6 de jul. de 2020

158 - Como Funciona o Triângulo Dramático - Parte 2


Como sair do Triângulo Dramático?
Mônica Clemente (Manika)




No texto anterior “Como Funciona o Triângulo Dramático - parte 1" , falamos em como se entra neste jogo doentio, atuando ora como Salvador, Vítima e Perseguidor.

Representamos todos os papéis, sendo 1 ou 2 deles preferidos e de acordo com as nossas fraquezas. Se não suportamos as responsabilidades, podemos atuar na posição da vítima. Se o nosso calcanhar de Aquiles é o medo da aniquilação, tendemos à perseguição. Ou se ainda achamos que podemos mudar o mundo, nos afinamos mais com o papel do Salvador.

A fraqueza do Salvador, então, é se sentir um Deus ou Deusa, evitando a sua realidade. Como o Superman, que evita a kriptonita, pedra que o faz se tornar um mortal, e ter os mesmos problemas de um homem comum. Sua isca é oferecer uma ajuda não pedida ou que não sabe dar.

A Fraqueza do Perseguidor é controlar no lado de fora o caos que sente dentro dele. A sua isca é causar medo e julgar, como a personagem da Meryl Streep Miranda Priestly no filme “O Diabo Veste Prada (2006). ” Em uma das cenas, Miranda não aceita que a sua secretária não consiga um voo no meio de um tufão que fechou os aeroportos.

E a fraqueza da vítima é não se tornar responsável pela sua vida e negar a sua raiva, se fazendo de Dr. Banner que apanha muito antes de virar o Hulk, um maltrapilho excluído e inconsciente do estrago que faz. Sua isca é transformar os outros nos punhais que ela vai enfiar no próprio peito. Além do autoflagelo, tende a distorcer uma boa ajuda em “levei um tapa na cara”, sendo frequentemente mal-agradecida.

O jogo seguirá até que se resolva conquistar a própria fraqueza. Por exemplo, se uma pessoa deixa você louco/a, para de ficar louca com ela (ou de morder as iscas que ela joga) e crie novas respostas ou perguntas baseadas na realidade. Ou seja, deixa a pessoa ser como ele é e conversa com ela normalmente.

Por exemplo: “Obrigada por me alertar sobre o problema. Vou prestar atenção. ”  “Tem razão! Não lavei a louça. ” “Poxa! Quando você me chama de burro (feia, vagabundo...) fico triste! Sou inteligente (responsável...). ” “Me ajuda a entender esta questão? ”  “Lembrei que tenho um compromisso! Depois falamos? ” O que você acha disso? ” A Comunicação não violenta é uma boa estratégia para sair dos jogos psicológicos.

Podemos também evitar os gatilhos com uma piada, não respondendo, ou nos afastando, sem dramas e sem exclusões. Ou até com bloqueios, nos casos difíceis.

Com o tempo, conquistamos a força emocional tão almejada que sustentam as boas relações. A inteligência emocional que a gente tanto queria e ganhou graças aos convites do triângulo dramático, nos mostrando onde estavam as nossas fraquezas.

Mas atenção: os anzóis continuarão lá, como alertas, tentando nos seduzir, tentando nos convencer de que são eles, e não a imensidão, a verdadeira natureza do mar.
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157) Como funciona o Triângulo Dramático - Parte 1


Como somos enredados no Triângulo Dramático?
Mônica Clemente (Manika)



Já se sentiu muito mal depois de responder rispidamente a uma pergunta simples de um dos seus pais, filhos ou cônjuge? E passou o dia ruminando sobre a razão da sua explosão sem encontrar uma explicação?

Se não é hipoglicemia, que deve ser tratada, pode ser que você caiu em um dos vértices do Triângulo Dramático (Salvador, Vítima e Perseguidor). Cada um deles nos enreda num jogo psicológico doentio.

Vamos analisar três situações:

1-    A mãe pergunta: “Que trajeto você vai fazer?”. O filho retruca: “fala logo o que você quer que eu compre no caminho!” Ela: “eu larguei tudo para cuidar de vocês e o que recebo?!”

