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17 de abr. de 2022

442) As 3 Fases Arquetípicas da Semana Santa

  

As 3 Fases Arquetípicas da Semana Santa

Mônica Clemente (Manika) 

Quero compartilhar com você algumas pistas sobre as 3 fases arquetípicas da Semana Santa, caso queira aproveitar este período, inclusive lunar, para renascer.

Desde a Sexta-Feira Santa começaram os convites arquetípicos das mudanças que todos nós, em algum momento, faremos.

Este dia (Sexta Santa) muda todos os anos, porque antecede a Páscoa, o primeiro domingo depois da Lua Cheia, que favorecia as peregrinações na Terra e, simbolicamente, ilumina a finalização de um ciclo, antes da Lua nova e sua força para os renascimentos.

Na Paixão de Cristo, portanto, um velho mundo, ou um velho paradigma deve morrer. Não porque Jesus foi morto, mas porque ele mesmo encarnava o novo mundo que iria nascer. Se quiser ler mais sobre esta 1ª fase da Semana Santa e o convite que ela nos faz, clica aqui.

No Sábado de Aleluia, a Luz Divina fecunda a Terra, como todos aqueles que cumpriram seus dias de vida e voltaram à morada ancestral. Como Jesus voltando aos braços de sua amada mãe, símbolo da Terra.

O convite, aqui, é deixar o luto atuar para que se abra espaço para as novas energias fecundarem o novo “eu” ou o novo mundo. Se quiser saber mais sobre a 2ª fase da Semana Santa, clica aqui.

E, finalmente, chega a Páscoa, com seus ovinhos coloridos sendo trazidos por coelhinhos! Animais que simbolizam a fertilidade exuberante da vida, assim como os ovos representam os novos começos.

Estes símbolos ativam algumas indagações no inconsciente coletivo. E no inconsciente pessoal também, se uma pessoa se puser a responder:

Como é que você quer renascer? Como é que você vai aproveitar sua vitalidade e seu tempo de vida? Com “as velhas opiniões formadas sobre tudo” ou com novos alívios? 

Se quiser saber mais um pouco sobre a 3ª fase da Semana Santa, clica aqui!

 

Feliz Páscoa!

Mônica Clemente (Manika)


5 de ago. de 2021

334) O Pendurado e o Chamado às Raízes

 


 

Um dos arquétipos que eu mais gosto é o Pendurado, a carta 12 do Tarot de Marselha. “Le Pendu” aparece com um homem de cabeça para baixo, amarrado pelo pé, segurando algo em suas costas, de onde caem moedas. 


A corda que o amarra está suspensa em árvores podadas, que sangram. E mesmo assim, seu rosto é de beatitude.

 

Sabe quando a gente foi indulgente demais, ou luxurioso demais, ganancioso demais, irresponsável demais, se fez de vítima demais ou excessivo demais em alguma situação da vida? Como quem prefere segurar moedas que não servem para nada, do que soltar suas mãos para se libertar do que o aprisiona?

 

Sabe quando a gente machucou tanto a própria natureza, os nossos códigos de ética, como as árvores sangrando, a ponto do que nos Guia ter que mudar nossa visão de mundo nos virando de ponta cabeça?

 

Esta é a mensagem do Pendurado: você nasceu com uma missão única, que NUNCA vai afastá-la da sua felicidade ou de um verdadeiro amor, saúde, conforto…

 

Mas você resolveu esquecer do seu dharma, seja lá quais foram os motivos, para se entregar para os excessos e fugir da dor imposta pelos obstáculos. Quem disse que aceitar ou vencer os obstáculos não faziam parte da sua missão? 

 

Agora a bem-aventurança de uma nova percepção o convida a mudar a sua conduta. A começar com os apegos e valores que não se correspondem com a sua essência: largue as moedas!

 

Depois contemple a Terra, (humus - humildade), para lembrar de onde você vem. E, então, solte-se da situação que você mesmo criou e o amarrou. Siga em frente sem exigir nada, além da paz que ganhou.

