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18 de jul. de 2023

554) O Ciúme Permance até que se Olhe para o não foi Visto

 

A Constelação Mitológica do Ciúme em Apolo e Jacinto

Mônica Clemente (Manika)

 

          O ciúme, segundo Hellinger, está a serviço de separar os amantes enquanto o que ele olha não for visto. Tanto para quem o provoca como para quem procura infidelidades onde elas não existem.

 

Em uma Constelação Familiar, o ciúme olha para o mundo dos mortos, com a dor dos corações partidos, em busca de alguém excluído. Pode ser, por exemplo, que a mãe do “ciumento” tenha perdido muitos filhos, fazendo ele chorar pela morte dos irmãos em seus relacionamentos.

 

Ele fará isso atualizando estas perdas e suas dores correspondentes, mesmo sem saber, escolhendo um parceiro que vai lhe provocar ciúmes reais ou buscando avidamente alguma infidelidade inexistente. Como se ele pudesse trazer de volta a pessoa que todos amam e não teve o luto feito.

 

Esta mesma dinâmica já estava constelada há milênios, no mito grego de Apolo e Jacinto. Um dos homens mais bonitos já vistos, fez os deuses Apolo e Zéfiro se apaixonarem por ele.  

 

Para conquistá-lo, Apolo o separa do seu amante Thamiris. Sem saber de nada, Apolo e Jacinto namoram felizes, até o dia em que o deus do vento (Zéfiro), enciumado, mata Jacinto num “acidente”.

 

Arrasado, Apolo faz o sangue do amante renascer em uma flor que recebe o seu nome. Como o luto que precisa ser feito para ninguém mais repetir as velhas perdas em seus novos relacionamentos. 

 

Por um lado, o mito trata dos ciclos de vida e morte. Por outro, revela que o ciúme não está a serviço da vida nem dos relacionamentos, muito menos da esperança de viver a felicidade que vê em outros casais, matando-a em si mesmo com fez Zéfiro.


E, mais do que tudo, este mito atualiza uma tragédia dos nossos tempos. Como em “O Segredo de Brokeback Mountain”, de Ang Lee: 

 

Todas as vezes que as relações homoafetivas não são tratadas como normais, Zéfiro, o vento que lançou um disco na cabeça de Jacinto (o preconceito), mata alguém que amamos porque a sua forma de amar não foi aceita. 

 

Mônica Clemente (Manika)

@constelacoes_mitologicas

@manika_constelandocomafonte

 

Quadro “The Death of Hyacinthos” de Jean Broc”

 

#BertHellinger #Apolo #Jacinto #constelacaofamiliar #familienstellen #Ciúme #homoafetivo #ConstelaçõesMitológicas

20 de mar. de 2022

431) O Mito de Dafne e a Dificuldade em Amadurecer

 

O Mito de Dafne e o Medo de Amadurecer

Mônica Clemente (Manika)

Apolo levou uma flechada de Eros para se apaixonar por Dafne, filha do Rio Ladão e da Mãe Terra. Dafne, por sua vez, leva uma flechada para sentir aversão por Apolo, porque o deus desdenhou de Eros em uma competição...

...Nunca deboche do amor...

A ninfa, não aguentando as investidas de Apolo, suplica para sua mãe (em outra versão seu pai) para ser metamorfoseada em uma árvore. Como uma paciente da Nise da Silveira que disse que “queria ser flor”. Desde então, o Loureiro é a árvore sagrada de Apolo.

Só há um estágio do desenvolvimento humano no qual se está enraizado fisicamente como uma flor: quando o cordão umbilical está conectado ao corpo da mãe. Esse mito, portanto, fala de uma pessoa tão apegada à mãe ou ao pai que não conseguirá colher os frutos de um desenvolvimento saudável.

O apego desproporcional, como os laços simbióticos além do tempo, são frutos de várias dinâmicas com os pais. Uma delas é quando a pessoa é criada com chantagens emocionais, ou foi negligenciada a ponto de se sentir sem valor.

No 1o caso, a pessoa se sente culpada de ter sua própria vida por medo do que os pais pensarão e falarão dela com suas chantagens cheias de ameaças:

“Eu retiro o amor se você não fizer o que eu quero”, ou “eu me ataco - viro vítima - fazendo todos acreditarem que a culpa dos meus infortúnios é sua”.

