18 de set. de 2013

33) Qual o seu roteiro de vida?



Qual o seu roteiro de vida?
Você é o autor ou somente um dos personagens?




          Qual a sua história predileta ou a que mais te impressionou até os seus sete anos? Escolha apenas uma. Pode ser uma canção, conto de fadas, etc. E nos últimos 2 anos, qual o filme,  ou romance, poema, conto, música, ópera, etc., predileto ou que mais te marcou? Novamente, escolha apenas uma, porque ela  vai te ajudar a trazer algo à luz. Consegue encontrar alguma semelhança entre o enredo da primeira narrativa com o da segunda? 


         Antes de seguir a leitura no próximo parágrafo, sugiro que, com paciência, você encontre estes dois roteiros. Compare-os. Há algo de parecido nestas duas histórias? Com qual dos personagens se identifica?

Pesquise se quiser o que interpretaram sobre eles e veja se há alguma relação com uma situação de sua vida e história familiar dos seus pais, irmãos dos pais, avós ou bisavós maternos e paternos. Este processo revela para quem olhamos, com quem estamos identificados, com qual destino estamos entrelaçados sem saber, nos dando opção de reformulá-lo. Como? Olhando com carinho para o enredo e incluindo a todos.

Observe também em seu entorno os diversos roteiros representados: algum é parecido com Jonas, Orfeu, Dionísio, com Ofélia de Hamlet, a Branca de Neve, Chapeuzinho Vermelho, Orestes ou com os escafrandos sedentos de amor de Chico Buarque?

Este exercício ajuda a revelar os scripts (roteiros) encenados por nós apontando destinos em ressonância com histórias familiares, muitas vezes desconhecidas.

É verdade que Bert e Sophie Hellinger já foram além dos roteiros nas constelações das famílias, nos apresentando soluções e posturas de humildade diante de um Campo Maior, mas ainda assim os scripts revelam situações, descortinando enredos e soluções durante a observação do Movimento do Amor numa Constelação. Isto é, para onde nos movemos motivados pelo “amor cego” ou pelo “amor que enxerga” reproduzindo destinos de antepassados sem nem saber.

O amor cego é aquele que não olha nos olhos daquele que segue e assim repete o mesmo destino, recriando a mesma sina para incluir quem não é visto. “Olhem para esta pessoa que viveu o que vivo agora!”

Esta atitude gera mais dor no sistema. O amor que enxerga, olha nos olhos e por isso é incapaz de repetir o enredo, porque não quer colocar mais uma pedra em cima da dor do seu parente esquecido. Basta imaginar aquele que é seguido vendo algum descendente recriar a sua dor. Como ele/a se sentirá, honrado ou como a causa da repetição do sofrimento? O que traz paz a ele/a, a repetição da sua “tragédia” ou novos destinos e soluções?

Quantos finais um mesmo roteiro pode ter? Não é melhor criar sua vida sem roteiro pré-definidos? Qual a melhor saída para você? Como ser autor de seu próprio roteiro de vida? Há quem trabalhe com scripts e mitos e, por meio deles, escreve soluções surpreendentes com destinos mais felizes. Segundo Hellinger e o Tantra Yoga proposto pelo filósofo Sarkar, a tendência nos movimentos da vida é o crescimento da felicidade e a finalização da infelicidade, por isso estamos sempre buscamos outras soluções quando procuramos ajuda ou um caminho espiritual. E o espaço criado na relação com o outro em uma terapia é um dos  terrenos férteis para a cura acontecer.

Quando se vai a uma constelação familiar, mesmo que não se constele um tema pessoal (sempre constelamos se estivermos no processo como observador, participante, constelando, não há diferença nenhuma), nosso próprio roteiro é revelado de alguma maneira nas dinâmicas familiares que vêm à luz, pelos sentimentos que sentimos, assim como um movimento em direção à felicidade começa a acontecer conscientemente.

Por isso, com relação ao trabalho com roteiros, Hellinger é literal, ou seja, ao pegar o enunciado de um conto, por exemplo, o “O Lobo e os 7 cabritinhos” a mãe diz: “não deixem seu pai entrar”.  O Lobo representa um pai ou avô, ou bisavô excluído pela mãe e os cabritinhos representam os seus filhos. Seja lá qual foi a razão da expulsão, veremos mais tarde, nas futuras gerações o desdobramento desta ação com uma neta ou bisneta casando com um “Lobo” igual ao pai, avô ou bisavô excluído para incluí-lo no sistema. Pode ser que ela também represente a mãe, avó ou bisavó, expulsando o próprio pai de casa, ou ela estará identificada com o sofrimento de um dos “cabritinhos” ao ter expulsado o próprio pai, a mando da mãe, por mais que houvesse justificativa para o ato.  

Não estamos interessados em julgar o pai, a mãe, as crianças, a expulsão ou os atos que levaram a tal dinâmica, mas em ver a repetição do roteiro e como isto afeta a pessoa, porque muitas emoções ficam no "ar" por séculos esperando ser vividas...

Aí está o roteiro montado e o adubo (emoções) ideal para escalar os atores para um determinado destino. Mas há vários desdobramentos destas identificações quando fazemos a Constelação.

De qualquer maneira, não é o enredo o foco das dinâmicas, nem o constelador se prende a isto para sentir as solução. Por isso, não é importante dizer o conto predileto quando se vai constelar, a não ser que o Constelador pergunte.  O importante do que se está falando aqui é que vivemos histórias com destinos premeditados se não conhecemos o emaranhamentos onde ficamos presos.