 

Como disse o Hellinger:

 

“Algumas vezes, quando algo se expandiu excessivamente, afastando-se  demasiado de sua raiz, de modo que não pode ser mais nutrido, sustentado e mantido por ela, ouvimos o chamado “de volta às raízes”.

 

Comumente isto significa um chamado de volta à simplicidade, àquilo que oferece limites, à força original, à ideia original e também o chamado de volta aos antepassados e ao vínculo com a sua bênção e sua sabedoria."  Bert Hellinger

 

Mônica Clemente (Manika)

 

#Familienstellen #ConstelaçãoFamiliar #OrdensDoAmor #Arquétipos #Pendurado #LePendu #Tarot #Jung

 

27 de jun. de 2021

304) A Troca de Rainhas: o que os leva a buscar uma leitura do Mapa Astral

 


Nossa consciência se estrutura em volta de arquétipos. Por exemplo, uma pessoa é criada para ser esposa, ajudando o marido a ganhar e manter o seu poder.

Sua vida se estrutura em torno do Arquétipo da deusa Hera. Mesmo que ela pense que não é nada disso que ela queira. Até porque, tem negado estes valores para se firmar no trabalho e nunca ser infeliz como a sua mãe foi no casamento.

Nossa protagonista, então, se casa, trabalha muito, tem filhos e faz tudo para que ela seja o centro do seu companheiro e vice-versa.

Exatamente como o arquétipo que rege sua dimensão solar, ou seu consciente, mesmo que ela seja inconsciente desta boa consciência (fazer o que esperam dela para se sentir pertencendo).

Um dia, ela acorda deprimida porque nada mais faz sentido. Ou pode ser que a vida tirou algo dela. A Imagem arquetípica que a regia perdeu a força e ela precisa de outra para organizar a sua vida.

Esta nova imagem não é o casamento, nem o trabalho, como ela supunha, mas o autodesenvolvimento, a deusa Héstia.

Depois de 2 anos de terapia para sair do limbo, onde nada mais fazia sentido, ela decide não se separar do seu amor, mas criar uma realidade em torno de potencialidades que estavam na sombra e que agora organizarão a luz do seu consciente.

Na gente, acontece a mesma coisa, geralmente na meia idade. A tal de Metanoia. Nós temos uma imagem cheia de sentidos (arquétipos), escolhida ou imposta, em torno da qual estruturamos a nossa vida:

Trabalho, casamento, liberdade, riqueza, vingança, autoconhecimento, serviço humanitário, criatividade, fama, derrota, etc.

Em algum momento, o nosso Self, o Si mesmo, não precisa mais desta imagem para nos levar à Totalidade. Com a sua função ordenadora da Psique, ele busca outra imagem que nos ajude a desenvolver potencialidades que ficaram soterradas no nosso inconsciente, independente da gente gostar dos desafios ou não.

Estas trocas de Rainhas são um dos principais motivos que nos levam à buscar o mapa astral.

Porque o nosso psiquismo precisa de símbolos, imagens e arquétipos que liguem a Terra (reino) e o Céu (rainha), para apoiar a grande aventura do Si mesmo.

Mônica Clemente (Manika)

#Jung #Astrologia #Metanoia #Arquétipos #Self #SiMesmo #Astrofenomenologia

16 de mai. de 2020

143) Como Interpretar Seus Sonhos?




Ilustração: Dream Energy 

1.     Anote-o ao acordar:  começo, meio e fim; o que lembrar, sem interpretar.

2.     Selecione passagens, personagens e coisas que te marcaram. Onde estavam? Qual a relação com você? Não interpreta ainda. 

3.     O que sente em cada parte?

4.     Se é pessoa conhecida: o que representa para você? (Você quer, possivelmente, estas características ou não as reconhece em você.) 

5.     Se for animais: o que significa para você? Este significado geralmente é o talento não desenvolvido ou conteúdo inconsciente teu.

