17 de fev. de 2020

117) Amor Pessoal é um Caminho de Bem-Aventurança





Existe três tipos de amor: Eros que vem das entranhas e com “intenções” psicológicas. Quer dizer, algo maior atua e quer se resolver por meio dos parceiros.  Há também o amor chamado Ágape, que é universal: “ama teu próximo como a ti mesmo”. E há o Amor pessoal, quando estamos em sintonia fina com o que nos guia, ficando aptos para reconhecer e desfrutar de Eros, Ágape e do Amor. Se Eros e Ágape são impessoais, a palavra em latim Amor se refere a algo pessoal, e, segundo os trovadores do século XII, começa pelos olhos até atingir o coração. Pelos olhos, especificamente, porque os casamentos eram arranjados sem que os noivos se vissem. (Campbell, 2001: 200-2002)

Não é à toa que o mito Eros e Psique vai  do aspecto coletivo do amor (Afrodite) para o aspecto pessoal (Psique), quando eles descobrem o Amor um pelo outro depois de se verem. O Ocidente do século XII, então, inaugurou com os trovadores e o amor cortesão a possibilidade deste Amor, que ao enxergar escolhe. Escolhe o que? Perseguir a sua bem-aventurança. Imagina então como o Amor entre duas pessoas naquela época desafiava a Igreja/Estado?


A analista junguiana Marie-Louise Von Franz disse, na década de 1970, que há apenas 50 anos estávamos começando a casar por motivos pessoais e não impessoais. Então casar com quem se ama é novo. E Hellinger completa mostrando que o casamento (com Amor) acontece na “má consciência”: significa romper com os mandatos do nosso clã para construção de algo novo. Isto estava lá, no romance de Tristão e Isolda. Eles não aceitam violar o coração em nome da sociedade.  

“Qualquer caminho que eu escolha, deve ser escolhido nesses termos; ninguém nem nada deve assustar-me e demover-me da escolha. Não importa o que aconteça, isso é a validação de minha vida e da minha ação.” (Campbell, 2001: 200).

Nem Eros nem Ágape distraem quem escolhe viver o Amor, embora possam desembocar nele. Quando o impacto espiritual do amor pessoal gera o casamento há o reconhecimento simbólico da nossa identidade, somos dois aspectos da mesma coisa. E é uma provação, segundo Campbell (2001): manter-se verdadeiro, quaisquer que sejam os sofrimentos. Ou seja, quem está disposto ao amor está disponível para dor. A dor do amor é a dor da vida. O casamento por Amor está em sintonia com a vida e o Amor Pessoal é um Caminho de Bem-Aventurança. Por isso, também, Castañeda em sua jornada descobriu que

“Um caminho é só um caminho, e não há desrespeito a si ou aos outros em abandoná-lo, se é isto que o coração nos diz...Examine cada caminho com muito cuidado e deliberação. Tente-o muitas vezes, tanto quanto julgar necessário. Só então pergunte a você mesmo, sozinho, uma coisa... Este caminho tem coração? Se tem, o caminho é bom, se não tem, ele não lhe serve. Um caminho é só um caminho. ”



10 de fev. de 2020

116) Anne With E e a Solução do Desespero





Como sair do #desespero? Com um laço de #confiança com alguém que não abuse da nossa #vulnerabilidade e não se deixe puxar para o abismo. O desespero avisa o quanto se está #sozinho, #alienado na #autossuficiência ou no #abandono real. Mas se a #conexão é selada ele desaparece. “Anne with E” é uma série canadense (Netflix) baseada no livro “Anne de Green Gables” da escritora Lucy Maud Montgomery.

Ela e sua personagem ficam #órfãs ainda bebês e sobrevivem (graças à grande imaginação) às dores da alma e falta de #apoio. A escritora teve uma vida difícil, mas sua obra é abundante em #empatia, #conexões que curam, feminismo “acidental” e outras dicas de apoios que retirariam qualquer um do desamparo.