Óbvio que há movimentos muito maiores, que escapam ao “poderio” das escolhas. Quando pensamos na sociedade como um todo, em determinado momento da sua história vemos que seus personagens são escalados para viver algo que escapa ao controle, como multidão e não como indivíduo. Qual será a dimensão desta experiência coletiva para a expansão da alma?

A humildade, o extraordinário... ?

No livro “Ah, que bom que eu sei. A visão sistêmica nos contos de fadas” de Brigitte Gross e Jakob Schneider (Atman, 2005), as repetições de destino, por meio da escolha dos episódios literários significativos num roteiro de vida são amplamente demonstrados e depois solucionados em Constelações Familiares.  

No conto “A bela adormecida” é constelado o roteiro da “mulher abandonada”:  a 13ª  fada não é convidada à festa de casamento do Rei. Mais tarde, a filha do  Soberano ao chegar na puberdade – idade das iniciações nos relacionamentos amorosos - é “abatida” por um sono eterno. A fada excluída representa um/a (ou vários/as) parceiro/a da mãe ou do pai que sofreu muito com a separação e não foi reconhecido/a ou honrado/a, fazendo com que tivesse perdido sua vida já que não tem valor, como a bela adormecida. Mais tarde, alguém do sistema do pai ou da mãe que abandonou ou foi abandonada por este parceiro pode reviver este mesmo destino e ser largada sucessivamente, sem perspectivas de refazer a sua vida amorosa.

Já em a “Pequena Sereia” o roteiro é do "amor não correspondido". A “Gata Borralheira” representa alguém que "trabalha duro sem direito a prazer" - como muitas mães de hoje em dia -, ou a pessoa que escolhe este conto está identificada com umas das irmãs da Cinderela que têm destinos difíceis. Em “João Felizardo” um homem perde tudo e em “Um Alfaiate Corajoso” há um charlatão. No conto “João meu pé de Feijão” um homem entrega seus bens por uma bagatela (Gross e Schneider, 2005).

É claro que as interpretações não são tão determinantes assim. Estas informações surgiam nas falas ou posturas corporais durante as constelações e variavam. O importante é a solução, já que nunca procuramos o problema, mas a saída. Por isso, às vezes, nem entendemos o que aconteceu, mas algo se move para felicidade e mudanças surpreendentes acontecem.

Dentro desta mesma temática, fazendo uma pequena digressão, eu gosto muito de estudar as relações entre os Florais de Bach e os contos de fada, porque as flores têm histórias de vida e também gestos, danças, destinos. Eu mesma tenho feito algumas correlações ao longo dos anos de trabalho.

O Floral é um composto que capta energeticamente os hologramas das histórias das flores e pretende dar uma saída, como fez a flor, para quem entra em contato com seu mapa hologramático. O próprio Edward Bach (Barnard, 2004) relacionou o Floral Clematis, com “A Bela Adormecida”, uma vez que ele é indicado para aqueles que não sentem nenhum interesse neste mundo cheio de contradições e sem perfeição. Esta pessoa vive na Lua de mundos distantes, vislumbrando o invisível, sonhando acordada, como se quisesse morrer aos pouquinhos e reencontrar um grande amor. São pessoas que a gente chega e diz oi, e ela não nos reconhece porque o mundo real não tem o apelo do além – ou da pessoa que não está mais lá.

Esta história está  inscrita na própria maneira como a planta se organiza em seu habitat. Seu caule fraco (coluna com problemas), suas raízes escondidas, onde fica o esquecimento, sua polinização ao vento, e a postura diáfana da flor.

Muitas relações entre as flores e a postura de vida podem ser feitas, sem que isso encerre as múltiplas interpretações e possíveis reduções que possamos cometer. Julian Barnard (2004) relaciona a flor Rock Rose, indicada para o estresse daqueles que entram em pânico, com o conto da Pequena Sereia. Na constelação este enredo desemboca em um amor não correspondido. Há meses tento relacionar estas duas observações escrevendo um conto sobre isso (ainda tem um ano de trabalho pela frente para ficar pronto). Mas tenho uma hipótese: a Sereia não quer realmente encontrar uma relação amorosa porque esta gera muita angústia. 

No conto, ela briga com o pai, larga a sua vida no mar para virar humana (como fazemos na travessia de uma fase da vida para outra) e doa sua bela voz para uma feiticeira em troca da transformação da sua cauda em duas pernas.  Com isso, ela almeja buscar e entregar seu amor ao jovem que salvara do naufrágio. Imagina a dor envolvida neste processo de perder suas origens, a sua voz e enfrentar o medo da sexualidade para poder ter uma relação. 

Como ficou muda, não consegue dizer ao seu amado o que se passa em seu coração (como se a voz fosse o único recurso para conseguir se expressar).  Apesar do amor não precisar de palavras para se manifestar, a garganta e o ventre são dois centros que se fecham quando se tem medo da entrega. Conversas, inclusive, podem encobrir a verdade. A famosa DR (discutir a relação sistematicamente) pode matar um grande amor, como não falar nada, também.