2-    A mãe chega do trabalho e a casa está decorada com louças sujas, produzidas pelo filho marmanjo maratonando na TV. Ela o xinga de vagabundo para baixo. Na madrugada, chora sozinha.

3-    A filha fala: “Vai comer carne?! Como o colesterol alto e coração fraco que você tem?! ” E o pai, diante da boa comida feita pela esposa diz: “Você enche o saco igual a sua mãe! ” E a filha defende: “Machista! A gente quer te cuidar! ”

Vítima, Perseguidor e Salvador estão todos, ao mesmo tempo, se alternando dentro da gente, como iscas que jogamos e fraquezas que caímos.

No 1º caso, o filho explode porque julga (Perseguidor) a mãe, já pressentindo que ela vai jogar, como sempre, a vítima. Ao se sentir culpado, escolhe nunca sair de casa para cuidar da mãe como um salvador, compensando sua ingratidão forjada no triângulo dramático, o que faz eles sentirem raiva e... Se ele é casado, possivelmente vai convidar sua esposa e filhos a jogar mesmo jogo.

No caso 2, o filho quer uma carícia da mãe ausente, chefe de família. Ela, para voltar a ter controle sobre sua vida caótica, xinga violentamente (Perseguidora) o filho. Logo em seguida acredita que falhou como mãe. O filho tem a atenção que queria, mesmo que seja negativa, perseguindo-a e virando a sua vítima.

O Salvador, caso 3, ofereceu uma ajuda não pedida ou que não sabe dar. Se a pessoa prefere o papel de vítima, aceita a ajuda para depois mostrar que não funcionou e até piorou. Se a sua fraqueza for se tonar um Perseguidor dará um fora como o pai deu, com a filha virando salvadora da mãe, cuja comida criticou (Perseguidora) e vítima do pai, ao colocar o pai contra ela e a mãe na armadilha que criou.

O Triângulo Dramático é um diagrama, elegantemente criado por Joseph Karpman, analista Transacional, para mostrar este rodizio de ações e reações que nos prendem, viciosamente, dentro de um jogo psicológico (Berne: 2007:159). Homofobia, racismo, ataques contra a mulher, criança, velho e pessoas em geral são crimes, geram vítimas reais, portanto não são triângulo dramático.



#triângulodramático #EricBerne #JogosPsicológicos #triângulodeKarpman #manika #constelandocomafonte 


30 de jun. de 2020

156) A Ajuda




Às vezes eu queria que alguém tivesse me dito, lá numa época difícil, o que só agora eu sei. Alguém com o dom de tocar o lugar certo para eu mudar o rumo que me levou perto demais do abismo.


Como isso não aconteceu, eu culpei o mundo, fiquei de vítima e paralisei. Um dia, a dor foi tão grande que, enfim, lavei o rosto, me dei a mão, busquei ajuda e algo aconteceu: entrei no caminho de uma, duas, três ...pessoas que sabiam como me ajudar.

Fui falar comigo no passado para dizer que tudo ia ficar bem, “mas não fica sozinha tentando se curar. Você não consegue ver as suas costas nem os seus olhos. Deixa alguém te enxergar. Aqueles erros cometidos vieram com seus avisos. E só puderam ser lidos por pessoas que já tinham andado pelo mesmo caminho ansiando a ajuda de alguém. ”

Ainda contei que, da mesma forma, os meus pecados passados agora são uma pequena luz na escuridão de alguém, como uma cicatriz que diz: “por aqui tem dor. Quem sabe vai em outra direção? ”


(Marte entrou em Áries - 28 de junho de 2020 até janeiro de 2021 - é hora de buscar a ajuda certa.)

#Terapias #Filosofias #ArtedeAjudar #BuscarAjuda 


24 de jun. de 2020

155) Carícia é o Ar que a Vida Respira




Yemanjá pediu carícias do mar. Ele deu, ele deu! O oceano também quis e ela retribuiu. Foram tantas trocas de amor que o Céu aprendeu e, do nada, molhou as plantas, que deram frutos que coloriram o planeta.

Nunca, nenhum deles, deu menos do que podia com medo de ficar submisso.  Ou controlou os afetos com a intenção de gerar carências. 

