5 de mar. de 2021

266) Calor Humano - A Menina dos Fósforos

 


Uma situação reveladora é quando perguntamos como eram os avós em relação ao pai ou mãe da pessoa. Ou se aconteceu algo muito difícil com eles.  

Alguns netos dizem, sem nenhuma reflexão, em ato contínuo: eram frios.  

O que querem dizer? Que os avós eram salames, presuntos, mortadela? Frios?! 

Além de nós, netos, estarmos dezenas de anos distantes da criança, adulto, meia idade, eventos, tristezas, alegrias que foram aqueles avós, se o pai ou mãe foi cuidada por eles, não há nada de frio ali. 

 

E se não foram cuidados por eles, como podemos saber o que aconteceu no íntimo das nossas avós e avôs?

 

O termo “frio” tem a ver com temperaturas baixas, sem calor. Tem a ver com a temperatura de um réptil, sangue frio. Jacarés comem seus filhotes. Tem a ver com alguém sem coração. 

 

Será que nossos avós eram frios, desprovidos de amor, quando a maioria se sacrificou totalmente para a família, sem exigir nenhum reconhecimento?

 

Será que esta etiqueta que colocamos neles não está revelando como ainda julgamos ou repassamos julgamentos, sem perceber o amor que os ancestrais derramaram sobre a gente?

 

Uma mulher que teve e cuidou de 15 filhos, da casa e do marido pode estar exaurida, deprimida e até desconectada de si mesmo por tanta doação, mas nunca será fria.

 

Um homem que sai para trabalhar muito cedo, num lugar muito distante, levando uma marmita, pode ter passado fome, se sentido isolado e com medo. 

 

Pode ter chegado tarde em casa por conta da distância. E até bebido porque sua vida não fazia mais sentido, mas nunca será frio.

 

Alguns deles, inclusive, tiveram irmãos e irmãs jovens, que nunca voltaram para casa, depois de irem trabalhar na rua, vendendo fósforos, em pleno inverno, para outros irmãos sobreviverem.

 

Talvez não fosse inverno, mas não voltaram para casa nunca mais...como naquele conto de Andersen “A menina dos Fósforos”.

 

Quem tem este conto como seu preferido, pode estar identificado com um tio ou tia avó ou bisavó, que morreu bem jovem, espalhando seu calor no mundo (fósforo), em pleno inverno (a frieza dos julgamentos, ou um mundo que não acolhe quem está em situação de vulnerabilidade).

 

Ou pode ser o próprio avô ou a avó mesmo, que sustentou a sua família original desde criança e depois criou a sua própria família e cuidou de tudo, sem nunca ter recebido um agradecimento.

 

É verdade! Possivelmente, nossos avós não foram perfeitos para os filhos deles, mas deu certo!

 

Nossos pais seguiram em frente e nós nascemos e seguimos em frente, transformando, a cada geração, dores antigas em bênçãos.

 

Como o lado de fora de uma jaqueta térmica, que mantém a frieza do lado de fora para nos aquecer por dentro.

 

@conexoessutis

@historiasqueatuam

@Mythology_familienstellen

@manika_constelandocomafonte

 

#Andersen #Familienstellen #HistóriasQueAtuam #MitologiaEConstelaçãoFamiliar

 

 

 

4 de mar. de 2021

265) O Pequeno Tirano e a Impecabilidade do Guerreiro

 


Pintura de Frank Howell

O xamã Don Juan Matus, mestre de Carlos Castañeda, ensinava - na prática - que encontrar um Pequeno Tirano é uma grande sorte! Porque a opressão que ele/a exercerá em nossa vida treinará a impecabilidade do guerreiro. 

- Mas Como?!  

Perguntava Castañeda, atormentado.  

- Como pode ser bom para uma pessoa encontrar quem quer dominá-la, oprimi-la, escravizá-la ou até matá-la? Como você chama estes grandes perpetradores, que dizimaram a sua tribo e cultura, de pequenos tiranos? 

E Don Juan respondia algo como:  

- Um guerreiro precisa de toda a sua energia para seguir o caminho do conhecimento que o levará a novos mundos. Não há nada que gaste mais esta energia do que a auto-importância. E não há nada que acabe mais com a auto-importância do que um pequeno tirano.  