6.     Se for um Arquétipo complexo: use um dicionário de símbolos depois de descobrir o significado dele para você.

7.     Se for homem desconhecido e você é mulher, é uma versão do teu animus (sua contrapartida masculina inconsciente). Como ele é? Como vocês se relacionam? Este é um padrão teu de relação. Se te ele te ataca como policiais te perseguindo querendo matar, você falou ou pensou mal de você ontem. Se você é homem, é uma parte tua que precisa ser reconhecida.

8.      Se for mulher desconhecida e você é homem, é uma versão da sua anima (contrapartida feminina inconsciente), e o que falei acima serve aqui também. Se você é mulher, é uma parte sua para ser integrada.

9.     Se você é mulher e sonha com um menino: é um novo projeto. Se é menina: é você na infância. Como se relaciona com eles? Se você é homem e sonha com um menino: é você na infância. Se é uma menina, é um novo projeto. Se estão feridos, você está se traindo ou se negando?

10.Objetos, eventos naturais: qual o elemento? Ar, fogo, terra, ar, éter? Pesquise os órgãos relacionados. Partes do corpo atacadas por bicho sinaliza início de doenças ou dons.

11.Agora lembre de uma situação vivida no dia anterior ou que tem te preocupado. Qual a relação deles com os eventos e sentimentos do sonho? Junte as peças e comece a interpretar, sem se analisar!

12.Pesadelo é aviso: cuidado com isso que te fez acordar.

13.Ilusão e baixa-estima prejudicam a interpretação: sonhar com o namorado com outra, não é premonição, é insegurança. Sonhar que está transando com um/a conhecido/a: você quer virar amigo dele/a. Nada mais. 

14.Sonho premonitório não tem emoção, ele é.

15.A melhor interpretação é de um profissional. Mas estas dicas podem ajudar um pouco a entender alguns sonhos.

16.Indico um livro para começar: “O Caminho dos Sonhos” da Marie-Louise Von Franz. 


12 de mai. de 2020

140) Os Deuses Feridos



No Ocidente disseram para mulher encontrar a felicidade e servir ao homem no casamento, projetando nele um deus infalível. Para o homem disseram que o trabalho era mais importante, o casamento uma prisão e a mulher um objeto.

Na verdade, é o homem que serve à mulher e é feliz no casamento, embora como pai seja muitas vezes desconsiderado, mesmo doando-se totalmente aos filhos. A mulher trabalha demais, não só parindo e cuidando dos filhos e do lar, mas gerenciando os ânimos da família e seu sustento com um emprego e/ou liberando o homem dos trabalhos domésticos.

Isto é a Grande felicidade no casamento: ele dá e exige muito. Se o casal se separa, parece que todo este esforço foi em vão e não reconhecido. É uma dor imensa, como disse o Hellinger!

Como o deus interior atua em cada homem ferido pelo divórcio?

Um homem regido pelo arquétipo de Zeus, ferido pela separação, será vingativo, fazendo uma lista de mulheres que quebrará o coração. Sua cura é parar de pensar que é melhor para a mãe do que foi seu pai. Com esta conexão masculina ancestral amará as mulheres sem medo.

Eros negativo vai para casa da mãe/pai, como ele fez o casamento inteiro. Ao entender que o casamento forma uma nova família, se cura. Faz isso parando de salvar seus pais.

Poseidon ferido beberá todas e falará mal da ex para os filhos! É irascível! Se recuperar seu reino perdido, agradecendo o pai e a linha dos homens, retoma seu destino.

Aquiles, se não quebrar tudo, vai atacar a ex até fisicamente. Tem que parar de pensar que é um semideus: filhinho da mamãe; e buscar reputação a qualquer preço. Um guerreiro tem valor por evitar as guerras e não ganhar com elas. Precisa parar de levar as brigas dos seus pais para dentro do seu casamento!

Hades lutará pelo poder se achando uma mãe melhor! Sairá deste lugar quando reconciliar com a sua mãe, e parar de ser pai de suas mulheres crianças.