Um dia, o fotógrafo @clarklittle resolveu nos dar momentos de pura beleza e a paisagem correspondeu. Do outro lado do mundo um desconhecido curtiu a poesia dele, uma mulher acolhia a manhã, um pai semeava a terra e as crianças dividiam o pão. 

Trocas de afeto é o ar que a vida respira. Um humano se torna humano quando pede, doa e incentiva estas carícias. 

#EconomiaDeAfetos #Carícias #Felicidade #Okeidade #EricBerne


21 de jun. de 2020

154) Um Pássaro Voa com Duas Asas





P. R. Sarkar, filósofo indiano, disse que a sociedade é como um pássaro, sendo uma de suas asas os homens e a outra as mulheres. Se uma asa não estiver fortalecida ou for massacrada, o pássaro não pode voar.

Uma pessoa também tem duas asas. Uma é a mãe e a linhagem dela e a outra é o pai e a linhagem dele.  Só voamos para nosso destino se honramos as duas asas, que se conectam no coração. 

Se um dia o pai ou a mãe falar mal do outro genitor para um filho/a, é bom dizer com carinho: “você é tão importante para mim! Por isso tudo o que me diz toca fundo o coração. Eu sou toda você e toda mamãe (ou o papai)! Quando você fala assim dela (ou dele) para mim, sou eu o atacado/a. Por favor, ame ele/a dentro de mim. Te amo! Obrigada. 

Não se fala “eu te perdoo”, soa arrogante, gerando brigas. 

De qualquer maneira, na maioria das vezes, não adianta nada falar aquilo. A não ser o fato do genitor que fala mal do outro genitor começar a saber o que acontece na filha ou filho. Da próxima vez que ele tornar um deles seu confidente, terapeuta, capanga, juiz ou leva e atrás, é bom simular uma dor de barriga e sair de perto, sem julgá-lo. E não tem por que se sentir vítima. É bom encarar como um treino para não entrar nas brigas deles em hipótese nenhuma.

Falando nisso, dizem que um anjo cai toda vez que um/a filho/a se mete nas brigas dos pais tomando partido ou mediando seus conflitos. 

Tem uma vivência que faço nos seminários de Constelação Familiar que termina assim: “sinta qual das suas asas é a mais fraca e a fortaleça, sem tentar mudar ninguém para isso, sem enfraquecer a outra asa. Como? Coloca cores e recebe a vida que veio daquela linhagem com respeito, humildade e gratidão. Sente o vento da vitória tocando o seu rosto. Agora, com as duas asas, você já pode levantar voo.”

#PRSarkar #BertHellinger #Ancestrais #Vitória


153) Um Novo Homem?




Ela atravessou o corredor, desde o fundo até o palco, entre as 1400 pessoas assistindo à aula dos mestres. Sentou-se, corajosamente, entre o professor e a professora. Sorriu marotamente e perguntou:

- Então, como é este novo homem?

Muitas pessoas na plateia ansiavam a resposta que lhes daria um modelo do bom companheiro.  Meia hora antes, porém, o professor olhou com amor e devoção para a sua esposa, a professora ao lado dele fazendo uma apresentação fantástica. Antes disso, já havia feito vivências de como um homem se torna adulto e trata uma companheira. Também falou da identificação de uma pessoa com o herói, que, nos mitos, é o filho/a de uma mortal com um deus. Demonstrou como esta sobreposição faz a pessoa excluir o pai de sua vida, já que ele não atende às expectativas irreais da mãe/esposa.

Sim, porque “herói”, que vem do grego heroes, significa nobre ou semideus: um ser concebido pelo encontro de uma divindade com um terráqueo. Este arquétipo não está apenas em um dos livros que funda o ocidente, como a Bíblia. Não está apenas em toda a nossa mitologia e religiões, ele está tatuado em nossos olhos e expectativas. Até um dos nossos hinos mais caros começa com “Pai nosso que estais no Céu”. Ora, estamos falando de um Deus, nesta oração, que é o pai divino do filho de uma virgem.

O dramaturgo Nelson Rodrigues intuiu muito bem estas representações celestiais no lugar dos homens nas famílias brasileiras. Tanto é que em uma de suas peças eles eram botas descalças num canto da sala, ausentes ou excluídos.