Segundo ele, as ações exasperantes destes bufões cruéis nos forçam a focar no que realmente importa.

 E o pequeno tirano ainda nos treinará a não reagir com RAIVA, mas com discernimento, a manter o CONTROLE no caos, a  ter DISCIPLINA em condições difíceis e a manter a PACIÊNCIA dos que mantém a esperança. Isto é a IMPECABILIDADE do guerreiro.  Por isso, 

 

"Comparado à Fonte de tudo, os homens mais assustadores e tirânicos são bufões; em consequência disso, foram classificados como pequenos tiranos, pinches tiranos." (Don Juan) 

Com 2 subclasses: 

1) Pequenos Tiraninhos: Aqueles que perseguem infligindo injúrias, mas sem causar morte a ninguém. 

2) Minúsculos Pequenos Tiraninhos: os exasperantes e aborrecidos ao extremo.  

E estes ainda são divididos em 4:  

a) os que atormentam com brutalidade e violência; 

b) os que criam uma ansiedade intolerável por meio da desonestidade; 

c) aqueles que oprimem pela tristeza; 

d) e os que fazem os guerreiros se enraivecerem.  

Assim, toda vez que um guerreiro perde a cabeça, o tirano fica mais influente:  

“Se eu consigo perturbar alguém tão interessante, tenho força. E outros acreditarão nisso e me seguirão.” 

É por isso que todo xamã teve outro xamã para ajudá-lo a realizar o infinito. 

E o Castañeda escreveu 12 romances sobre isso: 

 

1.    A Erva do Diabo (The Teachings of Don Juan: A Yaqui Way of Knowledge - 1968). 

2.    Uma Estranha Realidade (A Separate Reality: Further Conversations with Don Juan - 1971). 

3.    Viagem a Ixtlan (Journey to Ixtlan: The Lessons of Don Juan - 1972) Tese de PhD de Castaneda na UCLA em 1973 com o título: "Sorcery: A Description of the World". 

4.    Porta Para o Infinito (Tales of Power - 1975). 

5.    O Segundo Círculo do Poder (The Second Ring of Power - 1977). 

6.    O Presente da Águia (The Eagle's Gift - 1981). 

7.    O Fogo Interior (The Fire from Within - 1984). 

8.    O Poder do Silêncio (The Power of Silence: Further Lessons of Don Juan - 1987). 

9.    A Arte do Sonhar (The Art of Dreaming - 1993). 

10.                  Readers of Infinity: A Journal of Applied Hermeneutics - 1996 - Diários do trabalho de Castaneda com suas discípulas ainda não traduzido. 

11.                  Passes Mágicos (Magical Passes: The Practical Wisdom of the Shamans of Ancient Mexico - 1998). 

12.                  O Lado Ativo do Infinito (The Active Side of Infinity - 1999).

 

3 de mar. de 2021

264) Quem tem Amiga tem Magia

 


Eu tenho algumas melhores amigas! Uma delas, da infância até o infinito, me dava muitos presentes! Um dia eu falei:

- Lara! Não fica gastando seu dinheiro com tanto presente. Você é meu presente!

Ela me olhou com aqueles olhos lindos cheios de galáxias e me disse:

- Ih! O dinheiro é meu! Eu faço o que quiser e toma este presente aqui.

A gente rolou na areia de tanto rir. Mais uma vez uma onda molhou nossas cangas, uma tradição das nossas idas à praia, e tomamos caipirinha.

Cada canto da minha casa tem um presente dela. No meu armário eu tenho mais de 20 brincos, 10 bolsas e 10 roupas que ela me deu. No meu álbum de fotos pessais, a maioria delas estou com a Lara.

Todo dia no Facebook eu sou lembrada de um post lindo que ela me marcou ou que estávamos juntas numa passeata, numa viagem, ou na praia, nossa paixão.

Ano passado ela foi surfar em outra dimensão. E a gente tinha combinado de ficar velhas juntas. De que nossos futuros maridos tinham que ser amigos, porque a gente ia morar muito perto para fazer pulseira de miçangas e suco verde.