Em alguns episódios me perguntava como alguém poderia ficar são diante daqueles massacres psicológicos sem ninguém para apoiar? Quem já sofreu #bullying, #rejeição, #invisibilidade, #exclusão, #dogmas, interpretaços (projetar muros emocionais disfarçados de camaradagem) e machismo - sem algum apoio - sabe bem disso. Todos nós, né? Aí vinha uma cena lágrimas no tobogã. Q alívio! “Alguém me entendeu!”

Ao ler sobre a escritora, imaginei que o que ela nos deu com sua Anne não chegava até ela.  Como conseguiu tocar tantos corações assim mesmo? Como conseguiu me apoiar 100 anos depois? Algumas pessoas têm o dom de estar no meio do maremoto enviando mensagens de conforto para milhares de almas além do tempo. E a Anne, parece, é aquela #criança maravilhosa, mas rejeitada, que está em todos nós. Por isso ficamos irritados com ela no início, até sermos conquistados para sempre. Ela pode ter sido abandonada, mas não se abandona jamais. Ela é um desejo que nem sabíamos que tínhamos. É como se dissesse: se há crianças órfãs dentro de você é preciso resgata-las dos porões e usar esta mesma generosidade com outras pessoas.
Vivenciei isso com amigas e com meu psicanalista: nunca largam a mão. Assim pude desenterrar várias “eus” e ser fiel a elas. Com vínculo de confiança encontra-se novos caminhos para amar. Não para salvar. Mas... Embora Anne dê soluções, é na vida real que as conexões de confiança devem acontecer.  Não precisa ser muitas, só precisa ser.

#AnneOfGreenGables 
#LucyMaudMontgomery
#EugenioDavidovich 

115) Dar e Receber no Verbo Amar

     


     “Amar vem do latim “amo”, que é uma contração de “a me o”: “saio de mim”. Amar é sair de si, doar-se ao próximo””  

     Eu entendo que Dar e receber é uma ordem oculta que mantém o amor fluindo, mas “sair de si” é aceitar a diferença, ao invés de sermos a régua do mundo. Maturana já dizia, amar é um sentimento que funda o social, porque “legitima o outro como legitimo outro na convivência.” Eu não tolero, eu legitimo, saio de mim. 

 #amar #maturana #ordenscultasdoamor

113) Sobre os mandatos da mãe e do pai no mito de Apolo e Dafne


      Sobre os mandatos da mãe e do pai no mito de Apolo e Dafne


      Apolo zombou de Eros! O Deus do amor entãoe lançou um flecha nele para se apaixonar por Dafne, que recebeu outra flechada para rejeitar o irmão gêmeo de Ártemis (Apolo). O deus correu atrás dela por todos os bosques, até que a ninfa não aguentando mais os cortejos, implorou para que seu pai (e em outras versões para sua mãe) a transformasse em um Loureiro. 

         Talvez este seja o mito preferido de alguém. O que revela? 

      Um roteiro oculto operando por baixo de todas as ações daquela pessoa. Ela quer encontrar um companheiro, mas está emaranhada com o pai ou a mãe. Se for possível constelar esta situação, talvez a gente descubra a dinâmica oculta ou o vinculo de destino, ou a desordem sistêmica que fomenta o script (roteiro) que a impede de se vincular a um companheiro e, quem sabe, achamos a solução. 

        Durante o seminário Histórias que Atuam: do conto de fada preferido à Constelação Familiar constela-se uma questão pessoal que é revelada no conto preferido na infância, até os 5 anos,  e o filme ou livro preferido dos últimos 2 anos. Às vezes demora mais de 6 horas pra gente se lembrar do conto da infância mais significativo pra gente, por isso já devemos ir pensando quais são. Estes seminários acontecem no Rio de Janeiro, Porto Alegre e São Paulo.

#históriasqueatuam #constelaçaofamiliar #scriptdevida #berthellinger #manika

7 de fev. de 2020

112) Resenha do livro - Autobriografia do Bert Hellinger


Hellinger, Bert. 
Bert Hellinger: Meu trabalho, Minha Vida. 
A autobiografia do criador da Constelação Familiar. 
Tradução Karina Jannini - São Paulo: Cultrix, 2020.

#autobiografia do #Hellinger, escrita por ele, com ajuda de Hanne-Lore Heilmann, Sophie Hellinger e Rudiger Rogoll, foi publicada no Brasil em janeiro de 2020.