No 2o caso, a negligência pode ser proposital ou é o resultado de um Movimento Interrompido (MI) não sanado. O “MI” acontece quando a mãe ou o pai fica longe, por qualquer razão, mais tempo do que a criança pode aguentar. Assim, seu instinto interrompe a ida até os pais, não conseguindo mais tomar a vida nem os cuidados que vem deles.

Em todos os casos, a autoestima e a fome de carícias são tão fortes que a pessoa fica “mendigando” o amor dos pais sem conseguir seguir em frente.

Como se vê, Apolo correndo atrás da Dafne é o próprio processo de individuação da ninfa, exigindo que ela amadureça, mesmo que haja exigências ou negligências parentais.

Ou ela regredirá toda vez que o amor, por alguém ou por uma tarefa, chegar.

Mônica Clemente (Manika)

@constelacoes_mitologicas


 

O Mito de Dafne e o Medo de Amadurecer

Mônica Clemente (Manika)

Apolo levou uma flechada de Eros para se apaixonar por Dafne, filha do Rio Ladão e da Mãe Terra. Dafne, por sua vez, leva uma flechada para sentir aversão por Apolo, porque o deus desdenhou de Eros em uma competição...

...Nunca deboche do amor...

A ninfa, não aguentando as investidas de Apolo, suplica para sua mãe (em outra versão seu pai) para ser metamorfoseada em uma árvore. Como uma paciente da Nise da Silveira que disse que “queria ser flor”. Desde então, o Loureiro é a árvore sagrada de Apolo.

Só há um estágio do desenvolvimento humano no qual se está enraizado fisicamente como uma flor: quando o cordão umbilical está conectado ao corpo da mãe. Esse mito, portanto, fala de uma pessoa tão apegada à mãe ou ao pai que não conseguirá colher os frutos de um desenvolvimento saudável.

O apego desproporcional, como os laços simbióticos além do tempo, são frutos de várias dinâmicas com os pais. Uma delas é quando a pessoa é criada com chantagens emocionais, ou foi negligenciada a ponto de se sentir sem valor.

No 1o caso, a pessoa se sente culpada de ter sua própria vida por medo do que os pais pensarão e falarão dela com suas chantagens cheias de ameaças:

“Eu retiro o amor se você não fizer o que eu quero”, ou “eu me ataco - viro vítima - fazendo todos acreditarem que a culpa dos meus infortúnios é sua”.

No 2o caso, a negligência pode ser proposital ou é o resultado de um Movimento Interrompido (MI) não sanado. O “MI” acontece quando a mãe ou o pai fica longe, por qualquer razão, mais tempo do que a criança pode aguentar. Assim, seu instinto interrompe a ida até os pais, não conseguindo mais tomar a vida nem os cuidados que vem deles.

Em todos os casos, a autoestima e a fome de carícias são tão fortes que a pessoa fica “mendigando” o amor dos pais sem conseguir seguir em frente.

Como se vê, Apolo correndo atrás da Dafne é o próprio processo de individuação da ninfa, exigindo que ela amadureça, mesmo que haja exigências ou negligências parentais.

Ou ela regredirá toda vez que o amor, por alguém ou por uma tarefa, chegar.

Mônica Clemente (Manika)

@constelacoes_mitologicas

10 de nov. de 2021

379) Encontros e Desencontros de Amor no mito de Dafne e Apolo

 


Encontros e Desencontros de Amor no  mito de Dafne e Apolo 

Mônica Clemente

Apolo zombou de Eros, que, por isso, lançou uma flecha nele para se apaixonar por Dafne.

 

Dafne foi atingida por outra flecha, do mesmo Cupido (Eros), para rejeitar Apolo, que estava apaixonado por ela graças à vingança de Eros.

 

Foi assim que o deus correu atrás da ninfa pelos bosques, até ela implorar para seu pai transformá-la em um Loureiro.  Em outras versões, ela suplica a ajuda da sua mãe, com o mesmo destino.

 

Talvez este seja o mito preferido de alguém. Que tem o mesmo enredo das princesas presas em torres com um dragão de guarda.

 

O que revela? 

 

Um roteiro oculto operando por baixo de todas as ações daquela pessoa: ela quer encontrar um companheiro/a, mas está emaranhada com o pai ou a mãe. 