Se alguém está identificado com o enredo do conto “A Sereia” pressuponho que precise, inconscientemente, atrair pessoas que não correspondam ao seu amor (ou até correspondam, mas sentem alguma barreira intransponível) para  não enfrentar a angústia apavorante do bloqueio de sua sexualidade ligada ao coração e de  sua  voz - manifestação no mundo e aceitação de sua verdade (quem ela é). Bem, esta visão está mais relacionada aos padrões pessoais do que aos movimentos sistêmicos da alma familiar, mas não se excluem porque podem ser os caminhos de energia apreendidos por meio dos enredos de gerações passadas. No entanto, se for buscar na família, encontrará alguém que teve o mesmo destino de “amor não correspondido”, e que talvez esteja ainda identificada.

A saída? Em uma constelação ela surge, não é padronizada, mas olhar para quem perdeu este amor por ajudar: “agora vejo o teu imenso amor, ele tem um lugar”.

Já a flor Centaury, minúscula e "invisível" aos olhos desatentos, está relacionada às personalidades com dificuldade de dizer "não" por conta da sua ânsia em agradar. Esta flor vista de perto se parece com um céu cheio de estrelas e é muito resistente. Ela tem afinidade com a personagem Gata borralheira/Cinderela, escravizada e sem identidade para saber quem é e qual o seu lugar.

Holly e Willow são as flores das Bruxas, seres à beira do amor universal, que ainda não conseguiram abrir mão da vingança como solução das injustiças que viveram. Não precisam perdoar, isso é arrogante. Não se perdoa uma pessoa porque não se retira dela a responsabilidade do que fez, mas deixamos com ela seus atos, e com a gente o que fizemos por conta disso. Ganha-se força, capacidade de escolha e de amar coletivamente, quando até aquele que errou, depois de compensar o seu erro positivamente, pode ter uma nova chance.

E assim sucessivamente. O que quero salientar com toda esta digressão, é que esta forma de ver o mundo, por meio de roteiros dos contos de fada ou das flores, não pretende ser determinante, mas criativa (somos co-autores) em busca de novas soluções. Histórias que caminham juntas e encontram várias saídas. E que os acontecimentos da vida parecem mais com scripts cheios de emoções e possibilidades do que com hormônios, ou com programas de computador ou com porcas e parafusos. Freud agora me diria: fale mais sobre isso.

- Sobre o quê?

- Porca e parafusos ...

Eu mudaria de assunto levando a questão para o coletivo: “Branca de neve e os Sete Anões que o digam”.

- Sete?

- Bem, a Branca sem o pai e a mãe para protegê-la, acaba cooptada junto com seus amigos num esquema forte. Mas, como não há cartéis de licitações na área do transporte em São Paulo que não sejam descobertos pelo espelho mágico da Rainha, a questão é se os “vilões” serão  descobertos, uma vez que estão no poder. A solução? Para o Brasil eu diria que é necessário cada vez mais reintegrar os excluídos, tirar os Amarildos da invisibilidade, desmilitarizar a polícia, mais política, governar para o bem comum e não para o umbigo..., entre outras coisas. 

Freud me mostraria que sou eu a filha alienada do sistema, como todos os excluídos e a Branca de Neve, e eu estaria novamente amarrada em contos de fadas buscando a  solução para os roteiros da vida.  Qual a solução?

Para cada caso uma saída que não pode ser padronizada, mas entre elas sempre tem o olhar para quem foi excluído/a, com quem se cria a identificação, reconhecê-lo/a, aceitá-lo/a e a sua história. Deixar com ele/a seu destino, com amor, humildade e gratidão. Olhar para frente e deixar o passado fazer o seu milagre, porque “liberados somos concluídos” (Hellinger).

"Somente quando a fruta madura cai à terra desprende aquilo que serve ao futuro"
Bert Hellinger


Futuros Amantes




17 de set. de 2013

32) A Quarta Função e os Amores Místicos




Com quantos nãos se faz um esquecimento?





          Quando alguém tem a experiência de se defrontar com a sua Quarta Função, explico mais abaixo, poderá vivenciar uma experiência mística, onde vários conteúdos negados desde a mais tenra infância emergem em novas configurações do Si mesmo. Salta-se a um novo (pat)amar de existência, mais ao centro, onde não se pode mais negar a eterna dança das polaridades.

No Ocidente a supervalorização e o desenvolvimento unilateral de uma função psíquica, desconhecendo as outras funções e o paradoxo da existência, lançam muitas das nossas riquezas psíquicas ao entorpecimento. Portanto, junto à quarta função, alocada no inconsciente, estão os tesouros ocultados por repressões e negações antigas, aguardando um movimento de aceitação e inclusão. Estas riquezas e fraquezas podem estar submersas há gerações no inconsciente familiar. Antes desta liberação, que tipo de amor é possível viver?

Quando este movimento de inclusão é sistematicamente negado - e o itinerário intelectual ocidental com sua negação do Eros ou intuição a favor do intelecto tem muito a ver com isso -, algo nos assalta em sonho e na vida abruptamente, principalmente depois da meia idade, 40 anos em diante. Um desejo imenso e desconhecido por tudo o que foi negado nos devora.


 O encontro súbito e desconcertante com a “bruta flor do querer”, depois de anos soterrada sob as camadas arqueológicas do alheamento, é como uma viagem de barco em alto mar  na companhia de um tigre. Na história “As Aventura de Pi”, de Yan Martel “inspirado” na obra “Max e os Felinos” do nosso Moacir Scliar, a fera, um tigre, e o jovem náufrago dividem um mesmo bote depois do naufrágio do navio que os levava para outro continente. Eles só  conseguem equacionar a insólita convivência depois de perceber que um não podia sobreviver sem o outro num bote a deriva nas intemperanças do mar (da vida?).  O lado bruto, se interpretado como aquela parte inconsciente dentro de nós, assombra os dois viajantes. No menino é a conexão oculta com as caudas ancestrais que o liga a um processo milenar de transformações e no tigre o que ainda é latente.  Quase ao final da história, já em terra firme são e salvos, o felino segue mata adentro sem olhar para trás. Cada um pertencia a polaridades ou universos diferentes, e que, durante sua jornada, descobriram-se como partes inseparáveis de si mesmos.

