cultura um caminho para a sua feminilidade. O Feminino e o masculino não são o fim da nossa jornada, mas os meios da individuação. E isto não tem a ver com tutoriais de maquiagem e times de futebol que, dessimbolizados não cumprem a função de nos alçar ao nosso centro.

Patrícia Arquette - Boyhood

E por falar em todas as mães que têm que criar seus filhos sem a presença do pai: como mulheres nós não entendemos nada da iniciação masculina, mas o Robert Bly entende e o Capitão Fantástico também. Este é um filme para os homens (não importa a orientação sexual) e sobre as suas iniciações no mundo de sua masculinidade, o que lhes foi roubado e ainda lhes causa dores. Feridas que o empurram em busca da solução.

A primeira cena do filme, e a forma como a câmera é usada, nos coloca dentro da selva em um ritual de iniciação masculina. Joseph Campbell diz que os homens a partir dos anos 1930 do século XX não passam mais por rituais que possam lança-los a sua esfera masculina, permanecendo crianças. Milhares de mulheres descontentes com este cenário tentaram suprir esta lacuna em vão. Bly não só concorda com isso, como fala claramente que o conto dos Irmãos Grimm, João de Ferro, ensina sobre a saída da esfera da mãe para a esfera do pai, ao encontrar o Homem Selvagem por meio do contato com anciões. Com isso ele não diz que as mães são culpadas de nada, só mostra que todos os filhos e filhas têm que sair da esfera da mãe em algum momento para ir para a esfera do pai e depois, se for homem, ir ao mundo e se for mulher, retornar à mãe e, então, seguir para o mundo.

Bert Hellinger, um ancião quando descobriu as Constelações Familiares, mostra como o caminho para o pai, tanto para os meninos como para as meninas, é uma conquista e não algo dado e fácil de fazer. Não adianta dizer que o pai é quieto, não fala, não nos procura ou é agressivo e mandão. Este é o desafio dele. Nós como filhos e filhas temos o nosso desafio de procurar como chegar em nosso pai e construir uma relação só nossa com ele. Qual a melhor forma? Como será este caminho? É arte pura e muitas vezes precisamos de ajuda de um bom psicanalista. E, às vezes, é impossível se o pai ou a mãe atrapalham a própria vida que nos deram. Ainda assim não podemos excluí-lo do coração e não podemos caminhar para ele como se fôssemos amantes, terapeutas, mãe, pai, juízes, capangas da mãe ou vítimas vingativas. Se podemos ir até o pai é só como filhos ou filhas. Até quando cuidamos deles ao final das suas vidas caminhamos até eles como filhos e filhas.

Como você caminha em direção ao teu pai?
E o pai, quando vai entender a sua inestimável importância na criação dos seus filhos e filhas?  Nunca é tarde para tentar.

É neste sentido que a não aparição da mãe em nenhuma cena do Capitão Fantástico, a não ser na memória de seu marido, ou morta e enterrada, eleva a jornada de Bo, um dos filhos do capitão, à conclusão de sua transformação para o homem adulto. O adolescente tem que se despedir da mãe e ir para o pai e isto se dá, segundo Bly, quando a mãe solta o filho, ou o filho tem coragem de soltar a mãe. Então um ancião leva o menino para longe da família por um tempo ensinando coisas de homens e também o desafiando a ponto de machucá-lo fisicamente.  
Neste filme, o avô dos seis filhos do capitão é o pai da mãe falecida. Ele também se vê fracassado na criação da sua filha, projetando a sua culpa no pai fantástico. Desta forma, imagina poder ter  uma nova chance ao exigir a guarda dos seus netos. Se a princípio ele é o “vilão” do enredo, com o tempo se torna o catalisador do processo de individuação do capitão, do seu neto  mais velho Bo e do Rellian, o neto mais novo. 