Ela  fala do encontro do velho com a criança ao final da vida, quando deixa a casa pronta para o futuro. Começa com o #amor por #Sophie e a #mãe, o #pai#avós e a vida simples. Como nós, tem traumas na infância e mais! viveu os horrores da #guerra e da difamação. Como muitos sábios, não quebrou seu espírito. Não por ser superior, mas porque na contemplação viveu sua cura.

Fugiu da prisão de forma assustadora, com a #morte de companheira em cada esquina e página lida. Bert fala de #Deus, uma força plena e insondável, diferente de um Deus sovina q exige sacrifícios. Quantos filhos primogênitos foram sacrificados para salvar Canaã? O que isso tem a ver com sacrificar-se para salvar o mundo ou a família? Na guerra quantos jovens morrem pelo país? Como estes sacrifícios ainda atuam em nós?

Hellinger filosofa sem condenar os atos e seus efeitos, mas ultrapassando-os. Ele ensina como seguir em frente com confiança e sem julgamentos. Depois do sacerdócio, fala de suas formações terapêuticas desde a dinâmica de grupo até a criação da #ConstelaçãoFamiliarOriginal Hellinger, e mostra como passou a vida inteira em profunda meditação, sem ficar ausente, sem pedestal.

Chega em outro amor que não exige sacrifícios e renúncias para se reconciliar com Deus ou com as pessoas. Fala de nossa igualdade diante de algo maior, que dissolve bem e mal no que Une. Um amor por todos e por si mesmo. Conta dos efeitos do Sim, do Não, da fidelidade como bem precioso e fronteira que deve ser ultrapassada quando nos limita. “A verdadeira fidelidade é fiel à realidade como um todo” (Hellinger, 2020:94). Está em sintonia com algo maior.

E então Bert chega à mulher, ao homem, ao sexo: consumação do amor na carne. Ao corpo e espírito em igualdade. 

À #psicanálise,  #gritoprimal,  #script,  #PNL#hipnoterapia#terapiafamiliar e novamente à guerra, à voracidade do abismo dentro de nós. O fascínio pelo abismo dá força para o que? Saber dele protege? #Osho#Lennon#Jung e os #hippies aparecem. Finalmente disserta sobre a ajuda para vida, a Constelação Familiar e seus #princípiosdevida#consciências e outras dimensões abertas com Sophie e o #CosmicPower. Vale cada parágrafo!




111) O que faz as crianças felizes segundo Bert Hellinher

Foto Rarindra Prakarsa @rarindra_prakarsa


O que faz as crianças felizes?


Texto de Bert Hellinger 




“O que torna felizes as crianças?

As crianças ficam felizes quando seus pais – ambos os pais – estão felizes com elas. E quando é que ambos os pais ficam felizes com a criança? -É quando cada um respeita e ama na criança o seu parceiro (a sua parceira) e se alegra com ele (com ela). Falamos muito de amor. Mas quando é que o amor se mostra em sua forma mais bela? – É quando eu me alegro com a outra pessoa, exatamente como ela é. E quando nos alegramos com nossa criança, exatamente como ela é.

O poder que os pais percebem ter sobre os filhos – e, sobretudo, as mães o sentem de uma forma particularmente profunda, na medida em que vivem tanto tempo em simbiose com eles – deve ser vivenciado como uma missão. Não como um poder pessoal, mas como um poder temporário, a serviço da criança.

Algum tempo atrás, num dos meus cursos, compareceu uma mulher, trazendo no colo uma criança de cinco meses. Estava sentada ao meu lado, e eu lhe disse: “Olhe através da criança, para algo que está longe, atrás dela”. Ela olhou para longe, através da criança. De repente a criança respirou profundamente e riu para mim. Ela ficou feliz. – Assim, nessa relação que ultrapassa a criança, ambos ficam mais livres: os pais e a criança. Ambos podem se ajustar melhor a sua própria destinação, alegrar-se com ela, e assim deixam livre o outro, na medida em que isso é necessário. O que é esse algo distante, para onde a mulher dirigiu o olhar? - É o destino de cada um, o seu próprio destino e o da criança. E, até mesmo, algo além do destino. É algo que permanece oculto de nós. Em sua presença permanecemos humildes; não obstante, sabemos que isso nos conduz e sustenta de um modo particular. "

” #BertHellinger #mãe #pai #crianças #criançasfelizes 

110) A Jornada do Herói no Tarot




Em qual estação da aventura do Tarot você está? O que ela quer de você?