Este encontro entre nossa adaptação consciente ao mundo com a dimensão desconhecida ancorada no inconsciente (a quarta função, segundo Jung), e tudo o que está preso a ela e negamos, evoca o extraordinário podendo ser chamado de místico nas tradições espiritualistas orientais, se bem conduzias. Quando não há práticas sistematizadas para tal fim, ou formas criativas de viver que acolham este encontro como a própria cultura, os dramas da vida vêm em auxílio aos excluídos. Eles, os dramas, seriam a noite de núpcias dos amantes cósmicos, quando enfim eles se encontram pela primeira vez na forma de paixões ou crises avassaladoras, e cada um de nós e o que nos tornamos depois deste encontro, o êxtase.


Foto Christina Hope, 1989


Qual é a sua “bruta flor do querer”?

O que te devora?

 A QUARTA FUNÇÃO

O psiquiatra suíço Carl G. Jung observou como cada um de nós se relacionava com o mundo. Já escrevi sobre isto aqui.  Ele observou pessoas mais voltadas ao mundo exterior (extrovertido) e outras mais familiarizadas ao universo interior (introvertido). Este é o movimento da libido, impulsionando em direção à melhor adaptação ao mundo. Esta escolha tem a ver com tendências pessoais no contato com o entorno social, cultural e familiar.  Podemos dizer que o que é permitido e negado dentro de um sistema familiar e da nossa cultura contribui também para as adaptações aceitáveis e as recursivas negações.

Se uma pessoa se sente energizada com o contato com o mundo, ela tem tendência à extroversão. Caso ela fique muito cansada com o contato direto e sistemático com seu entorno sua orientação é a introversão. Tanto uma tendência como a outra terá necessidade de atuar o seu oposto, mas em menor escala.

O jogo de interações entre a pessoa e o mundo empurrando sua libido para o universo interior ou exterior também busca adaptação por meio de funções da consciência. Segundo Jung, são 4 as formas de se  adaptar vezes 2 (introversão e extroversão).

As 4 funções são compostas por duas adaptações racionais capazes de julgar (Sentimento e Pensamento), e duas irracionais capazes de perceber sem se preocupar com valores ou um conhecimento prévio (Sensação e Intuição). O relacionamento com o mundo se dá, então, ou pela aptidão do julgamento ou da percepção.

 Tanto a função sentimento quanto a função pensamento podem julgar a sua maneira e, portanto, são racionais, porém elas se polarizam entre si. Quando o pensamento é a primeira função ou a principal, o sentimento cairá no inconsciente se tornando a QUARTA FUNÇÃO ou função inferior – sem nenhum ajuizamento de valor nesta afirmação. O nome de quarta função se dá porque as outras duas funções da consciência que também se polarizam entre si, no caso a função intuição e a função sensação, se tornam a segunda e a terceira função ou as funções auxiliares deste primeiro esquema.

Há 16 combinações possíveis, esta é apenas uma delas (Ao final deste texto tem links sobre o assunto)*:




Em outro esquema, se a sensação ou a intuição que percebem o mundo por impressão ou revelação respectivamente, e, portanto, são irracionais, são a função principal e a quarta função, o pensamento e o sentimento se tornam as funções auxiliares.



Cada um de nós se adapta ao mundo com uma destas 4 tendências da consciência, somada à orientação para dentro (introversão) ou para fora (extroversão), mais a função auxiliar, alternando a direção da libido (16 esquemas psicológicos). Uma pessoa pode se orientar na vida muito mais pelo pensamento extrovertido, como muitos executivos, enquanto outra se relaciona com o mundo pelos sentimentos introvertidos e sua incrível capacidade de curar, ou ainda pelas impressões no aqui e agora (sensação extrovertida) ou por insights que ainda ninguém vislumbrou no inconsciente coletivo (intuição introvertida).

Só para ilustrar,  um intuitivo introvertido terá vislumbres sobre o inconsciente e todo seu mundo imagético falando coisas bizarras para uma dada era, que se confirmam algum tempo depois. Já o intuitivo extrovertido vislumbrará o primeiro passo na Lua e um computador na palma da mão quando todos diziam ser impossível. Um pensamento extrovertido será capaz de colocar uma empresa em pé com estratégias bem objetivas e ampliar seu capital podendo dar conta de muitas frentes de trabalho, uma pessoa com adaptação da consciência pela Função Sensação Introvertida terá uma atenção ao detalhe quase desconcertante para os humanos mais estabanados com o seu próprio corpo, enquanto o sentimento extrovertido fará a melhor festa do mundo entrosando tribos díspares entre si.