Por meio do confronto com este ancião, o capitão fantástico questiona pela "primeira" vez os seus métodos, às vezes, radicais. Lembrando que radical é tudo aquilo que eu não aceito no outro. A radicalidade, então, não está no que um pai ou mãe escolhem para os filhos, mas de achar que ele, o capitão, na condição de pai pode emancipa-los sem que chegue o momento de confrontar a si mesmo, seus erros e acertos, e ser confrontado pelos filhos. 

O avô também é poderoso e bem adaptado ao mundo que o capitão tenta negar, personificando tudo o que a família fantástica aprendeu a desprezar. Com ele, o pai encara os efeitos da sua própria rebeldia e arrogância. Os caprichos do rebelde o prendem aquilo que ele rejeita, assim como a arrogância quebra uma árvore ao meio. Sua família corre o risco de se dividir, mostrando que tudo o que vem da família da mãe foi negado e agora pede uma reparação.


As cenas em que os dois brigam, de alguma forma me fez pensar na falta de respeito que o próprio capitão poderia ter pelo seu pai e toda autoridade. Como é que ele, ou um pai, pode pretender emancipar seus filhos sem prepará-los e sem soltá-los para as outras facetas e fases da vida? O ator Viggo Mortensen é tão bom que fica visível sua infantilidade amedrontada diante dos erros que fez revelados pelo avô autoritário.

A bola de ouro na gaiola do João de Ferro 
O elo com o Homem Selvagem perdido

Segundo Bly, o adolescente masculino em algum momento tem que ficar longe do pai e da mãe e ir para os anciões para serem iniciados. Os iniciadores sábios, então, mostram aos meninos ou meninas que eles são mais do que ossos e sangue quando os levam para cavalgar ou contam algum causo. Ou os colocam carimbado papeis enquanto eles/as comandam uma empresa ou os fazem misturar tintas quando pintam a fachada de um prédio ou uma mesinha de canto. Meu avô materno me colocava em sua oficina lixando madeira, enquanto fazia um escorrega para nós. E minha avó paterna fingia que não nos via pular a janela para ir paquerar os meninos no meio da noite. Sua cumplicidade nos dava coragem para voltar correndo se algo de errado acontecesse. Ela não ia nos punir nem nos dedurar por estarmos virando moças. 

 Pode parecer antiquado quando dizem que uma separação quebra o coração, afinal vivemos neste mundo de relações desfeitas a cada pequena frustração, mas falam de um lugar que nos conecta com Fontes profundas que nos levando além.

Estes encontros com os avós são mostrados em Capitão Fantástico no meio de uma grande perda e disputas ideológicas, a mesma que funda toda dinâmica bipolar. A mãe, no filme, sofria de bipolaridade, preço pago com o primeiro parto, mas que está permeando todo o filme quando a esfera da família da mãe rejeita os métodos do pai fantástico e vice-versa. 

A alienação parental dobrada, ou quando o pai rejeita tudo o que vem da mãe e a mãe rejeita tudo o que vem do pai cria esta gangorra onde a criança diante de um não pode ser o que vem do outro, alternando seu temperamento para se adequar. Nós também quando rejeitamos a diversidade das culturas e crenças para impor a nossa religião e a nossa visão de mundo criamos uma cisão intransponível que só a bipolaridade pode alcançar.

E quando o feminino tenta educar o masculino para ser homem e o masculino tenta educar o feminino para ser mulher, também precisaremos de gangorras de resgate. Inclusive, o corpo da mãe, às vezes, quando a relação mãe e filho tem que mudar, cria uma explosão física. O pai também, chega um momento em que se afasta um pouco da filha, fisicamente. Isto é bom, não é rejeição. É um ciclo necessário.

Nenhuma guerra pode solucionar este impasse. Mas no Capitão Fantástico houve uma solução: há uma cena em que o pai e os filhos entram pelo corredor de uma Igreja, numa cerimônia de despedida da mãe morta, vestidos com cores alegres e ornamentos feitos de peles e flores pelas próprias crianças. Se para o avô velando a sua filha isto é uma afronta e representa o fracasso total daquele pai vestido de “clown”, para a jornada do masculino é a chegada ao mundo dos avós, pela porta da frente das crenças que os separaram até então.