#OLouco, arcano sem número: se tirar tudo resta o todo. Aqui o herói não sabe nada ou já transcendeu. Seu defeito, a leviandade. Sua força, recomeçar com alegria. Temos espaço para crescer ou sabemos tudo?

#Mago e #Sacerdotisa: Tem iniciativa ou mania de poder? Se inspira ou é escapista? 

#Rainha e #Imperador: ela cria, ele é estrategista. Usamos a energia vital ou a desperdiçamos?Criamos ordem ou petrificamos?

#OSacerdote: Pedimos ajuda profissional se precisamos ou isso é coisa de maluco?

 #Amantes: es-colher os frutos dos esforços, ou ficar na indecisão juvenil?

 #Carro: Seguimos em frente ou atropelamos? 

#Justiça: viver em sociedade tem regras que fortalecem e/ou castram. Rebeldia responde ao tirano, perfeccionismo também. 

#Eremita: cada um tem seu caminho. O autossuficiente fica sozinho. 

#Força: os instintos são aliados não inimigos. O bruto não se sente vivo. Como trata o corpo, sono e prazeres? 

#RodadaFortuna: no centro ou na gangorra da vida?

#Enforcado: insistir no erro, por presunção ou ignorância, leva à dor. A cabeça é posta para baixo: mudou a perspectiva? Os galhos sangram: reconhece os frutos dos atos? Tem as mãos soltas que seguram moedas: há ganhos da dor? Se não se soltar,

 #Morte: morra antes de morrer. Hora do psicanalista. 

#Temperança: tem tempo e libido para sanar ou acha que é rápido? 

#ODiabo: integrar a sombra ou viver nela. 

#ATorre: O raio cósmico faz a alma tremer. Perde-se o que é falso. Se não escolheu mudar, transforma aqui. Gratidão ou rancor. 

#Estrela: a luz no fim do túnel ou preso no passado. 

#ALua: saída das ilusões. O nocivo vai reaparecer. Para muda-lo nunca mais repetir o padrão ou erro. Ulisses se amarrou no mastro para não cair no canto das sereias. 

#OSol: chegamos aqui sem dor se decidimos aprender com os erros. E com dor se insistimos neles. Plenitude e humildade ou autoanálise exaustiva e infrutífera. 

#Julgamento: libertação do karma. O charlatão tropeça até ser sincero. 

#OMundo: voltamos para o “mesmo lugar” para vencer o que parecia impossível. Somos nossa largura infinita, sem nos arrogarmos com isso ou recomeçamos até aprender. 

#tarot #Jung #Jornada

109) O que conta s formas e os cabelos?

( Princesa Safira de Tezuca Ozamu contava a saga de uma menina que precisava 
se vestir de homem para recuperar seu trono - seu lugar.)

O cabelo fala mais do que a boca, conta histórias, cria molduras psíquicas e é antenado com o inconsciente coletivo. Lá há um reservatório de informações que o cabelo traduz em formas, cores e atitudes. Mesmo não sabendo, recebemos e passamos mensagens com ele: cachos, ondas e volume invocam Afrodite. 

Quem a domina? Ninguém. Qual sua mensagem? Quando usar este ou outros cabelos? Quando não usar? O topete cai bem quando queremos ser escutadas e levadas a sério. Diz: “eu tenho poder e sapiência”. Corte em diagonal e desalinhado traz leveza, interesse e carisma. Ártemis, a livre, galopa nele. As ninfas também. Cabelos lisos andam em linha reta: seguir as regras, ter planejamento, visão a longo prazo. Muito longos, como Rapunzel, insinua pessoa submissa à mãe ou à religião. Curiosamente é um afrodisíaco para alguns homens ou mulheres, afinal leem inconscientemente que poderá ter uma pessoa submissa que ainda lhe trará uma sogra ou religião dominadora, que poderá defende-lo. 