O que Jung também observou, como bom intuitivo introvertido (desbravador do inconsciente coletivo), é que nossa tendência foi supervalorizar a função principal e a secundária ou auxiliar e esquecer as outras e o constante jogo entre elas. Então, se uma pessoa tem como função principal, por exemplo, a sensação, e esta é extrovertida, se sentirá bem desajeitado com sua polaridade ancorada no inconsciente (quarta função), a intuição introvertida.  Quando alguém perguntar o signo astrológico dela, por exemplo, chegará a ter “urticária” e dirá que odeia estas charlatanices. É verdade que uma pessoa pode ter preconceitos em relação à astrologia e não ter a função sensação extrovertida como sua adaptação principal, mas quem tem esta função da consciência mais desenvolvida não terá tantos interesses semióticos quanto sinestésicos. Já aquele com a função Intuitiva introvertida mais desenvolvida, que tem como a quarta função a sensação extrovertida, não se importará muito em pagar uma aposentadoria e dirá, como que vivendo em um mundo de sonhos e arco-íris, que nunca envelhecerá.

Pintura Erik Alos


 Por outro lado, estas polarizações, se devidamente consideradas,  geram movimento e amadurecimento psicológico. Quer dizer,  caso a pessoa consiga ir desenvolvendo algumas atividades de sua segunda e terceira função e ter, bem de leve, algum treinamento para a quarta função. Não é aconselhável forçar, ou pular direto para o treinamento da quarta função, isto seria como fazer uma sereia andar de bicicleta no ar.  Ela nasceu para o mar... (até conhecer o náufrago!).

Mas, durante a metanoia, quando na meia idade as  polaridades se invertem para expandir a existência, se uma pessoa nega demais tudo àquilo que se refere à sua quarta função, haverá uma inversão desconcertante dos polos. O que estava submerso eclode como assombração trazendo consigo, descontroladamente, facetas ocultas da totalidade do ser.

Como diz Jung, “….A união dos opostos num nível mais alto da consciência, (...), não é uma questão racional e muito menos uma questão de vontade, mas um processo de desenvolvimento psíquico, que se exprime em símbolos. Historicamente, este processo sempre foi representado através de símbolos e ainda hoje o desenvolvimento da personalidade individual é figurado mediante imagens simbólicas” (Jung, 2001).




Four Mandalas: 14h centaury tibetan thangka painting anonymous tibetan painter
Um Thangka é uma arte budista com valores simbólicos.


A tal de crise da meia idade vira uma provação avassalante. Um problema no trabalho, uma nova configuração na família, uma doença, um acidente ou uma nova paixão com alguém tão diferente podem se mostrar insuperáveis exigindo toda uma nova maneira de ser no mundo. O que estava soterrado vem à tona, e o que era luz desce ao mundo das trevas.

De repente, aquele bico de papagaio inofensivo paralisa a pessoa na cama que se depara com problemas nos negócios, com os filhos indo embora, ou uma gravidez aos 45 do segundo tempo, com o casamento desmoronando ou uma nova profissão que não pode mais esperar e, finalmente, com uma paixão descontrolada por uma pessoa muito diferente. Estas situações, “normais”, são a ponta do iceberg, agora de ponta cabeça trazendo, e de alguma maneira personificando, toda a sombra negada, alojada no inconsciente e grudada à quarta função.  

Tudo o que família, cultura e a própria pessoa negou veementemente rompe o dique. Alguns tentarão  fechar o estrago com chiclete, arriscando reduzir este encontro quântico, esta iniciação ou descida aos infernos, com o mesmo chavão apaziguador de outrora: “é só uma trepada”, “é minha alma gêmea (a quinta nos últimos 10 anos)”, “é uma crise nos negócios que se resolve com mais um empréstimo”, “o filho vai voltar ele sempre volta”, etc. O problema é que no lugar da paz almejada com as velhas explicações aparece o tigre.

Como é o seu tigre? Que tesouros ele traz?

A função principal, por sua vez, diminui sua força e já não trabalha a pleno vapor. Ela cede lugar ao que nunca teve espaço de ser.  Está-se perdido em alto mar. Já não se intui como antes, ou não se pensa mais com aquela lógica cortadora de cabeças capaz de salvar qualquer empresa da falência, ou não se sente com a mesma desenvoltura carismática e sedutora nos meios sociais, ou se descuida das coisas práticas da vida que se fazia de olhos fechados com 5 iphones e 1 micro-ondas.

Estamos dentro de um barquinho unilateral avesso aos jogos das polaridades, no meio de um oceano inóspito aos medicamentos controlados, encarando uma fera faminta cheia de garras e dentes pontiagudos que reluzem nossas facetas adormecidas.  Quantos de nós, ao tentar controlar o processo respondendo a ele como um disco arranhado nos códigos de outrora, seremos devorados pelos próprios fiascos?

Eu!

A primeira função acostumada a ser um grande e feroz rio desbravador de vales e montanhas cederá diante do desconhecido deserto escaldante? Nunca!  E quando virar uma pocinha?   

Em todo o caso, o tigre está a serviço do resgate dos tesouros perdidos no inconsciente.  Por isso, às vezes, não ficamos com a paixão da nossa vida ou não conseguimos reverter um desmoronamento no trabalho ou no casamento, eram só pretextos para nos tirar de uma vida insustentável. 


Como a fera, é preciso voltar para o mundo selvagem sem olhar para trás e deixar o náufrago (nós mesmos) acordar para a sua nova vida. Ganhamos algo diferente depois desta provação, o amor místico que não nega nem projeta  em seu amar sem fim.