Ainda assim, o antagonismo chega a tal ponto que o velho acerta uma flecha bem perto do capitão, revelando que ele mesmo, adaptado à sociedade industrial, encontrou um caminho para o masculino dele. Que ele tem a potência anciã necessária para fazer a passagem do menino ao homem. Ele está conectado aos ancestrais de alguma forma.

Robert Bly enfatiza mais ainda, que não são as gangues que garantem a passagem do menino para a vida adulta de um homem, mas o vínculo com os ancestrais. Se não são as gangues que nutrem o nascimento do homem adulto, embora sejam necessárias quando o iniciador não está presente, derrubar o pai para tomar uma empresa, por exemplo, é muito pior. Desafiar o pai, ou uma pessoa mais velha como se nós fôssemos muito melhor do que eles, então, é um corte em nossos nervos mais profundos. Como se a gente fosse fantástica. Mas é verdade, os mais velhos também perderam sua conexão com esta missão de iniciadores e enchem os netos e os mais jovens com preleções e medos desnecessários.

Por isso, quando os filhos começam a questionar o capitão de diversas maneiras, ele se confronta com a sua própria arrogância e fracassos. Por exemplo, como um pai pode emancipar as filhas sem o veículo feminino? Como foi escrito acima:  o menino sai da mãe, vai para o pai e dele para os anciões e o mundo. A menina sai da mãe, vai para o pai, retorna para a mãe e de lá segue para as anciãs e o mundo.

Sem a mãe, resta às filhas do Capitão falar esperanto em uma cena na qual não se sentem compreendidas pelo pai. Uma forma delas se manterem no universo feminino sem a intrusão do princípio masculino. Em outra cena, o filho mais novo questiona o pai e seus métodos, querendo matá-lo e escolhendo viver com o avô materno. Esta escolha o fixa na esfera da mãe, negando a sua própria e necessária jornada para a esfera do pai. A presunção deste menino, que se torna melhor do que o pai para a sua mãe, só se compara à presunção do seu próprio pai. E a mesma arrogância dos dois cede quando o seu ferimento na alma é visto como o mesmo ferimento no pai. Diante da doença da esposa (e mãe) eles não puderam salvá-la.

Esta impotência, segundo Hellinger, é o que nos torna adultos, enfim. E humildes. Nosso amor não pode salvar quem a gente ama de seus destinos e “defeitos”. Aquela visão fantástica de que salvamos nosso pai e mãe de suas dores, colocando sobre nossos ombrinhos de três anos de idade toda aquela dor, se desfaz quando deixamos a impotência fazer o seu serviço. Se não deixamos ela atuar vamos enfrentar um chefe ou um emprego que vai nos mostrar como tratamos os nossos pais e mães.

Mas como ficam nossas cicatrizes de infância criadas pelos erros de nossos pai e mãe, da escola, da cultura, da sociedade em que vivemos? Esta mesma ferida que o filho mais novo e o mais velho, enfim, escancaram para o pai agora não tão fantástico assim? Estas dores que são nossas mesmas e não mais dos nossos pais?

O ferimento cobre o homem de vermelho, como a mulher fica menstruada. Segundo Bly, os ferimentos na iniciação ganham poderes. Sabe aquelas marcas de pequenas queimaduras que os extraterrestres deixam nos pés das crianças para elas se lembrarem de onde vem? Pois é. Os ferimentos são o mapa que a gente pensa que não tem. Podia ser menos doloroso?!!!! Sim, mas somos feito de carne para lembrar.

Não estou dizendo que as feridas são necessárias, porque os sádicos não entendem nada do que estou falando, estou dizendo que são inevitáveis. Então você mergulha na sua dor na relação com a sua mãe, porque ela foi muito autoritária, ou na dor com o seu pai, porque ele foi muito ausente. E então, ensimesmado, pode passar toda uma vida no divã de um mal analista que vai lamber com você a sua ferida, sem nunca encontrar uma solução. Ou, se tiver um Eugenio Davidovich em sua vida, vai ver que isto te levou além.