 

Ao invés deles a apoiarem de fato, para que possa encontrar um parceiro/a, a paralisam provocando-lhe medo de compromissos.

 

Então a mulher identificada com Dafne ou o homem identificado com Apolo dirão: 

 

“A pessoa que amo não gosta de mim. E as pessoas que gostam de mim, eu não me interesso.”

 

Se for possível constelar esta situação, talvez a gente descubra a dinâmica oculta ou o vinculo de destino, ou a desordem sistêmica que fomenta o script (roteiro) do emaranhamento desta pessoa. E, quem sabe, assim ativamos a solução. 

 

Como?

 

Freud, Jung e Eric Berne, psicanalistas, descortinaram,  cada um a sua maneira, a função psicológica dos mitos (base de toda narrativa ficcional),

 

O Hellinger, a partir da descoberta dos scripts de vida de Eric Berne, que usa contos de fada preferidos para revelar os mandatos que estamos repetindo sem saber, descobriu as dinâmicas sistêmicas do mito.

 

E foi assim que nasceu, há 11 anos, a minha pesquisa e atendimentos sobre a “função sistêmica” dos mitos e contos de fada, que, atualmente, chamo de Constelações Mitológicas:

 

A constelação familiar do conto de fada ou mito preferido de uma pessoa.

 

Com ela vemos que um personagem ficcional, com seus desafios, representa alguém da nossa família, que viveu o “mesmo” drama do conto preferido.

 

Gigantes se tornam destinos impostos, poções em doenças, maldições em laços de amor, animais em pessoas excluídas, etc.

 

É fascinante como os arquétipos, ideias vivas, usados como personagens nos mitos e contos de fada, ativam memórias ancestrais ainda em busca de soluções em nosso destino.

 

Se quiser mais informações, me escreve pelo e-mail: 

 

manika@manika.com.br

 

Lembrando que uma Constelação Familiar não precisa do conto de fada.

 

Mas o conto de fada preferido “precisa” da Constelação Familiar, uma vez que seu conflito indica um caminho de amor perdido.

 

Mônica Clemente (Manika)

 

@constelacoes_mitologicas

@manika_constelandocomafonte

 

#históriasqueatuam #familienstellen #constelaçaofamiliar #scriptdevida #berthellinger #ericberne

 

22 de jan. de 2021

246) Mitologia e Constelação Familiar em Orestes

 

Oreste et les Furies - Jacques Francois Ferdinand Lairess

            Vou falar de uma temática que amo, a interface entre a mitologia e a Constelação Familiar, que chamo de “Histórias que Atuam”.

Especificamente o mito de Orestes e a Consciência Pessoal, Coletiva e Espiritual, segundo Bert Hellinger.

Quais as mensagens e possíveis soluções que este mito pode nos oferecer em relação à culpa e reparação, alienação parental, medo, crimes hediondos, justa justiça e loucura?

Se quiser ver o vídeo que complemente este post, clique aqui.

Este mito ganhou relevância na trilogia Oréstia, de Ésquilo, uma tragédia Grega do século VI a.C. contando a história de Orestes, filho de  Agamenon, Rei de Micenas, casado com Clitemnestra, cujos filhos eram Efigênia, Electra e Orestes.

Agamemnon, frustrado com suas derrotas, entrega sua filha Efigênia em sacrifício para vencer a Guerra de Tróia.  

Uma possível dinâmica familiar associada à esta passagem é: “você (morra) por mim”.

Clitemnestra, que já o odiava, começa um caso amoroso com Egisto, primo e inimigo mortal de Agamemnon, que já havia planejado matar Orestes quando ele era criança. O menino foi salvo por Electra que o enviou clandestinamente para ser criado como filho da irmã de Agamemnon. 

Quando o rei volta da guerra é assassinado pela esposa e o amante. O deus Apolo, intercede, e envia Orestes, agora já um jovem adulto, para vingar a morte do pai. Electra, com ódio da mãe, também atiça o ódio e a vingança de Orestes.

Como disse Hellinger (2007:62-65), os deuses nos mitos atuam como a Consciência Coletiva Inconsciente de uma família. Esta esfera zela pelo pertencimento de todos, mesmo que isso exija a repetição de destinos difíceis. Ao contrário da Consciência Pessoal, que zela pelo pertencimento do indivíduo ao seu grupo, a consciência coletiva familiar busca a reparação, a qualquer custo, da inclusão do que foi excluído. No caso,  Agamemnon mata a filha e Orestes matará a sua mãe, até que esta família olhe com respeito para as mulheres feridas e banidas (A entrada das Fúrias e de Atená).

