5 de ago. de 2021

334) O Pendurado e o Chamado às Raízes

 


 

Um dos arquétipos que eu mais gosto é o Pendurado, a carta 12 do Tarot de Marselha. “Le Pendu” aparece com um homem de cabeça para baixo, amarrado pelo pé, segurando algo em suas costas, de onde caem moedas. 


A corda que o amarra está suspensa em árvores podadas, que sangram. E mesmo assim, seu rosto é de beatitude.

 

Sabe quando a gente foi indulgente demais, ou luxurioso demais, ganancioso demais, irresponsável demais, se fez de vítima demais ou excessivo demais em alguma situação da vida? Como quem prefere segurar moedas que não servem para nada, do que soltar suas mãos para se libertar do que o aprisiona?

 

Sabe quando a gente machucou tanto a própria natureza, os nossos códigos de ética, como as árvores sangrando, a ponto do que nos Guia ter que mudar nossa visão de mundo nos virando de ponta cabeça?

 

Esta é a mensagem do Pendurado: você nasceu com uma missão única, que NUNCA vai afastá-la da sua felicidade ou de um verdadeiro amor, saúde, conforto…

 

Mas você resolveu esquecer do seu dharma, seja lá quais foram os motivos, para se entregar para os excessos e fugir da dor imposta pelos obstáculos. Quem disse que aceitar ou vencer os obstáculos não faziam parte da sua missão? 

 

Agora a bem-aventurança de uma nova percepção o convida a mudar a sua conduta. A começar com os apegos e valores que não se correspondem com a sua essência: largue as moedas!

 

Depois contemple a Terra, (humus - humildade), para lembrar de onde você vem. E, então, solte-se da situação que você mesmo criou e o amarrou. Siga em frente sem exigir nada, além da paz que ganhou.

 

Como disse o Hellinger:

 

“Algumas vezes, quando algo se expandiu excessivamente, afastando-se  demasiado de sua raiz, de modo que não pode ser mais nutrido, sustentado e mantido por ela, ouvimos o chamado “de volta às raízes”.

 

Comumente isto significa um chamado de volta à simplicidade, àquilo que oferece limites, à força original, à ideia original e também o chamado de volta aos antepassados e ao vínculo com a sua bênção e sua sabedoria."  Bert Hellinger

 

Mônica Clemente (Manika)

 

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4 de ago. de 2021

333) Razão e a Sereia

 

Foto de Peter Russell - “A lone breaking wave against the backdrop of Chapmans peak"

Razão e a Sereia 

A bela Rio de Janeiro é feita de lutas, montanhas e ondas pequeninas. Foi neste cenário da água desafiando a dureza que tudo aconteceu.  

Um Juiz, muito gentil, me ofereceu carona da UFF, em Niterói, até o Centro do Rio de Janeiro.  Durante o percurso, ele me contou sobre a sua profissão e o quanto era respeitado. Eu realmente adoro a vitalidade de quem gosta do que faz. Aí ele me perguntou: e você faz o que? 

Eu podia dizer, sou pesquisadora Faperj, ou terapeuta, atriz, profe de yoga, mas resolvi desafiá-lo: 

- Sou astróloga. 

Nós estávamos no meio da ponte Rio Niterói. Uma lagarta de concreto fincada no reino dos peixes. Ele se virou pra mim, quase quebrando o pescoço, e esbravejou: 

- Isso é charlatanismo! Você não tem vergonha de enganar os outros? 

Assim mesmo, sem me conhecer. E eu podia responder com a mesma ignorância e preconceito: “mas você é advogado!” 

Só que eu adoro o direito e qualquer profissão pode ser usada para servir à vida ou enganar os outros. 

Achei que eu ia ser atirada da ponte. Mas não! Ele preferiu ir me humilhando até o centro, enquanto eu observava o que realmente acontecia lá.  Foi então que vi o medo das coisas secretas, da alma, do mundo líquido das sereias. 

Quando chegamos, ele estava destroçado, tremendo diante do feminino oculto nele mesmo.  

Era daqueles que arrota “ciência” sem ter a objetividade que defende para ver a inveja que tem das mulheres. 

Eu agradeci a carona e sem ele saber, agradecia o exercício de não deixar ele projetar a sua sombra em mim. De não deixar meu ego absorver as ofensas.  De não me defender falando que eu era doutora em ciências e ele não, porque nunca foi sobre isso. 