E se tiver um Joel Weser, constelador especializado em dores e doenças, te levando da dor pessoal da solidão para o avô morto na infância de seu pai e, quem sabe, daí para os povos indígenas dizimados, se em sua família tem ancestrais indígenas, verá que a tua dor na relação com teu pai te conecta com algum bisavô ou bisavó, e que se conecta à humanidade e, com eles todos, você resgata um parentesco que tem de tudo menos o vazio existencial constelado em Boyhood.

Saímos da dor egocêntrica para dor do não pode mais ser assim.  Elas, as dores, são os nossos gênios, nossos talentos, nossas vocações.  E nelas há muita força represada para emancipar-nos. Então, quando os filhos esfregam na cara do ‘pai nem tão fantástico assim’” os ferimentos que ele criou, e a filha mais velha sofre um acidente ocasionado por ele, seu mundo desaba. Ele errou muitas vezes, embora tenha acertado muito mais.

Quando é que a gente se toca que os nossos pais acertaram MUITO mais do que erraram? Quando é que aquela mágoa pode ser o veículo de uma iniciação ao invés de uma barreira em relação aos nossos pai, mãe e vida?

O capitão viúvo diante dos seus fracassos entrega os seus filhos para o avô, o sábio ancião. Mitologicamente, é como se ele dissesse aos meninos que aceita que eles entrem no mundo do homem adulto. Pega seu ônibus e segue a jornada sozinho. Raspa a sua barba, o cabelo original, o que mostra a sua chegada, enfim, ao mundo dos homens maduros. Quando o homem selvagem está integrado, os mais velhos são respeitados. Mais tarde o filho mais velho faz a mesma reverência numa cena simples e sem palavras. Como os homens gostam de se comunicar.

As crianças, no entanto e apesar das suas dores e cicatrizes, não aceitam ficar sem o pai. Elas voltam para ele cumprindo sua missão de caminhar para o pai abrindo mão de toda a expectativa de como ele deveria ser. Este é o caminho para o segundo pai, ou segunda mãe, quando encontramos os verdadeiros reis e rainhas exatamente como eles são.

É quando aprendemos que não foram as feridas criadas pelos nossos pais que nos impediram de seguir em frente. Elas são os nossos gênios se somos iniciados. Foram as nossas expectativas de que podia ter sido diferente que bloqueia o caminho.

Finalmente, tem a cena mais bonita do filme. E a mais triste e alegre, sensível e dura. A saída do mundo da mãe é sempre um funeral em nossa alma e está dissolvida em nosso inconsciente coletivo, como as cinzas espalhadas nos ralos do mundo. Não é qualquer mãe que liberta seus filhos de sua esfera. Nem mesmo se ela estiver morta. Mas esta mãe garante isso em seu testamento, homenageando o ciclo da vida, como nos rituais de ano novo.  Em Capitão fantástico[i], o filho mais velho é lançado ao mundo como homem desde a primeira cena. Depois chega ao avô, confronta o pai, caminha para o segundo pai, se liberta da mãe com o aval dela e parte para a sua vida - o desconhecido. 

Um caminho para os anciãos também foi criado para as filhas mais jovens, que precisarão da sua avó para fazer a sua jornada ao feminino.
Uma mensagem importante não escapou: não morra! 
Ou como o Hellinger diz: fique vivo!
“Eu fico vivo!”



Shree Crooks em seu personagem Zaja Cash - Capitão Fantástico


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[i] Meu agradecimento ao professor Matthias Bronk que me indicou este livro quando falávamos do Capitão Fantástico. 

[ii] Segundo Dany-Robert Dufour em “A arte de Reduzir as Cabeças”, as trocas deixam de ser simbólicas, carregadas de sentido, e passam a ser trocas de mercado. Tudo vira mercadoria e perde seu sentido.

[iii] No filme é citado algumas vezes o linguista  Noam Chomsky com suas posições políticas e o pediatra Benjamim Spock, mas eu conheço muito pouco da obra deles para poder entrar a fundo nesta discussão. Embora muito das ações do Capitão estejam alicerçadas nestes autores.