Eu acho que ela sabia que iria embora mais cedo. Porque ela falava com baleias, com crianças, com tartarugas e com as estrelas.

Ela escutava os Orixás, os excluídos, os cantos sem cantores e tantas pessoas desencarnadas.

E ela sabia que eu ia chorar. E rir, lembrando da gente rolando as escadas brincando de lutar. Eu com meu metro e meio de arianisse e ela com seu metro e setenta de sagitarianisse.

Então ela deixou lembranças do nosso amor e cumplicidade para todo o dia eu saber que era verdade!

Quem tem amiga tem magia! Só trocar as letrinhas.

@lara_florae te amo!


Lara e eu



27 de fev. de 2021

263) O Que as Moiras Ensinam Sobre o Tempo

 

Ilustração do fantástico Artista  Frank Howell

A moeda mais cara do universo é o tempo. O seu tempo de vida, expressão da sua existência.  

Por isso, como diz o Hellinger, não importa se um ser viveu 1 dia e outro 100 anos. O valor existencial deles é sempre o mesmo: refletir o infinito na janela que se abriu. 

Por que, então, esquecemos de um se eles têm o mesmo valor?  

Porque doeu muito não ter tido mais tempo com quem ficou pouco. Essa dor é a base de todo esquecimento. Já imaginou reencarnar lembrando de todos os vínculos perdidos da outra vida? 

Portanto, o tempo se mistura com os fios da sua vida, trazendo à tona a singularidade da sua existência. Como já diziam os gregos: as Moiras (tecelãs dos fios da vida) têm em suas mãos os desígnios de Cronos (deus do tempo).  

Se queremos saber o grau dos nossos interesses e desinteresses, só observar como tecemos o tempo em dadas situações. 

Assim aprendemos quanto tempo dar a cada setor da vida, quanto tempo leva para criar relações e trabalhos significativos. E que basta um segundo, ou um ato leviano, para tudo acabar. 

Por exemplo: quando começamos a justificar atrasos e faltas, é hora de nos perguntarmos se o compromisso assumido realmente nos interessa. 

Porque não faz o menor sentido ficar falando o quanto nos sacrificamos para estar num compromisso. Ou nossos esforços são melhores dos que estão lá nos esperando? 

Também não faz nenhum sentido dar desculpas do porquê não cumprimos com o combinado. Neste caso, se justificar é forçar o outro a usar o fio da vida dele com o que não queremos fazer. 

Então, quando uma pessoa falta com seus combinados e fica se justificando pelas mesmas coisas que não impediram os outros a levarem adiante o acordo feito, é hora de avaliar se investiremos nesta relação. 

Talvez uma conversa realinhe os parceiros. Mas pode ser que as Moiras cortem o fio dizendo: 

- Saia daí! E não gaste mais nenhum segundo se explicando do porquê saiu.  

Os tecelões sabem que tapetes ficam prontos com linhas e não com justificativas. 

#Tempo #Energia #Vida #Tecelãs #RelaçõesPessoais #Mitologia #Moiras #Cronos #RelaçõesDeTrabalho  

 

262) Sem Criar Espaços Não Fazemos Mudanças

 

Já tentou se virar num corredor no qual você só cabe de lado? Ou seguir em frente num ônibus abarrotado? Pois, é! Sem espaço interior não conseguimos fazer mudanças.

Por isso, toda a vez que quisermos nos transformar, será necessário criar espaço para vermos por todos os lados e ter novas perspectivas. E, principalmente, para encaixar uma nova potencialidade, imagem, pessoa ou situação que antes não cabia.  (Mesmo que o espaço seja criado para colocar um limite). 

Por exemplo: Você está na sua Constelação Familiar e surge uma pessoa que você nunca viu. Pode ser o noivo da avó, abandonada por ela. Ou um irmão falecido, antes mesmo de nascer, filho do primeiro relacionamento do seu pai.  Antes de conseguir vê-los, abrimos espaço para o eles.  

Como? 