Será que alguma mulher poderia existir diante dele?  Quer dizer: será que ele poderia existir diante de uma mulher, dos seus próprios sentimentos e do seu feminino oculto (a sua anima)? 

Eu sei é  que à noite eu tinha um piquenique na praia, com amigos que amam as estrelas, no Arpoador, um pequeno rochedo banhado pelo mar. 

Mônica Clemente (Manika)  

Foto de Peter Russell - “A lone breaking wave against the backdrop of Chapmans peak"

 

#Astrologia #Ciências #Pseudociência #Inveja #Feminino #Mistério #Mulher #Medo #Sentimentos #Objetividade

 

2 de ago. de 2021

332) O Misterioso Dom da Intimidade

 


O Misterioso Dom da Intimidade

 

A tempestade ofereceu um desafio para BatGirl:  fazer seus cabelos ficarem revoltos contra tudo o que a impedia de ser quem é.

 

Com a máscara isso seria impossível, mas desvendar o seu  rosto era um risco. Ela, então, abriu a capa, que rodopiava na ventania. E abriu os braços e até um sorriso. 

 

Quando o tufão foi embora, sua vida voltou ao normal com seu eu verdadeiro protegido. O redemoinho, no entanto, ficou em sua mente.

 

“Por que os heróis precisam ficar anônimos? Por segurança, para evitar o ego ou é pelo suspense?”

 

Não era só isso... era para criar uma distância segura contra a dor, como aquelas crianças que só recebem um nome depois de sobreviverem à infância. 

 

Como animais criados para o abate. Como qualquer ente que evitamos um vínculo. Como cobrir alguém com um manto invisível retirando dele sua humanidade.

 

Disseram para ela que o antídoto para o seu medo era um bom vinho. E era verdade, se o ritual fosse em boa companhia.

 

Há, porém, um outro antídoto que mora no segredo, mas ao contrário dele, nos revela. Ele é o misterioso dom da intimidade, que por ser feito de mistério só pode ser visto naquele com quem se vive um momento. 

 

Quem entra em sintonia com o Insondável vê rostos, identidade e valor em toda a existência. Já não é mais um perigo para os outros nem para si mesma. Não há necessidade de heróis e seu amor não é líquido, mas pertencimento.

 

BatGirl agora enxerga todas máscaras, dançando com elas no teatro da vida. Graças ao raro efeito do vento, ela aprendeu que uma persona é uma possibilidade viável de relacionamento com o ser interior.

 

Quando se trata de outra pessoa, no entanto, ela não se distancia mais com os disfarces, que invejam a capacidade humana de amar. Ela olha nos olhos do outro e eles viram o acontecimento.

 

Mônica Clemente (Manika)

 

#intimidade #persona #máscaras #espiritualidade #yoga #relacionamentos #acontecimento #sentimentos #serquemé

 

331) Anatomia Sutil do Yoga

 


Anatomia Sutil do Yoga 

Para o yoga, o corpo é uma nave de acesso à estados de consciência em camadas e pontos de energia da mente.  

Em uma destas camadas há córregos de energia vital (prana), chamados nadi. Os Nadis circulam o prana no corpo, sendo que alguns dizem que há mais de 100.000 e outros 72.000 nadis. Conhecemos os 3 principais:

 

1.    O Nadi Pingala ou direito, solar e ativo, que passa pelos centros de energia do corpo (chakras).  

2.    O Nadi Ida é esquerdo, passivo, Lunar e também passa pelos chakras cruzando com o Pingala. Eles são como 2 serpentes em zigue-zague. 

3.    O Nadi Sushumna é central, dentro da coluna vertebral, por onde a energia que leva o despertar espiritual sobe até à realização total. 

Conhecemos os 3 nadis pela metade, no símbolo da medicina. Uma espada (Sushumna) e uma Serpente ondulada (Pingala). A Ida foi descartada. Na Psicanálise o símbolo está com a Ida, a outra Serpente. E uma asa (liberação) no topo. 

O pranayama ou respiração yogue estimula o fluxo de prana dos nadis. Mas, fazer o pranayama estando com pensamentos difíceis ou bloqueios no corpo os sobrecarrega. 