Urano, vai sumir e ter acessos violentos para fugir do suicídio. Se cura ao parar de se culpar, fazendo algo que compense o que houve.

Os homens foram substituídos por imagens divinas em quase toda mitologia, civilização e família. Quando descobrem que são de carne e osso, como seus pais, e nós mulheres os aceitamos e honramos assim, muitas feridas terão fim. 

___________

Sobre as deusas feridas, tem este texto aqui.

No instagram @constelandocomafonte






9 de mai. de 2020

138) A Mãe e as Deusas



FELIZ DIA DAS MÃES
10-05-2020


Se os arquétipos povoam o psiquismo, então cada criança percebe sua mãe com seus modelos interiores e pelas próprias ações dela.

A Mãe afinada com o arquétipo da Deméter é o paraíso: acolhe e ajuda a todos em seu coração generoso. Se cai em sua sombra, doa desmedidamente e fica rancorosa. Vive através dos filhos, para nunca ficar sozinha, e faz isso fingindo negar seu maior potencial: o amor. Crianças afinadas às deusas autônomas podem subestimar o que elas fazem.  Crianças de bem com a Deméter serão amorosas.

A Mãe Afrodite nos apresenta o mundo como um lugar vibrante, cheio de possibilidades. Na sombra, compete com as filhas e seduz seus filhos. Numa separação, os esquece por homens crianças. Filhos/as afinados com a Afrodite serão bem felizes!  Aqueles que esperam da mãe uma santa doadora, serão seus juízes mais ferozes.

A Mãe Artêmis é brincalhona, cheia de energia positiva. Muitas vezes assume as responsabilidades paternas, por abandono ou perda do cônjuge. Trabalha muito, dentro e fora de casa, estimula a vida saudável e luta por igualdade. Se cai na sombra, briga com os homens, ensina as filhas a não depender deles e os acha fracos. Filhos sintonizados com este arquétipo vão adorar a independência aprendida. Filhos com outras necessidades maternas sentirão solidão e medo.

A Mãe Athena é uma mentora. Podemos confiar nela para o que der e vier. Na sombra ela odiará ser “só” esposa, e fará os filhos acreditarem que atrapalharam a sua carreira. Um/a filho/a de bem com Athena se sente apoiado. Os mais desconfortáveis a acharão mandona e fria.

A Mãe Perséfone é carinhosa, profunda e compreensiva. Na sombra, tudo é culpa da mãe e do marido. Age como a irmã mais nova dos filhos e exige cuidados deles. O/a filho/a sintonizado com ela crescerá sábio, já os que não se afinam a acharão fraca.
A Mãe Hera é toda dos seus filhos, marido e trabalho. Na sombra, o reino do pai jamais encontra o reino dos filhos. Ela comanda e joga um contra o outro. Filhos sintonizados com Hera têm autoestima. Já os que a desafiaram terão problemas.

Afinados ou não com a nossa mãe, o arquétipo que a inspira não a torna uma deusa. Ela é a mãe certa e deu mais do que o suficiente para cada filho! Isso é um aforismo que realizamos já adultos, depois de fazer as pazes com a vida e tudo o que aconteceu.

Obrigada, mamãe! Te amo!




20 de jan. de 2018

65) Ruídos Ancestrais: a importância de conhecer a nossa história


A jornada pelos roteiros ocultos que atuam sobre nós está calçada em  dinâmicas familiares ancestrais. Vivi está experiência quando algumas moças ao lado da casa silenciosa, onde sou acolhida  quando estou em Porto Alegre, gritavam esganiçadas e, para a minha raiva, estavam sem alma como se faltasse alegria verdadeira naquela euforia festiva. Mas era eu quem estava surda para o que diziam. 


Encontro do Historias aqui no RJ em 2018



Sobressaltada e não querendo me estressar, fui ler a dimensão histórica do processo de análise no livro “Archetipal Dimensions ofthe Psiche” da Marie-Louise Von Franz. Em seu divã, a psicanalista junguiana testemunha que cada indivíduo carrega dentro de si nas camadas mais profundas da sua psique, “todo o passado histórico de seu povo e até da humanidade como um todo”.