O constelador assume a postura fenomenológica, na qual se distancia para ter uma visão mais ampla e criar espaços para o novo passo.  Então, todos os que estão no grupo seguem os movimentos dos representantes, como cegos num mundo a ser descoberto. 

O amor cego, que não vê uma pessoa ou situação, e que nos faz repetir o mesmo destino dela, olha para o vazio, como se lá tivesse alguém. E tem! Colocamos um representante naquele espaço e deixamos o movimento seguir. 

Muitas vezes, diante destas revelações nós nos dizemos: “mas eu nem conheci a minha avó. Ou “não me relacionei muito com a família do meu pai. Não sei como isso pode me influenciar.” Ou “Foi só sexo. Meu pai nem amou esta mulher.” 

Estes pensamentos revelam que ainda não nos abrimos o suficiente para incluir o que não sabemos, mesmo que atue em nosso destino nos bloqueando.

 Que não temos lugar para o que pede para ser visto e incluído por meio dos sintomas físicos, psíquicos, dificuldades de relacionamentos, alguns tipos de depressão (etc.) que nos levaram a procurar uma Constelação Familiar.

 Sabe como descobrimos se temos horizontes ou não para mudar? Observando quanto tempo, dinheiro (energia) e esforço estamos dispostos a investir em nós mesmos.

 #Fenomenologia #Familienstellen #Éter

#ConstelaçãoFamiliar #Transformação #Espaçoparamudar

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261) Yoga Não Nos Tornam Mansos

 


22 de fev. de 2021

260) Pontos de Viradas nos Scripts da Vida

 


O turning point ou ponto de virada é aquela parte dos roteiros (e da vida) na qual não podemos mais voltar ao modo de vida anterior. 

 

Pode ter sido um evento que se abateu sobre o protagonista, sem que ele tenha qualquer participação anterior nos eventos que o encontraram, mas deste ponto em diante, tem! 

 

Ou é a consequência dos seus atos, e até a escolha de ir para Toscana deixando um marido infiel nas suas mesmices, para tentar refazer sua vida.

 

Daquele ponto em diante, o protagonista vai se transformar graças a luta, em vão, de tentar voltar ao estado anterior. O que na verdade o levará à outra forma de estar no mundo.

 

A um novo estado de ser, porque tudo o que ele não sabia sobre si mesmo será forçado a ajudá-lo! 

 

Aí chega o segundo turning point. Nesta virada, ele/a já conseguiu vislumbrar o que ganhou por conta da perda, mas terá que fazer uma escolha.

 

Por exemplo, um pintor fica daltônico depois de um acidente, como conta Oliver Sacks em seu livro “Um antropólogo em Marte”. Este é o 1o ponto de virada do pintor. 

 

Até ele descobrir uma nova forma de pintar com tonalidades de preto e branco (2º turning poitnt), houve luta, desespero, perda da fé e vontade de se matar.

 

Mas o êxtase do descobrimento de uma nova fase como artista, o fez ver o que aconteceu sob outra perspectiva.

 

Ele agora vai decidir se bancará a nova vida que conquistou, depois de tanto esforço, ou se continuará se lamentando.

Telma e Louise decidiram nunca mais voltar para uma vida na qual não podiam ser elas mesmas e nem contar com os homens. Mesmo que seguir para o novo destino as levassem para o abismo.

 

O 1º  turning point que enfrentamos, portanto, é o nascimento. Daí vem as viradas “naturais” - adolescer, se tornar adulto, casar, envelhecer etc. - e os que as relações e a vida trazem.

 

Para cada turning point há histórias, mitos e contos de fada ensinando como lidar com suas passagens e desafios.

 

Toda vez que um conto de fada, livro, filme ou letra de música não sai do nosso coração,  pode estar dando alguma pista.

 

@conexoessutis

@historiasqueatuam

@manika_constelandocomafonte

 

#MitologiaeConstelaçãoFamiliar #scripts #turnpointwithnoreturn #turnpoint #pontodevirada #JornadaDoHeroi #JosephCampbell

 

266) Calor Humano - A Menina dos Fósforos

  Uma situação reveladora é quando perguntamos como eram os avós em relação ao pai ou mãe da pessoa. Ou se aconteceu algo muito difícil com ...