O QUERERES (Caetano Veloso)
intérprete Maria Bethânia

Onde queres revólver, sou coqueiro
E onde queres dinheiro, sou paixão
Onde queres descanso, sou desejo
E onde sou só desejo, queres não
E onde não queres nada, nada falta
E onde voas bem alto, eu sou o chão
E onde pisas o chão, minha alma salta
E ganha liberdade na amplidão
Onde queres família, sou maluco
E onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon, sou Pernambuco
E onde queres eunuco, garanhão
Onde queres o sim e o não, talvez
E onde vês, eu não vislumbro razão
Onde o queres o lobo, eu sou o irmão
E onde queres cowboy, eu sou chinês
Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor
Onde queres o ato, eu sou o espírito
E onde queres ternura, eu sou tesão
Onde queres o livre, decassílabo
E onde buscas o anjo, sou mulher
Onde queres prazer, sou o que dói
E onde queres tortura, mansidão
Onde queres um lar, revolução
E onde queres bandido, sou herói
Eu queria querer-te amar o amor
Construir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação
Tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e é de viés
E vê só que cilada o amor me armou
Eu te quero (e não queres) como sou
Não te quero (e não queres) como és
Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor
Onde queres comício, flipper-vídeo
E onde queres romance, rock?n roll
Onde queres a lua, eu sou o sol
E onde a pura natura, o inseticídio
Onde queres mistério, eu sou a luz
E onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro
E onde queres coqueiro, eu sou obus
O quereres e o estares sempre a fim
Do que em mim é em mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal
Bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal
E eu querendo querer-te sem ter fim
E, querendo-te, aprender o total
Do querer que há, e do que não há em mim

*Os analistas junguianos podem ajudar nesta jornada de autodescoberta. Há também testes para pesquisar a nossa adaptação da consciência ao mundo (função principal) e a segunda, terceira e quarta função, mas leva algum tempo para descobri-las e confrontá-las com a nossa realidade. Coloco abaixo alguns links se interessar:



       

28 de ago. de 2013

31) A Diferença entre o Monismo e o Dualismo


 LOVE WILL FIND A WAY

Será mesmo que o amor encontrará o caminho?


DIFERENÇA ENTRE O DUALISMO E O MONISMO,
com e sem o princípio Divino:



Dualismo com o princípio Divino – Espírito Universal separado da matéria. Aqui a gente reza: Por favor, Deus, me salva deste mundo sujo e pecaminoso!

Dualismo sem o princípio Divino – mente e corpo são duas substâncias diferentes. Deus tá morrendo e a mente é o novo soberano tentando criar a vida!

Monismo Idealista sem o princípio Divino –  Mente e corpo estão ancorados na mente. Repita comigo: eu sou feliz, eu ganho dinheiro, eu caso com a pessoa perfeita. O deus Mente vira um holograma que podemos comandar.

Monismo Materialista – mente e corpo são matéria. Deus????!!!!

Monismo – corpo e mente são a mesma substância. Descamba para o monismo idealista sem o princípio divino ou o monismo materialista.

Monismo Idealista com o princípio Divino  – Mente e corpo são manifestações de uma mesma substância, a Fonte Universal. Aqui quando se pensa no Divino já se faz porque a Fonte  age no que se fez, então o resultado é Dela que não precisa perguntar pelo caminho: Love will find a way.


20 de ago. de 2013

30) O sucesso em nossa vida - Bert Hellinger

Sucesso em nossa vida
Bert Hellinger
Seminários da Hellinger Schule no mundo:

https://www2.hellinger.com/br/pagina/seminario/datas-dos-seminarios-e-registro-para-seminarios/

 Tradução Manika

Ilustração de Bábara Lavalle
 para o Livro "Mamãe, você me ama?" de Bárbara M. Joose


O texto a seguir é de autoria do Bert Hellinger  e está disponível no site da HELLINGERSCHULE em inglês no link acima, é só clicar nele que você será direcionado/a para o artigo.

O Nascimento
O primeiro e decisivo sucesso em nossa vida é o nascimento. O seu  êxito se dá melhor e mais consistentemente quando empurramos o caminho para a luz com o nosso próprio esforço, sem intervenção externa. Aqui tivemos que provar a nossa capacidade de ser assertivos  e  nos afirmar. Este sucesso continua a nos apoiar ao longo da vida. A partir desta experiência ganhamos mais tarde a força para nos afirmarmos com sucesso.
Eu já consegui ir tão longe? O que essa conquista tem a ver com o sucesso profissional? Será mesmo que o nosso sucesso na vida mais tarde depende deste primeiro sucesso? Como as pessoas que vieram ao mundo através da cesariana, ou foram puxadas para a vida com um fórceps se comportam mais tarde? Ou se elas vieram muito cedo e, em seguida, tiveram que  passar semanas ou mesmo meses em uma incubadora? Como agem em relação à autoconfiança e à assertividade? Claro que os efeitos destas experiências iniciais podem ser ultrapassados posteriormente, ao menos parcialmente. E nós também podemos ganhar forças especiais com elas mais tarde, como acontece com qualquer dificuldade ou fardo. Ainda assim, estes eventos apresentam limitações e se transformam em desafios capazes de serem superados por nós uma vez que suas raízes sejam compreendidas. Desta forma, podemos ser capazes de compensar o que foi perdido, ou mesmo recuperá-lo de alguma outra forma, muitas vezes com a ajuda de outros.