E foi assim que o mestre permaneceu para a senhora:  uma presença invisível.  Ela desceu as escadas do palco sem a sua resposta. Como é que o professor poderia falar sobre um novo homem para quem espera um deus? Nem ele conseguia ser visto. O que dirá do fato dele nunca ter usado aquele termo. Mas um novo homem existe há milênios. De carne, osso, bem-aventurança e defeitos. Quando é que todxs nós vamos arrancar o véu que nos separa deles?

Bert Hellinger dedicou um livro inteiro sobre esta questão chamado As Igrejas e Seu Deus.

#Pai #Homem #IgrejaEseusDeuses #BertHellinger #SophieHellinger #Herói #Semideus



16 de jun. de 2020

152) O que te Faz Ficar Vivo ou Viva?




O que te faz ficar vivo ou viva?


Será que terias desistido de...  se tivesse respondido esta pergunta todos os dias? Será que escolheria este caminho, esta rotina, este trabalho, estudos, esforços, parcerias, atitudes, rupturas, associações...?

O que nos faz ficar em sintonia com a pulsão de vida? (Eu não acredito na pulsão de morte, mas falo disso outro dia.)  Eu acredito em algo que nos faz ficar vivos e é único. Acho também que há camadas da existência interferindo na resposta. Uma delas está além e fora do alcance, outra é a cultura, depois a época, aí a esfera dos ancestrais, da família atual e então o que nos faz sentir vivos para, finalmente, chegarmos à radicalidade do que nos faz ficar vivos.

Se conseguíssemos ultrapassar todas as camadas, até o nosso íntimo, teríamos a nossa resposta original e intransferível? A digital de uma encarnação?

Não importa se a resposta nos desse “só” mais um segundo. Seríamos tocados pela dobra do infinito no mínimo que somos? E propulsionados para fora dos perigos, sejam eles quais forem?

Eu só não sei se temos o direito de saber das respostas dos outros. Me parece tão pessoal como o amor por um filho no meio de cinco, por um pai e não pela mãe (ou vice-versa), por um companheiro difícil, um atributo frívolo, um bicho, um sorriso...

Será que alguém debocharia ou menosprezaria o alicerce do fio da vida de alguém? Qual o efeito do desprezo em algo tão essencial? E que direito temos de questionar, julgar ou até ficarmos magoados pelos diversos motivos? O que eles nos contam sobre o Infinito?...

Aí está a mão estendida da vida contra o desaparecimento. Mesmo que ninguém nos entenda, a resposta àquela pergunta é o viço que mantém a seiva fluindo.

#EuFicoViva #PulsãoDeVida #EugenioDavidovich


151) Os Filhos e Seus Pais desde Salomão até a Alienação Parental




Uma questão atual, como as guarda dos filhos, num divórcio, já estava na Bíblia há milênios. Lá como na atualidade, rasgamos os filhos ao meio se brigamos com o cônjuge em nome deles.

Lembram quando Salomão julgou a causa de duas mulheres? Elas moravam juntas e tiveram seus filhos na mesma época, porém o filho de uma morreu. Ela levantou-se na madrugada e trocou seu filhinho morto pelo filhinho da outra. Quando esta acordou, entendeu o acontecido e levou o caso ao Rei Salomão. A outra mulher se defendeu dizendo que o filho vivo era dela.

Então, disse o rei: “tragam-me a espada porque darei metade do filho para cada uma delas. ” Uma gritou: “Não, Meu Senhor! Dai o menino vivo e não o mate. ” A outra disse: “Nem teu, nem meu! Dividi-o antes! ” O Rei deu a sentença olhando para mulher que defendeu a criança mesmo que tivesse que perde-la: “Dai a ela o menino, porque esta é sua mãe. ”

Quais as dinâmicas familiares que não olham para a criança, cortando-a ao meio? Uma mãe perde um filho e fica inconsolável, então a sua filha tem um bebê e sente necessidade de entregá-lo para a avó que não quer mais devolve-lo. Ou, outra avó ou avô inconsolável tem uma nora que realmente ataca o próprio filhinho. A avó/ô luta pela posse do neto fazendo fofocas, contra a nora, para o pai. Ou, um genitor/a trata mal seus filhos depois do divórcio fazendo o ex- parceiro/a ficar furioso. Este começa a briga com o armador de arapuca, sem perceber as bombas amarradas nas crianças, puxando-as de um lado para o outro até racharem ao meio.