 

Eles fazem uma armadilha para atrair Egisto e assassiná-lo.

Quando há muita violência doméstica, brigas conjugais ou alienação parental, os filhos são envolvidos na guerra e é muito difícil para eles se manterem neutros diante do que estão vendo e escutando. Geralmente, eles acabam tomando partido correndo o risco de se tornarem “capangas” de um de seus pais, matando a conexão filial com o genitor que atacam.

Ao Ouvir os gritos do amante, Clitemnestra encontra seu filho com uma espada ensanguentada em sua mão. Suas súplicas quase o persuadem a não cometer o crime, mas o próprio Apolo havia mandado assassiná-la. E ele não consegue evitar o golpe mortal.

A última frase da rainha é: “Vê bem. Cuidado com as cadelas furiosas de uma mãe” Ela se referia às Erínias (Fúrias), que vingam o sangue parental derramado.

Assim, Oreste enlouquece, sendo envolvido pelas fúrias e nem Apolo consegue salvá-lo, o que faz com que o deu convoque um tribunal com Atená de juíza e as Fúrias de promotoras. São elas:

 

·       Tisifone, o castigo, persegue os pecados da cólera, ira, soberba com um facho de luz que não deixa o pecador dormir.

 

·       Megera, o rancor, grita no ouvido dos traidores, enfieis e mentirosos até que fujam, sem nunca poderem ficar com suas famílias, que vão criando e abandonando.

 

·       Alecto, a implacável, enlouquece os assassinos e/ou seus descendentes.

 

 

Enquanto Orestes é acusado ferozmente pelas Fúrias, Atená leva em consideração os antecedentes que levaram Orestes a cometer aquele crime, dando uma visão mais ampla do que aconteceu e de onde ele estava emaranhado.

 Assim, Ésquilo com sua trilogia, inaugura o pensamento jurídico que busca a justa justiça e não o justiçamento que é o olho por olho e dente por dente (Pessoa e Costa, 2013). Como em Alto da Compadecida, de Ariano Suassuna, no qual a Virgem Maria intercede pelas almas julgadas pelo demônio na presença de Jesus.

E fala também, como faziam as tragédias, das conexões ocultas que levaram Orestes até a sua tragédia.

E que na Constelação Familiar dizemos que são emaranhamentos que precisamos encarar para dar outro rumo à vida. Mas não só olhar, e sim deixar que algo atue, até que una o que foi separado, que é a Consciência Espiritual atuando, segundo Hellinger.

 

Então, as Fúrias se apaziguam, não porque Orestes é inocente, mas porque ele compreendeu o encadeamento do sofrimento familiar, podendo agora fazer diferente. E, porque, algo se reconciliou em outro nível, entre Atená e as Fúrias.

 

Mesmo sendo um julgamento ultrapatriarcal, o mito nunca se deixa manipular: é uma deusa e não um deus que traz a solução para Orestes, absolvendo-o. É ela quem consegue acalmar as Fúrias dentro de Orestes, que não deixam os assassinos em paz.  E isto já nos dá uma pista:

Se ele, Orestes, se reconciliar com sua mãe, sem exigir dela mais nada do que exigiu, será que conseguirá se libertar das fúrias?

Estes sentimentos tratados no mito, ódio, vingança, fúria, culpa, rancor fazem parte das nossas relações. Por exemplo, quando uma criança é criada por meio do medo, ela vai sentir vontade de matar o genitor que a amedronta. Não porque quer matar de verdade, mas porque há um mecanismo de lutar ou fugir toda vez que estamos em perigo. Uma criança não pode lutar nem fugir, então seu medo vira ódio. 

Logo em seguida, seu ódio vira culpa por ter sentido algo terrível em relação àqueles que ela ama mais do que a si mesmo. Isto a faz sentir rancor dos pais, pela dor sentida, ao mesmo tempo em que quer se castigar pelos sentimentos terríveis.

Se esta dinâmica virar uma rotina, ela terá uma relação difícil com o genitor que causou medo, que é Fonte de sua vida e se castigará inconscientemente, não se permitindo nem se sentindo merecedora de muitas coisas.