Ir ao encontro e tomar a nossa mãe
O próximo evento decisivo e o próximo sucesso é o movimento em direção à nossa mãe,  agora como contrapartida a nos oferecer o seu peito e a nos alimentar. Ganhamos a vida dela novamente com o seu leite, desta vez do lado de fora.  Qual é a qualidade do sucesso  aqui que nos prepara para os futuros sucessos, tanto na vida como no trabalho? Ao tomar a mãe como a fonte de nossa vida, com tudo o que flui através dela para nós, tomamos nossa própria existência; na medida em que tomamos a nossa mãe, aceitamos nossa vida como um todo. Este tomar é ativo. Precisamos sugar para seu leite fluir. Precisamos chamar para que ela venha. Precisamos nos alegrar com o que ela nos dá e mostrar isso ao mundo.  Através dela nos tornamos mais ricos.
Mais tarde na vida vemos que aqueles que tiveram sucesso pleno tomaram sua mãe exatamente assim, e tornaram-se felizes e vitoriosos. Em geral, como nos relacionamos com a nossa mãe é como nos relacionamos com a vida, incluindo aí a vida profissional. Se nós rejeitamos a nossa mãe, nós também rejeitamos a vida e o trabalho. E, na mesma medida, trabalho e a vida nos rejeitam. Seguindo este mesmo movimento, as pessoas felizes em relação à sua mãe amam o trabalho e a vida. E assim como sua mãe dá a elas cada vez mais, à medida que dela tomam com amor, com a mesma intensidade, sua vida e seu trabalho dar-lhes-ão sucesso.
Aqueles que têm reservas sobre suas mães, também têm reservas sobre a vida e a felicidade. Assim como suas mães se retiram deles como resultado de suas reservas e da rejeição, a vida e o sucesso se retiram também.
Onde nosso sucesso começa? Ele começa com a nossa mãe.
Como o sucesso chega a nós? Quando nossa mãe é bem-vinda e quando a honramos como nossa mãe, o sucesso chega.

O movimento em direção a nossa mãe
Para muitas pessoas há algumas vivências na tenra idade que bloqueiam o caminho para a mãe. Elas experimentam uma separação prematura de suas progenitoras, por exemplo. Talvez tenham sido esquecidas por algum tempo, ou suas mães estavam doentes, ou a própria criança estava doente e sua mãe não tinha permissão de visitá-la. Este tipo de vivência, doravante, resulta em uma mudança profunda em nossos sentimentos e comportamento. Através da dor da separação e do sentimento de estar perdido sem a mãe, o desespero de não ser capaz de estar com ela, ela, a quem precisamos tanto, uma decisão é tomada e diz, por exemplo: “Eu desisto”, “Eu permaneço sozinho”, “Eu mantenho distância dela”, ou “Eu fico longe dela”. Mais tarde, quando é permitido a esta criança que  vá até sua mãe, ela ou ele frequentemente se mantém distante. Esta criança pode não deixar sua mãe tocá-la novamente; ela se fecha para a mãe e para o amor. A mãe espera em vão e quando tenta chegar mais perto, para pegar seu filho em seus braços, a criança mantém a rejeição interna, e, frequentemente, também expressa seu repúdio.


As consequências do movimento interrompido em direção à mãe

A interrupção prematura do movimento em direção à mãe têm amplas consequências em nossas vidas e no sucesso ao longo da existência. Quando, mais tarde, uma criança com este tipo de experiência quer ir até alguém, para um parceiro, por exemplo, o corpo se lembra do trauma da separação na tenra idade. Então ela para o movimento. Ao invés de seguir seu movimento, espera que o outro se aproxime. Geralmente quando o outro vem, ela tem problemas para tolerar a proximidade. Rejeita de uma ou outra maneira o parceiro, ao invés de acolher alegremente esta pessoa. Isto causa sofrimento, mas ainda assim só consegue se abrir para o outro com reservas, se não em tudo, e por pouco tempo.
Estas pessoas tem a mesma experiência com seus próprios filhos. Frequentemente terão problemas em tolerar a proximidade deles. Qual é a solução? Ultrapassa-se este trauma onde ele se origina. Geralmente, atrás de praticamente todo o trauma existe um situação onde um movimento é necessário, mas é impossível, e ao invés de seguirmos, nós nos mantemos parados, congelados no tempo. Como este trauma, esta “petrificação”,  pode ser resolvida?  O trauma se resolve em nosso sentimento e em nossa memória, quando ao invés do medo, nós retornamos à situação dolorosa e fazemos o que outrora era impossível.
Nós entramos no movimento interrompido e nos movemos além do que andamos anteriormente. O que isto significa em relação à interrupção prematura em direção à nossa mãe? Nós voltamos para dentro daquela situação como fora anos atrás, nos tornamos aquela criança naqueles dias e olhamos para a nossa mãe como fizemos.
Mesmo que a dor, a frustração e raiva brotem novamente dentro de nós, tomamos um pequeno passo em direção a ela - com amor. Fazemos uma pausa, olhamos em seus olhos, e esperamos a coragem e a força para dar o próximo pequeno passo.
Novamente paramos, sentimos e conscientemente reconhecemos nossos sentimentos, agora podemos suportá-los com amor por nós mesmos e por nossa mãe. Então, bravamente damos mais um pequeno passo, e de novo, lentamente, um passo após o outro até estarmos nos braços de nossa mãe, abrindo mão de toda resistência, nos entregando ao seu corpo, abraçando-a bem apertado no segredo de sua presença, de volta, finalmente, juntos no amor que temos por ela e nunca nos deixou ou a ela, sentindo o amor de mãe que também nunca nos abandonou: eu com ela novamente. Mais tarde testamos, aqui também como a primeira vez em um movimento interior, se poderíamos ter sucesso neste movimento em direção ao nosso amado parceiro ou amada companheira. Nós olhamos nos olhos dele ou dela e, em vez de esperar que venha a nós, tomamos o primeiro pequeno passo para ele ou ela  interiormente. Depois de um tempo, quando tivermos angariado a segurança necessária, levamos o outro pé à frente. Assim, lentamente, por meio de pequenos passos, ganhamos confiança, pé ante pé seguindo adiante até, finalmente, envolvermos o amado em nossos braços e os dele nos tomando, e, num abraço envolvente nós nos apoiamos facilitando esta realização. Continue ainda o movimento em direção a outra pessoa, deixando corpo e alma se encontrarem cada vez mais profundamente e permanecendo assim, em felicidade, por um logo tempo.