Quem não quer brigar

1) olha para criança. Por exemplo, quando um genitor não a arruma, o que olha para ela pergunta: você quer ir para minha casa hoje ou quer ficar aqui? Geralmente prefere ficar onde está, porque está envergonhada. Ou porque já foi envenenada contra o genitor. Com o tempo, se o brigão não desistir

2) busca-se um advogado. Quem não quer brigar busca um advogado. Mas um que não quer vingar a briga familiar dele na sua família. Um que foca na solução, como o Direito Sistêmico, que é a Constelação Familiar na Justiça. 

O Hellinger dizia que a criança fica a salvo com o genitor que a olha, e ama e aceita o outro genitor dentro dela, mesmo que nunca mais queira falar com ele/a. 

#alienaçãoparental #BertHellinger #GuardaDosFilhos


15 de jun. de 2020

150) Amor às Segunda Vista II




Enamorar-se significa ser amparado pelos braços do amor. É somar-se, como diz o prefixo “em”, que vira “em” no enamorado, que significa chegar mais perto, ir para dentro (in), virar o próprio amor.  “En-amor-ar – se” é se colocar na frequência dos que amam. 

O Dia dos Namorados, ou o dia que se festeja o amor romântico entre dois adultos (ou adolescentes) aqui no Brasil, está no mês que homenageia Juno (Hera), deusa do casamento, e é no dia antes de Santo Antônio, padroeiro dos matrimônios. Namorar, então, é o amor à primeira vista tentando chegar ao amor à segunda vista. 

O Bert Hellinger, criador da Constelação Familiar, diz que o Amor à Segunda Vista acontece quando acolhemos e exercemos outras dimensões numa relação de amor e acontece mais ou menos assim: 

1.     O Eu e o Outro se amam e se veem. Durante os primeiros seis meses do enamoramento somos tomados pela paixão. Com o passar do tempo, outras dimensões começam a surgir: o nosso passado, desejos, trabalho, necessidades. Chamamos estas dimensões de “nossas coisas”. 

2.     Começa uma nova fase na relação com 4 dimensões: O Eu, suas coisas, o outro e as coisas dele. A partir daí o Eu olha ele mesmo e as coisas dele como também olha o outro e as coisas dele. O outro faz a mesma coisa. Se não aceito minha família ou meus desejos, ou como é o parceiro e sua família, por exemplo, começam os problemas. 

3.     Então vemos se temos planos juntos que se compatibilizam: Queremos nos casar? Ter filhos? Morar onde? Quais valores vamos compartilhar? Será que nossos olhares se cruzam no futuro?...

4.     Chegamos ao Amor à Segunda Vista: eu, minhas coisas, o outro e as coisas dele. Quatro dimensões que se olham e se aceitam e que cruzam seus olhares no futuro, a 5ª  dimensão do relacionamento. 


  Até 50 anos atrás a mulher era educada a esquecer suas próprias coisas e olhar para o homem, as coisas dele e o futuro dele. Por isso, muitas de nós, hoje em dia, evitam a todo custo, inconscientemente, o casamento. Queremos casar, mas não encontramos um companheiro compatível, porque este desencontro nos garante não nos perdemos de nós mesmas.

Mas, como ensina o dia dos Namorados no Brasil, no mês e dia cheio de arquétipos que derramam bençãos para um namoro que está acontecendo ou que desejamos que aconteça, se estamos vivos, é porque o encontro de amor por milênios encontrou um caminho além dos medos. Felicidades!  

8 de jun. de 2020

149) O Negrinho do Pastoreio e a solução da Virgem Maria




Questões fundamentais da nossa vida podem estar nos mitos ou lendas com todo o ensinamento e soluções que aguardam. Por exemplo, em Negrinho do Pastoreio, lenda africana e cristã, encontramos diversas situações que ainda hoje acontecem e guardam sua solução.