Da mesma maneira, quando estamos no meio da briga dos nossos pais, e tomamos partido, estamos que nem Electra e Orestes, sendo arrastados por “Apolo” que é o consciente coletivo familiar atuando sobre nossas ações. Orestes não queria matar a mãe dele, mas estava emaranhado numa sucessão de homens machucando mulheres. E só uma deusa pode ajudá-lo.

Uma mulher. Não é que uma mulher vai educar um homem para ele ser um bom homem. Isto é função do pai, que não estava presente no mito. É que o homem que machuca mulheres tem que olhar para elas e não exigir delas mais nada. Nem absolvição.  Assim ele se livra das Fúrias, mas não da justa justiça.

Se estas brigas chegam aos tribunais, estamos vivendo a radicalidade destas brigas familiares. No tribunal, segundo Athena, buscamos a justa justiça e não a perpetuação do problema.

 Numa Constelação Familiar olhamos de forma mais ampla, como fez Athena, mas sem tomar partido. Não para nos tornarmos inocentes novamente, mas para sairmos da dominação de “Apolo”,  que na verdade é a consciência coletiva inconsciente do nosso sistema familiar nos fazendo repetir destinos trágicos.

O mito de Orestes tem esta sacada incrível, as Fúrias só deixaram Orestes em paz, quando Atená entrou e mostrou os antecedentes para as Fúrias, não para justificar os erros dele, mas porque uniam nele perpetradores e vítimas e seus atos hediondos a uma nova compreensão, dando-lhe uma nova perspectiva:

Tudo o que aconteceu não podia ser diferente do que foi, já que estava emaranhado numa sucessão de dores familiares que não encontravam solução.

Até porque a culpa tem esta característica: ela faz com que a gente não olhe o que fizemos ou para quem a gente feriu. Ela serve ao culpado, nunca à vítima.

Mas se olhamos com amor para os antecedentes (quem ferimos e quem nos feriu e as dinâmicas envolvidas nisso), a culpa tem sua reparação, sem exigir mais nada das vítimas, nem o perdão.  


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Ésquilo. Oréstia.  IV a.C.

Costa, A. & Pessoa, P. Oréstia. Adaptação Dramática. São Paulo: Giostri Editora LTDA, 2013.

Bert Hellinger. A Fonte não precisa perguntar pelo caminho. Minas Gerais: Atman, 2007.

10 de fev. de 2020

113) Sobre os mandatos da mãe e do pai no mito de Apolo e Dafne


      Sobre os mandatos da mãe e do pai no mito de Apolo e Dafne


      Apolo zombou de Eros! O Deus do amor entãoe lançou um flecha nele para se apaixonar por Dafne, que recebeu outra flechada para rejeitar o irmão gêmeo de Ártemis (Apolo). O deus correu atrás dela por todos os bosques, até que a ninfa não aguentando mais os cortejos, implorou para que seu pai (e em outras versões para sua mãe) a transformasse em um Loureiro. 

         Talvez este seja o mito preferido de alguém. O que revela? 

      Um roteiro oculto operando por baixo de todas as ações daquela pessoa. Ela quer encontrar um companheiro, mas está emaranhada com o pai ou a mãe. Se for possível constelar esta situação, talvez a gente descubra a dinâmica oculta ou o vinculo de destino, ou a desordem sistêmica que fomenta o script (roteiro) que a impede de se vincular a um companheiro e, quem sabe, achamos a solução. 

        Durante o seminário Histórias que Atuam: do conto de fada preferido à Constelação Familiar constela-se uma questão pessoal que é revelada no conto preferido na infância, até os 5 anos,  e o filme ou livro preferido dos últimos 2 anos. Às vezes demora mais de 6 horas pra gente se lembrar do conto da infância mais significativo pra gente, por isso já devemos ir pensando quais são. Estes seminários acontecem no Rio de Janeiro, Porto Alegre e São Paulo.

#históriasqueatuam #constelaçaofamiliar #scriptdevida #berthellinger #manika

4 de jun. de 2013

25) Um homem e uma mulher sós


1)  Do movimento interrompido para o pai e 
2) do finalmente, não!