Perséfone teve sua fase submissa até virar a deusa de Hades, hein?! Cabelos curtos cortam o cordão umbilical. Vibram a Solitude das deusas virginais: “Sou plena e amo o mundo interior”. Mas também pode dizer que por hora é mais seguro ficar na esfera do pai. Franja reta: “sou estável, insondável e comando.” Athena, a poderosa com seu Elmo e inteligência estratégica surge nela. A criança boazinha também, que no final amadurece precocemente e segue um destino sem muita liberdade, apesar de comandar causas e/ou famílias. 

Franjas em diagonal: ninguém saberá o que penso. Sou sentimento e só observo. A franja ao lado do olho dominante deixa a gente vulnerável. Inclinada ao olho sociável, protege. Há muito mais comunicações inconscientes do que essas. Não à toa mudamos o cabelo quando acaba uma fase da vida. Queremos nova perspectiva. E não à toa podemos ser criticadas se nosso cabelo revela poder, liberdade, sensualidade e autonomia. Usar o cabelo da maneira que queremos e em qualquer parte do nosso corpo é uma digital de corpo inteiro. 

#Jung #visagismo #PhilipHallawell

108) Histórias que Atuam - a identificação com o conto da Sereia


Todo mundo sabe que nasce uma sereia quando uma duas pernas olha o horizonte tocando o mar e, em câmera lenta, chora por um amor não correspondido. O que ninguém sabe é que uma sereia sentada no rochedo, já sem a sua cauda, não tem mais um lugar para voltar. No mundo dos humanos ela foi rejeitada pelo único elo com aquele povo, o marinheiro que ela salvou do naufrágio.
No mar, o albatroz não a reconhece sem o furta-cor do seu antigo rabo de peixe. Suas súplicas para a onda grande esmaga-la são em vão. Não se mata uma ilusão senão com a brutalidade da sua verdade.

A história da sereia não é um conto de amor. É um conto de relacionamentos abusivos, no qual uma mulher perde todas as referências que a enraizariam na vida. Se foi estuprada e culpabilizada por quem deveria defendê-la, para onde ela volta? Para antes do estupro ou para falta de um porto seguro?

Se amou e se relacionou com alguém violento, o que ela acha que é amor? Será mesmo que era tesão as transas depois das brigas, ou era medo? Medo de não ter mais para onde ir dentro de si?

Uma sereia e seu rabo de peixe contam duas histórias, uma humana e outra escondida. A feiticeira pediu sua voz em troca das pernas. “Não conte nada a ninguém, vai destruir o casamento da sua irmã.” “Tem certeza ou tá delirando?”. “O que você fez para atrair isso?”. “É melhor não contar nada para ninguém, senão eu te mato”... A história da sereia tem outro fim se ela tem voz, tem irmãs e irmãos e tem para onde ir. 

O Conto também pode nos remeter ao amor da filha pelo pai, como um amor impossível entre mulher e um homem. A filha aceita as projeções dele, já que a mãe não o corresponde. Ela precisa parar de querer compensar os vazios do pai em relação à mãe (dele) e à esposa dele. Uma boa frase é - "mamãe você é um pouquinho melhor do que para o papai."


#HistóriasQueAtuam #Sereia #RelacionamentosAbusivos #VisãoFenomelogicaDosContosDeFada

29 de jan. de 2020

107) Como transformar padrões de destruição de relações?



          Todo padrão tem ventosas, escrevendo o destino com nosso sangue. O animus, segundo Jung, é a contrapartida masculina no psiquismo da mulher moldado pelos mandatos da mãe, vivências e conceitos sobre os homens das avós e ancestrais. Ele também é talhado na relação com o pai, os avôs, a cultura masculina do seu clã e uma pitada oceânica de nós mesmas atacando ou aceitando os homens. Ele é necessário e nos leva além, mas pode ser negativo impedindo toda relação. 