15 de dez de 2017

63) Astrologia - Entrevista com Simone Arrojo



A bela Simone Arrojo em seu programa Virando a Página na Rádio Mundial



Eu tive a emocionante honra de conversar com a consteladora e comunicadora Simone Arrojo em seu programa Virando a Página da Rádio Mundial. 

Nele a Simone nos toca a alma com temas sobre as Constelações Familiares, o feminino, a espiritualidade, entre outros, além de generosamente compartilhar seu espaço com seus  convidados. Nós falamos um pouco do meu percurso como astróloga que segue o campo fenomenológico das Constelações criadas por Bert Hellinger para entender o mapa astral.

Aqui está a página da Simone: www.simonearrojo.com.br

Se inscrevam no VIRANDO A PÁGINA aqui. Vale a pena todo o conhecimento que a Simone compartilha.

E a nossa entrevista sobre



29 de set de 2017

62) Vocação e Constelação Familiar



Muita gente se pergunta “qual é a minha missão? ” “O que eu vim fazer neste mundo? ” “Qual ofício poderá expressar melhor os meus talentos?

Mas missão, talento, ofício e vocação são a mesma coisa? E como se revelam na Constelação Familiar?

Etimologicamente, talento significa inclinação, se vier da palavra latina “talentum”, e quantia de dinheiro se vier do grego “Talenton” [i] . Na Parábola de Jesus sobre talentos, contada por Mateus 25:14 – 30,  a mensagem é a de que devemos servir com os dons confiados a nós de forma aplicada e diligente ou haverá “choro e ranger dos dentes”. Neste sentido, talento passou a significar dom especial e cada um de nós recebeu ao menos uma graça divina que precisa ser usada pelo bem comum[ii].  

Já a palavra vocação, apesar de ser usada como sinônimo de aptidão, se refere ao termo Latim “vocatio” que significa um chamamento. E tem relação com o termo Latim “vox” que significa voz, som, grito e fala.[iii]

O professor alemão Gerhard Walper [iv] da Hellinger Schule, com ampla experiência em Constelação Familiar e Constelação, Sucesso, Empresas e Vocação, pontua que a palavra alemã para vocação é berufung. Este termo tem a ver com um chamado específico que vem de Deus. Então a origem da voz interior é clara nesta palavra, não é uma voz qualquer.


Esperanza Spalding


E a palavra missão? Qual a sua origem? Nas igrejas primitivas, quando se acabava uma cerimônia religiosa, falava-se “ite, missa est” que significava que a congregação estava dispensada. Com o tempo toda a cerimônia passou a ser referida com a expressão missa, mas ainda assim, vem do verbo latino “mittere” que significa enviar, mandar e dispensar. E o ato de enviar vem da palavra latina “missio”. Por isso, os projéteis se chamam míssil e para onde encaminhamos nossos esforços se chama missão.[v] Se o talento é recebido, a vocação chama e a missão envia.

E, finalmente, a palavra ofício vem do Latim “officium” e significa serviço, dever, atividade e é formada pelo prefixo “ops” (poder, meios para) e “facere” que significa fazer e realizar.[vi]

Aqui no Brasil todos estes termos têm relação com a palavra trabalho, que vem do Latim  “tripaluim”, ou um equipamento de tortura. que na França virou “travailler” que significa sentir dor e sofrer, até chegar ao sentido de trabalhar duro e “apenas” trabalho.

Durante o fantástico seminário ministrado pelo professor Gerhard Walpe em setembro de 2017 em São Paulo vimos que estas esferas de manifestação - aquilo que recebemos como dom (talentos), o que grita em nosso coração (vocação), o nosso serviço no mundo (ofício) e como fazemos (trabalho) -, apesar destes termos não terem sido especificados no curso como fiz acima,  estão diretamente ligadas à emaranhamentos familiares.