Por isso que fazemos as posturas confortáveis do yoga (ásanas) e a meditação: para mudarmos nosso estado mental antes de tocarmos nos estados consciência com a respiração yogue. 

Portanto, os ásanas, meditação e #pranayamas servem para despertar a Kundalini, a energia adormecida na base da coluna, que sobe pelos Nadis e passa pelos 7 chakras, até o todo da cabeça, gerando vários #samadhi (êxtases ou estados de consciência), a cada chakra. 

Nos Chakras ainda existem as propensões mentais (vrtts), que têm relação com as glândulas e seus hormônios. Se uma propensão mental está em desequilíbrio, gerando alguns comportamentos, os #ásanas a reequilibram e a Kundalini pode fluir melhor. 

Há muito mais na Anatomia sutil do Yoga que faz a gente perceber que  "Procurar a consciência no cérebro é como abrir o rádio em busca do comentarista" Nassim Haramein 

E podemos aprender mais sobre isso no curso de Biopsicologia no @institutovisaofuturo com a Dra. Susan Andrews. 

Mônica Clemente (Manika) 

 

30 de jul. de 2021

330) A Relação que se busca tem a ver com quem somos desde o fim até o começo

 

Ilustração da Sabrina Gevaerd

A relação de amor que a gente busca tem a ver com quem somos desde o fim até o começo. Queremos um parceiro/a continente. Aquele/a que dê conta de nossa inteireza como outro adulto tão imenso quanto a gente. 

O que vemos, no entanto? Que aquilo que nos “deformou” quando éramos muito bebês até os 7 anos, será repetido como encanto nas relações de casal, até recuperarmos quem somos/seremos.  

Se nos pegavam no colo quando chorávamos, possivelmente expressaremos quem somos ao parceiro/a. Mas se toda vez que uma dada emoção era bloqueada, porque o pai ou a mãe não a aguentava, o que vamos procurar? Alguém que não nos aguente. 

Se a criança ficou mais de 3 dias afastada fisicamente da mãe quando era bebê, seus instintos interrompem o movimento até ela, como mecanismo de sobrevivência. O que procuramos na relação de amor, então? Uma parceira/o indisponível para não tocarmos no trauma primeiro.  

Se o pai era o único saudável emocionalmente, mas distante, o que buscamos? Amores impossíveis ou platônicos. Não se namora o pai, mas continuamos buscando-o em cada homem.   

Até nos permitirmos ser aquilo que somos, buscaremos quem nos mantem onde estamos.  

Não adianta mandar carta para os pais dizendo tudo o que “erraram”. Desabafo é jogar lixo na porta dos outros, sem fazer nossas feridas virarem ouro.  

Adianta perdoar? Por eles terem dado a nossa vida, fazerem o melhor que podiam e nos criarem como humanos e não como geleia?  

Não! Mas entrar em terapia ajuda, porque um bom terapeuta sabe usar a ferida dele para a nossa ferida dizer a que veio. Destas fendas resgatamos todas as partes soterradas, com um brilho diferente.  

Se não fossem estes rasgos na alma seríamos normóticos, afinal a Totalidade circula do fruto doce para o fruto amargo para o fruto doce...até o êxtase.  

Nesta árvore espiralada há outros pássaros querendo namorar. Possivelmente capazes de dar conta do que agora podemos suportar.  

O mapa da nossa estrada circular, cheia de ouro (o ouroboros), aparece na primeira infância, a cada beijo, a cada serviço à vida e a cada espanto.  

Como disse Jung, “Tudo vem de muito longe e tudo aponta para o futuro, de coisa alguma podendo afirmar-se com segurança se é somente o fim ou se já é princípio.”

 

Mônica Clemente (Manika)

 

Ilustração da Sabrina Gevaerd

 

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329) A Visita da Velha Senhora

 




A visita da velha senhora 

Quem já conversou com a sua depressão sabe que ela estava lá, aguardando há muito tempo para falar.

Sabe que ela fugiu dos porões de Hades (inconsciente), onde estavam soterradas as muitas versões da pessoa que foi visitar, carregando uma carta de pedidos que já não podiam mais esperar. A Tristeza pedia para poder chorar a falta do pai, que a mãe não deixou amar. A falta da mãe que o pai renegou.

