7 de jul. de 2022

460) Razão e a Sereia


RAZÃO E A SEREIA

Mônica Clemente (Manika)


Nem toda dureza é sem alma. 

Nem todo devaneio é sem sentido.

 

Nem um rochedo, feito de pedras e desfiladeiros, é tão sorrateiro e inflexível quanto os  que pensam ter mais razão, porque usam a palavra “cientifico” para criar preconceitos e não conhecimento.

 

Sobre a Alma, não sabem nada, mas as ondas nem ligam. Talvez nem sejam verdadeiras como as sereias. 

 

Esse aprendizado de pescador, das durezas se misturando com o devaneio, aparece nas paisagens como harmonia. Na boa ciência, como quebrar de paradigmas, e na poesia:

 

O MARINHEIRO (trecho da peça)

Fernando Pessoa

 

“TERCEIRA — As vossas frases lembram-me a minha alma...

 

SEGUNDA — É talvez por não serem verdadeiras... Mal sei que as digo... 

 

Repito-as seguindo uma voz que não ouço que mas está segredando... Mas eu devo ter vivido realmente à beira-mar... 

 

Sempre que uma cousa ondeia, eu amo-a... Há ondas na minha alma... Quando ando embalo-me... Agora eu gostaria de 

andar... Não o faço porque não vale nunca a pena fazer nada, 

sobretudo o que se quer fazer... 

 

Dos montes é que eu tenho 

medo... É impossível que eles sejam tão parados e grandes... 

 

Devem ter um segredo de pedra que se recusam a saber que 

têm... 

 

Se desta janela, debruçando-me, eu pudesse deixar de 

ver montes, debruçar-se-ia um momento da minha alma alguém em quem eu me sentisse feliz...".

 

Fernando Pessoa

 

Foto de Peter Russell - Salty Journal

 

"A lone breaking wave against the backdrop of Chapmans peak" 

 

http://peterrussell.co.za/

http://salty.fr/journal/

 

Mônica Clemente (Manika)

 

 

#ciencia #cientifico #razão #Sonho #Fenomenologia #fernandopessoa #bachelard 

 

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