No sonho de um paciente italiano, por exemplo, apareceu Hermes, ao invés do anjo da morte do cristianismo, anunciando uma doença que tiraria a sua vida. Quem entra no Uffizi em Firenze sabe muito bem quem são os Deuses da Itália. Em outro analisando coreano de Von Franz surgiram temas xamânicos pré-budistas. Nos próprios sonhos da analista ela tomava vinho com ancestrais medievais. Nos meus sonhos me visitam o mar e filhas indígenas. Tenho duas bisavós guarani e tupinambá, materna e paterna. E os Guaranis têm uma ligação simbólica bem forte com o mar - e eu nem sabia disso.

Em teus sonhos, quais os temas ancestrais te visitam até as suas raízes?



O sonho de um analisando mexicano revelou para Von Franz sua ligação com os Astecas e com ela uma mágoa de 4 séculos. Este encontro transgeracional lá nas camadas subterrâneas do seu psiquismo o liberou de uma desorientação neurótica atual. Ele não podia revelar suas origens graças ao racismo do meio em que vivia, assim como não podia acessar sua história graças à aniquilação da cultura de seu povo por Cortés com sua missão pseudocristã há séculos atrás. Ao reconhecer estes estratos profundos de sua história pessoal/coletiva, pode reconciliar com a força dos símbolos de seus antepassados e até dos símbolos cristãos que os incorporaram.

Nas Constelações Familiares com temas de guerras, a cura pode surgir quando se olham os mortos com amor, como nos mostrou o Hellinger, mas também quando se reconhece, por exemplo, no nome de um Santo ou guerreiro dado a um neto ou a uma bisneta a história pregressa. São como a senha oculta que se conecta com a cultura destroçada de um povo. Assim não só choramos e olhamos com amor a morte dos dois povos que guerreavam, reconciliando no coração nosso parentesco de sangue com tudo o que existe, mas também nos conectamos ao "fio da meada" perdido da nossa história, guardado naquele nome que passa de pai para o filho ou do mito de um povo para as futuras gerações.

Esta conexão com a nossa cultura e a nossa cultura ancestral funda a espinha dorsal da nossa identidade e de todo um povo, como diz P.R.Sarkar. E ele evidencia este aforismo ao mostrar como o mercado estrangeiro se impõe sobre outra cultura quebrando a espinha dorsal daquela gente, invisibilizando-a ou criminalizando quem se quer dominar.

Fazemos da mesma forma quando desconsideramos a família e valores do cônjuge com a intenção de submete-lo/a aos nossos valores, ou quando fazemos ou sofremos alienação parental, ou mesmo quando achamos que uma das nossas raízes não presta. Acontece também quando se ataca os centros de umbanda e candomblé, ou se rouba a terra e aniquila outros rituais e símbolos dos povos que se quer subjugar.


Karstadt. Personal Identity 2003-14. 
Self-portraits with sewn-in original documents, birth certificate, SIM cards


Desta forma, vagando sem identidade e com o nosso psiquismo sedento por achar uma plataforma cultural para se manifestar e continuar crescendo psiquicamente e espiritualmente – natureza de nossa mente, segundo o yoga -, somos conduzidos às compras nos santuários dos mercados, como se lá houvesse algum pontilhão para a nossa identidade se fundar e a nossa neurose sanar.

Consumimos então plastic food, bebemos como se Dionísio pudesse chegar e se rebelar contra as opressões, fazemos filas para a última geração do iphone e imitamos os semideuses do cinema e da televisão.  E isso é tudo o que os juros dos cartões de crédito, o lucro descabido dos bancos, os patos gigantes, os senhores da guerra precisam. Todos os vampiros que surgem em épocas de transições [i] precisam da nossa cabeça vazia, nocauteados, sem capacidade para fazer trocas simbólicas, dessimbolizados e sem raízes, para continuarem sugando a nossa energia, inclusive na forma de dinheiro.