1)      Desde muito pequeno ele aprendeu a esperar o pai sem saber ao certo se, na volta dos negócios, teria tempo para o filho. No início, seu sentimento de solidão era avassalador. Quanto afastamento uma criança pode suportar até criar fugas do desejo de intimidade que nunca aconteceria?

               Mais velho, depois da adolescência, conseguindo entender um pouco do universo que encantava o pai, pôde abrir algum caminho com ele no trabalho. A infância continuou a soprar suas senhas sem sentido: “não precise de ninguém emocionalmente, mas se fizer tudo certinho quem sabe entra no mundo dos céus?”.

               O céu é um lugar sem pai, só das mães...

2)      Desde pequena ela aprendeu a sufocar sua personalidade ainda mal formada para satisfazer a voracidade da mãe possessiva. No início seu anseio por liberdade das invasões do buraco negro a levaram a se isolar com arame farpado, disfarçado de palhacinhos. No escuro pareciam espantalhos. Quanta proteção uma criança pode erguer quando não é respeitada em seus limites?

               Mais velha, depois de se impor a perda do primeiro filho ainda na barriga, entendeu sua disponibilidade inconsciente de ser invadida pela mãe que passara pelas mesmas perdas auto-impostas e quase enlouquecera. A infância continuou a soprar suas senhas sem sentido: “nunca abandone o seu cercadinho, assim vai salvar a mamãe do desespero da culpa. Você é maior que Deus!”.

         Quem não diz não para as Fúrias[i] se assoberba para além dos deuses. 
         Uma voz sábia (Hellinger) disse: Vai para o pai que lá é mais seguro.


Orestes Perseguido Pelas Fúrias, Adolphe William Bouguereau



      Um dia, sem que pudessem escolher, Eros, deus do amor, uniu este homem a esta mulher enclausurados em suas solidões. Como seus critérios de relacionamento estavam duramente alinhavados com as suas defesas, recusaram a flechada do Cupido.  Assim, a indisponibilidade de um e o arame felpudo da outra desafiaram os pés no chão dos instintos divinos.

 O primeiro deu a sentença: “ela não serve aos meus ideais”, e a segunda afirmou a sua queixa: “ele me deixa sozinha”. Separaram-se, e como ninguém deveria bater no Cupido com um mata-moscas, acabaram sofrendo de repetição compulsiva dando as mesmas desculpas para si mesmos em outros relacionamentos.

         Tempos depois, ainda movidos pelo veneno do deus, se reencontraram. Só então a verdade se revelou. Ele teria que ir para o pai, emocionalmente, sem os disfarces de ter que ser igual aos ideais de sua tribo para ser aceito. Ela teria que deixar o arame farpado de pelúcia, sua mãe, com Deus. É em vão chantagear o Uníssono com a culpa destruidora. Não se salva alguém se sacrificando em seu lugar, só aumenta a dor.

       Nunca se soube se enfrentaram o verdadeiro desafio ou se, como zumbis, continuaram a repetir seus códigos de proteção. O que se sabe é que Eros não perdoa, Apolo[ii] que o diga. Quem pisa na felicidade grande acaba dormindo com os caquinhos.





[i] As Fúrias ou Erínias são as deusas encarregadas de castigar os crimes dos mortais, fazem sua justiça fundadas no desejo da vingança sem contextualizar as ações que levaram a tal ato, sem um "justo" julgamento. Quando alguém carrega uma culpa imperdoável se pune com a sentença máxima, a morte, sem entender que esta aumenta o sofrimento do que aconteceu. Ou, como quero retratar neste texto, impõe este sacrífico a um/a dos/as filhos/as que assume a culpa e a punição em seu lugar.

[ii] Apolo fez chacota de Eros, dizendo-se melhor com o arco. O filho de Afrodite, em represália, lançou uma flecha de ouro despertando em seu inimigo uma paixão avassaladora pela ninfa Dafne. Ela, por outro lado, foi atingida pela flecha da rejeição, fugindo desesperadamente do Deus da Razão até se transformar em um loureiro.   É este mesmo deus, Apolo, que inspira a defesa de Atená para libertar Orestes da condenação das Fúrias, quando o "leva para o pai".           


627) Stellium em Áries nas 12 Casas Astrológicas

  Stellium em Áries nas 12 Casas Astrológicas - 2026 Mônica Clemente (Manika) Hoje - 17-04- 2026 -  compartilho com você um vídeo sobre o St...