          Sistemicamente, vemos relações difíceis com os homens na filha que rejeita o pai ou no oposto, a filhinha do papai que rejeita tudo que vem da mãe (Basta atender às expectativas do pai como se ele fosse nosso homem. E negarmos a mãe como mulher e mãe). O Animus negativo (AN) não solta até pararmos de nos debater tentando mudar fora, no homem, o que o feminino tem q fazer. Podemos ser submissas, mas ele é cruel, sádico, prepotente, castrador e possessivo nos fazendo pensar: “Quero um homem espiritualizado como eu”. Este é o melhor disfarce do AN! Desistimos de um homem pela imagem de um santo. Tem tb: “Se ele não responder o zap - 2 segundos - eu acabo com ele!”, ou “quando amo faço assim, porque ele não faz igual a mim?!”, ou “Ele vai te achar uma p... se você pintar as unhas de vermelho e se vc falar p...” 

          Se um homem ou mulher achar isso, sai pela esquerda, mas se vc pensar o que ele vai pensar, o inimigo tá dentro. “Vou dar uma lição de constelação familiar pra ele!” O Animus negativo adora ser psicóloga dos namorados. “Todos os homens não prestam”. “Ele só quer me comer!” Enfim, uma infinidade de vozes que parecem ser nossas, mas é do Animus negativo querendo todo nosso psiquismo. E serve para não casarmos e cuidar da mãe ou pai. Para vencermos no trabalho rejeitando todas as outras necessidades femininas. Para continuarmos culpando os pais pelos desafios impostos sob medida para melhorarmos, mas que não queremos encarar. Como tratar? Nunca atacar diretamente o animus na gente ou no homem. Isso nos mantém reféns. E mais paciência para realizar os dois antídotos: “meu pai é o certo pra mim” e “eu tomo a vida da fila das ancestrais”.

106) Brumas de Avalon e os Mandatos de não Casar

           


        O mandato “não se case e não tenha filhos” está encenado em “Brumas de Avalon” de Marion Zimmer Bradley. Aqui duas mulheres seguem sem saber o que outros escolheram para elas. Morgana, afinada com o arquétipo da sábia, é conhecedora do mistérios. Guinevere, afinada com o arquétipo da amante, se casa bem, com o maravilhoso Rei Arthur, embora seu coração fosse do fiel cavaleiro do Rei, Lancelot, que a correspondia fervorosamente.

            Esta imposição tentava manter em paz a religião da deusa representada por Arthur, com o novo deus cristão representado pela Guinevere, numa transição de era imune às manipulações humanas. Morgana tb foi obrigada a servir aos interesses da deusa, sem poder ter um parceiro, embora tivesse um filho com quem não escolheu. Seus destinos vistos pela noção de consciência pessoal e coletiva observadas por Hellinger na Constelação Familiar, mostra Morgana com acesso à sexualidade e intelecto, mas sem ter uma vida pessoal, só o do seu clã, especificamente um mandato que diz: “você pode transar e trabalhar, mas não case! Sua dedicação será pra mim, sua mãe.” 

           Assim entra numa guerra em defesa de algo maior que sua força, como descobriu ao final se reconciliando com seu destino. E vai morar com as freiras sem ter um relacionamento. Guinevere teve outro mandato: “case com alguém que cuide dos interesses da família. Os teus não importam”. Ela não sabia quem era, como as filhas devoradas pela mãe. Nos dois casos, o feminino não venceu os roteiros ocultos. 

          O que as libertaria seria perder os preconceitos contra ter um homem como amor e parceiro e ter filhos com ele, sem achar que isso rouba algo delas. Estes mandatos minam o feminino que se individua para além dos desejos insatisfeitos da mãe. Eles têm poder em toda mulher que critica o casamento ou a mãe por aturar aquele marido ou a mulher que escolhe ficar em casa cuidando dos filhos. Ou que não reconhece, honra e agradece o trabalho que a “dona de casa” mamãe faz até hoje. Também àquelas que não querem ser iguais às mães. A solução? Deixar a mãe ser a mulher que ela é, sem sentir culpa, pena ou criticas, e ir cuidar do seu feminino. Assim as brumas do passado se dissiparão do futuro.

117) Amor Pessoal é um Caminho de Bem-Aventurança

Existe três tipos de amor: Eros que vem das entranhas e com “intenções” psicológicas. Quer dizer, algo maior atua e quer se reso...