Na lenda há um menino órfão e escravizado por um estancieiro cruel, como aconteceu de verdade por muitas gerações. Seu “dono” o chamava de Negrinho, porque não tinha um nome, e o obrigava a pastorear lhe impondo castigos por qualquer motivo. Um dia, o garoto foi punido mortalmente e jogado para as formigas o devorarem. Há quem justifique a punição contando que o Negrinho não ganhou a corrida de cavalos apostada pelo proprietário, como os Autos de Resistência que justificam a morte de civis pela polícia. Mas ele foi assassinado mesmo. Ele não tinha nome, como todos aqueles despidos de direito. O estancieiro então viu a Virgem Maria levando o menino para o Céu. Desde então, o Negrinho do Pastoreio é visto galopando por este mundão.

Não damos nome ao que tememos perder ou nos apegar. Também não reconhecemos quem queremos dominar. As primeiras vítimas deste destino são os mais vulneráveis, como as crianças órfãs de pai, mãe e do Estado. Por isso, toda criança que está à deriva encontra o colo da Virgem Maria. Ela é aquela parte sagrada, em cada um de nós, que nos lembra da irmandade da humanidade, família universal que devemos cuidar. Mas o cuidado deve ser no mundo dos vivos.

Em 1936, antes da 2a Guerra Mundial, o atleta Jesse Owens, descendente de africanos escravizados nos Estados Unidos, quebrou recordes no Atletismo dos Jogos de Berlim na Alemanha nazista. Hitler se recusou a cumprimentá-lo, assim como o presidente Roosevelt não o homenageou quando retornou ao seu país.  O atleta só teve o merecimento que merecia depois de morto, como a alma do Negrinho no colo da Virgem Maria. Mas a lenda tem uma revelação: "se eu, a Virgem Maria, represento a mãe de todos, vocês todos são irmãos". 

“Talvez nenhum outro atleta em todo o mundo, em todos os tempos, tenha simbolizado melhor a luta humana contra a tirania, a miséria e o racismo”. Presidente Jimmy Carter homenageando o então recém falecido recordista Jesse Owens.




2 de jun. de 2020

148) Pequena Fábula do Ressentimento (e uma Solução)




O Céu precisava que traduzissem suas mensagens com as estrelas para os humanos. Alguém capaz de entender o infinito, criar uma linguagem legível e oferecer uma fortaleza contra as ilusões. Todos os animais se ofereceram para a missão, menos a aranha, que confeccionava sua teia. Irritado com o desprezo, o Céu nublou o planeta até que a chuva irrigasse as florestas num sonoro aviso: diga para aranha me dar atenção! 

Como o inseto seguiu em frente com seus afazeres, o Céu prometeu uma inundação. Todos os animais imploraram para a aranha apresentar um projeto para o Alto, mas ela estava em transe repetindo uma ladainha: “Agora só falta o Sol!” 

Os 4 ventos das 4 direções tomaram providências, antes que o rancor estelar matasse a vida na Terra, e soprou as nuvens para as fiandeiras. Quando os cabelos do Sol tocaram as gotas de chuva na teia de aranha, o Céu se viu num espelho. A linguagem estava pronta! Desde então, o corpo em oito da aranha é símbolo do infinito, sua teia cria significados, e quem não o entender ficará preso em sua seda, como refeição do momento. Esta é a armadilha da ilusão: ficar enrolado no fio da rede, como se ela fosse o Céu e não a mensagem dele.

Quando marte, no mapa de uma pessoa, toca o Sol ou a Lua do mapa de outra pessoa, se há ressentimentos na segunda, a espada de Marte vai cortar o furúnculo, ou ele mesmo vai machucá-la. A função deste encontro é avisar que você está enrolado no rancor contra teu pai ou tua mãe, ou no rancor deles contra os pais deles, ou no rancor dos avós pelas bisavós... ou no meio da briga de casal dos teus pais, ou avós, ou bisavós....

Se você sempre volta para mesma situação de ressentimento, a Aranha está te dizendo: “Agora só falta o Sol” para iluminar o significado da sua teia de emaranhamentos. Não adianta perdoar, mas sim fazer as pazes com o que aconteceu e seguir em frente.


#astrologia #animaisdepoder #ressentimento #AVerdadeLiberta


158 - Como Funciona o Triângulo Dramático - Parte 2

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