Por exemplo, alguém que queira muito salvar a mãe do destino dela, o que sabemos ser impossível, pode sentir vontade de ser terapeuta. Se uma família teve uma doença incurável, um dos filhos ou netos pode querer ser médico para curar o que não teve solução. Um advogado está em busca da falta de justiça sofrida e um professor está garantindo os acertos e formas de pensamentos que não foram legitimados.

Naquele filme, "A Partida", estes destinos que desembocam em uma vocação diferente do que imaginávamos é retratado com um jovem japonês e seu anseio por ser músico. Seu destino, porém, o empurra para um ofício que acabará por levá-lo a uma solução desejada há muito tempo por sua alma.

No filme "A Chegada", tão rico de sentidos, a capacidade de ver o futuro da personagem nos faz questionar como encaramos o nosso passado com aceitação ou negação. Nele também se revela como a nossa missão está emaranhada em algo que busca soluções para a nossa alma.

Então toda vocação é um emaranhamento? De certa maneira sim. E digo mais, é uma voz lá no fundo da alma que grita para ser dado um passo à frente do emaranhamento, rumo ao nosso centro. 

O terapeuta, por exemplo, tem que parar de querer salvar ou julgar a mãe; o médico precisa parar de querer vencer a morte; o professor precisa aceitar os limites para ir além; um ator não poderá dar voz a todos os excluídos aceitando, enfim, os seus destinos; um político não pode mudar um movimento que atua por trás do curso da história, por mais que seus eleitores, infantilizados, acreditem que sim, etc. etc.

E quando não entendemos o recado da vocação, o trabalho pode virar um verdadeiro tormento. Cada vez mais opressor e impossível de se livrar até que se aprenda a impotência e a humildade diante do que ele tem a nos ensinar.

Há outras relações ocultas entre nosso serviço no mundo e os laços ocultos na família (e aprendi tudo isso com o Bert e Sophie Hellinger e o Gerhard Walpe): Um irmão mais novo liderando uma empresa, por exemplo, pode se sentir paralisado se um irmão mais velho for seu assistente. Para garantir o lugar do irmão como o primeiro da família o irmão mais novo se sabota na empresa que ele mesmo criou. Uma pessoa que nasceu com um talento enorme para as artes, pode ser vocacionada a seguir outra carreira por conta dos emaranhamentos sistêmicos, como os citados acima, e seu talento recebido deve servir à esta voz interior que a empurra para outros caminhos.

Um esforço não reconhecido dentro da empresa com merecidas promoções, pode refletir a própria arrogância em relação à mãe que não a reconhece: “Mamãe você não me deu o que eu queria! E eu não reconheço a dor e o medo que você passou em meu parto, nem te agradeço o meu corpo tecido no seu, muito menos os tempos gastos com meus cuidados! Eu só vejo o que me doeu.”

E aquele funcionário ou cliente desrespeitoso pode estar excluindo o pai do coração, se colocando ao lado da mãe nas brigas de casal que eles tiveram.

E tem também o quanto investimos em um empreendimento, seja em uma empresa ou na busca de uma ajuda. Lembram da parábola contata por Mateus? Se queremos dar menos do que é pedido, podemos estar falando que não receberemos tudo, porque tampouco daremos tudo de nós. Pode ser que estamos fechados, principalmente para a vida que veio dos pais, o maior dom recebido numa existência. Será que isso não gera dor e ranger dos dentes?

Em um grupo de Constelação Familiar estas descobertas se multiplicam exponencialmente atingindo a todos. Quando o tema é vocação, empresas e trabalho chegamos ao serviço dedicado à vida que é a fonte de toda a Constelação Familiar. Por isso, não importa se você é constelado diretamente ou não, em algum momento uma dinâmica vai te atingir em cheio, mesmo que você esteja sentado, ansioso para ser constelado "sem ser escolhido".

Todos nós já escolhemos, quando decidimos ir a um encontro destes, encontrar  uma saída para a fonte de vida continuar a fluir. Assim uma porta aberta em um de nós é um portal aberto para e por toda a gente.