Ela dizia: eu tenho duas asas. De um lado é o meu pai e do outro é a minha mãe. Como é que eu posso voar para o meu destino se preciso atrofiar a que você expulsou do seu coração?

E a garganta ainda completava: como é que eu posso me expressar sem reconhecer o amor que me fez nascer de vocês? Eu amo você, mamãe! Eu amo você, papai!

Como é que eu posso espalhar meu dom sobre a Terra se eu contei a verdade e ninguém acreditou? No momento em que a verdade e o amor se mostraram, a velha senhora foi possuída pela Raiva.

A furiosa carregava o medo de machucar alguém, como se fossem mãe e filho famintos, fugindo da seca num quadro puído.

Quem já perguntou para uma pessoa enraivecida se ela estava assustada, apavorada de ter escutado desde pequena que não valia nada, que tinha que odiar quem amava?

Quem?

Quem de vocês perguntou para a sua raiva se ela tem medo? Para o seu medo, se ele tem raiva? E por mais que a conversa continuasse por meses, os presos já não queriam mais sair dos porões de Hades.

Ao menos lá, eles já se conheciam, se faziam companhia, ao contrário de ter que lidar com alguém que não os queria ver.

Só depois de todos os eus soterrados terem um lugar para fora da repressão é que a velha senhora pode ir embora, certa de que cumpriu a sua missão.

Mônica Clemente (Manika)



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Na novela do Stephen King “The Shawshank Redemption” que virou o premiado filme “Um Sonho de Liberdade”, acompanhamos a redenção destes eus soterrados.



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328) Quíron e a Constelação Familiar com Cavalos

 

Eu, Manika, em 2019, no rancho Eqqus, do Paulo Neumman,
 pioneiro na Constelação Familiar com Cavalos

Quirón era um centauro imortal. Meio humano, cheio de dons e inteligente. E meio cavalo, selvagem e reverente à natureza.  Ele treinou muitos heróis, como Jasão, Aquiles, Esculápio o médico, e Apolo, aprendiz das artes, medicina, ciência divinatória e outras maestrias.

 

Apolo era irmão gêmeo de Ártemis, a mulher guerreira, amante das competições de arco e flecha em corridas de cavalos. E foi com uma flecha envenenada de Hércules que Quirón foi ferido mortalmente, fazendo-o sofrer para sempre. 

 

Hércules não tinha a intenção de ferir o sábio, mas como todas as vicissitudes da vida, tornou o centauro o símbolo da ferida incurável que carregamos dentro da gente, por onde a Alma vem nos dizer:

 

A vida não é justa. É um presente.

 

Por isso, ele deu a sua imortalidade para Prometeu se libertar da águia que comia seu fígado noite e dia.   E, assim, a sabedoria dos deuses roubada por Prometeu ficou com os humanos, enquanto o mestre centauro  foi enterrado bem na nossa frente, para que seus ensinamentos vibrassem na natureza. 

 

Metade sábio e metade experiência, sua imagem ainda é vista no Céu na Constelação de Sagitário.  Ou no indígena à cavalo dando as boas vindas ao dia: “Grande Espírito, você é meu guia!”. 

 

É visto no jóquei, com seu puro sangue, com a criança em seu cavalo terapeuta na equoterapia e na montaria do policial em plena batalha, como Aquiles fazia.

 

Quirón agora é visto nos movimentos da Alma nas Constelações Familiares com cavalos, criada pioneiramente pelo Paulo Neumann, em Curitiba (a foto acima sou eu no Rancho dele, em 2019).

E não é isso que o mito de Quiron, o curador ferido, mostrou há milênios e que os povos indígenas já sabiam?

 

Como disse Ailton Krenak: Juntos com as outras presenças existentes na Terra,  e não tentando dominá-las, nós servimos à vida. Ou seremos obsoletos para ela.

 

Para mim, Quíron é um dos símbolos  da mudança de cosmovisão que estamos vivendo. 

 

Mônica Clemente (Manika)

 

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Contato do Paulo Neumann e da Blenda Laís @equuscuritibapn 

(41) 99196-1153

 

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334) O Pendurado e o Chamado às Raízes

    Um dos arquétipos que eu mais gosto é o Pendurado, a carta 12 do Tarot de Marselha. “Le Pendu” aparece com um homem de cabeça para bai...