Dinheiro muitas vezes conseguido numa profissão que odiamos e nos neurotiza mais ainda - hiato entre quem somos e o mundo, preenchido com um modo de vida sem sentido, mas que dizem e impõe como bom e o certo. E “ai” da gente se não tivermos carteira de trabalho, que agora querem tirar.

Chega, então, aquele momento diante daquela pilha de roupas novas, 10 diplomas e 5 crushes que nos perguntamos quem somos afinal? Para que tudo isso se não encontro um sentido de vida? Nesta hora alguns de nós buscam um caminho espiritual, outros, terapia e ainda outros alguns medicamentos, drogas ou mais consumismo ainda. Se estamos afinados com a nossa cultura, a terapia pode ajudar a escapar do vazio, se além disso estamos em ordem com nossos pais, o caminho espiritual é uma benção. Mas para muitos de nós falta ainda alguma coisa, sem a qual não há alívio: o contato reverente com a nossa história e cultura ancestral.

Como estas raízes são feitas de arquétipos, elementos primários da mente humana, a forma de acessá-las é conhecendo a história, os nossos mitos e contos afins, assim como ter acesso ao princípio feminino e masculino e suas várias facetas. E aí está outro desafio: várias facetas do princípio feminino foram banidas na nossa cultura. O princípio masculino se mantém, distorcido é verdade, mas o feminino tem sido banido.



Desde Lilith, aquela “safada” substituída por Eva bela, recatada e do Lar, que este princípio foi demonizado. O curioso é que Eva escuta a serpente, que é a Lilith demonizada no mito do paraíso, e tudo fall a part. Nossa cultura cristã é fundada numa queda por causa de duas mulheres e um homem facilmente seduzido. Eu consigo ver esta passagem mitológica no que aconteceu politicamente no Brasil em 2016.

Mitologicamente, então, o corpo de Cristo subiu aos céus, mas o corpo da mulher onde o lado instintivo da vida se apresenta em toda a sua pujança nos nascimentos, não! Religião e instinto não são polos opostos, mas aqui no Ocidente e em outras tradições viraram inimigos e, claro, a mulher, a serpente e a natureza, devem ser torturadas para revelar os seus segredos, segundo Bacon. Na ciência a polaridade cultura e natureza se estruturou sem reconciliação e o corpo e a mente não mais se encontram. Na revolução industrial os homens têm acesso aos meios de produção e então a um salário, mas a sua força de trabalho foi quebrada em vários eixos para o lucro do patrão. As mulheres e tudo o que faziam artesanalmente também é industrializado, então seus afazeres tão necessários não têm mais importância na nova ordem que surgia, e como o seu trabalho de cuidar da família não é visto como força remunerável no mundo capitalista, MAS SÃO, seus esforços ficam invisíveis diante de toda riqueza construída! 

Haja constelação empresarial onde a esposa e a mãe surgem como a solução que não era nem vista!

 Sem falar que a saída do campo para a cidade desenraizou homens e mulheres. Sem acesso aos mitos, desconhecendo a nossa história,  mergulhados em trocas de mercado sem trocas de sentidos, com o corpo e os saberes cindidos e com várias dimensões do feminino negadas, caminhamos para o abismo? Como é que se pode reconciliar com o que foi ruído?

Bem, os contos de fada estão cheios de Reis doentes que esperam que um dos filhos liberte uma princesa para fazer um novo reinado. A questão é que uma nova ordem surge e não mais a antiga, incorporando aqueles que um dia foram excluídos.

As mulheres aqui ao lado pararam de gritar dez minutos depois de me acordarem a meia-noite, mas as que estão em mim ainda não! Só consegui escutá-las graças as bacantes que eu, soberbamente, critiquei. São 7:44 da manhã. Preciso acordar!






[i] Quando a neurose é total e o psiquismo não tem respaldo na cultura.

627) Stellium em Áries nas 12 Casas Astrológicas

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