O Movimento em direção ao Sucesso
Uma interrupção precoce no movimento em direção à nossa mãe revela-se, posteriormente, como um obstáculo decisivo para o nosso sucesso no trabalho, na nossa profissão, em nossos empreendimentos. Aqui, também, é muito importante que caminhemos em direção ao sucesso ao invés de esperar que ele venha até nós. Um bom exemplo é quando esperamos o retorno sem termos nos esforçado e conquistado o que corresponde a nossas expectativas, ou quando insistimos para que outros façam o trabalho ao invés de nós mesmos nos entregarmos para ele, ou quando nos escondemos ao invés de alegremente irmos em direção às pessoas e ao trabalho. Todo  sucesso tem o rosto da nossa mãe.  
Aqui, também, nós praticamos isso com um movimento interior para o nosso sucesso, com  outras pessoas, em nossa vontade de conseguir algo para elas, preparados para atendê-los, ao invés de hesitar, permanecendo parados e esperando que se movam. Vamos em direção a eles, vamos para o nosso sucesso, passo a passo - e em cada etapa, sentimos nossa mãe carinhosamente atrás de nós. Na proximidade com ela, estamos muito bem equipados para o nosso sucesso e nós chegamos lá, assim como, anteriormente, conseguimos nos reunir com  ela. Em primeiro lugar, nos movemos até ela - e agora para o nosso sucesso.

Gentilmente se vire para os outros
Virar-se para alguém gentilmente é um movimento que começa em nosso coração. Ele vem facilmente, uma vez que se teve sucesso no movimento em direção à nossa mãe. Mas o que acontece se algo estiver em nosso caminho até ela ou se o movimento foi interrompido no início da vida? Como consequência, em vez de virarmos para os outros e para nós mesmos com amor e respeito, nos afastamos de nós mesmos e dos outros. Afastar-se interna e externamente passa a ser o nosso movimento básico em nossas relações, incluindo a nossa relação com o sucesso. Como o afastar-se pode se transformar no movimento de se virar gentilmente em direção a alguém ou à alguma coisa, à nosso vida, ao nosso sucesso e nossa felicidade?
Eu sugiro um exercício para isso. Com esta ajuda, você poderá perceber os movimentos internos do seu corpo, primeiramente o afastar-se; depois você pode se voltar em direção a algo num movimento mais abrangente.
Aqui segue o exercício em detalhes:
1.    Sentamos com a coluna ereta na beira de uma cadeira e os pés no chão. Respiramos profundamente, com a boca e o nariz. Mantemos os olhos abertos e repetimos esta respiração duas vezes. Depois nós fechamos os olhos e respiramos normalmente. Nossas mãos repousam sobre as nossas coxas com as palmas viradas para baixo.

2.    Lentamente estendemos nossos braços para frente, mais e mais, como se fossemos alcançar alguém. Permanecemos sentados sem inclinar o tronco, sentindo como nossa coluna fica mais em pé à medida que estendemos mais e mais nossos braços. Em nossa mente, nós tentamos alcançar nossa mãe.

3.    Permanecendo nesta posição, nós nos conscientizamos quantas vezes em nossa vida, de diferentes formas, nós nos afastamos dos outros, ao invés de irmos em direção a eles. Ficamos nesta posição, mesmo que seja difícil para nós neste momento. Movemos nossos braços e nossas mãos abertas para frente ainda mais, enquanto permanecemos com a coluna ereta.
4.    Lenta e gentilmente abrimos os olhos. Sem nos mexermos, nossos olhos percebem o ambiente como um todo. Voltamo-nos para isso, para frente, para cada lado, até para trás.

5.    Nós também abrimos nossos ouvidos para o ambiente. De forma ampla, prontos e dispostos a ouvir tudo e qualquer coisa que os outros querem que saibamos, e juntos  experimentamos a nós mesmos virando para nossa mãe e para as muitas outras pessoas com amor e confiança, em harmonia com todos.

6.  Respiramos mais três vezes profundamente. Como? Primeiro expiramos, e então inspiramos e expiramos as três vezes. Permanecemos sentados com a coluna ereta, ligeiramente inclinada para frente.

7.   De repente sentimos uma conexão diferenciada com muitas pessoas, nossos olhos estão mais abertos e brilhantes.  Nossos ouvidos também se abrem para elas, e sentimos que nos viramos em direção a elas de forma diferente, e também para aqueles com quem estamos conectados pela profissão e pelos negócios.

8.    O que acontece com nosso sucesso agora? Ele nos mantém esperando? O que acontece com a nossa alegria e felicidade? Elas se viram para nós, como nossa mãe.

627) Stellium em Áries nas 12 Casas Astrológicas

  Stellium em Áries nas 12 Casas Astrológicas - 2026 Mônica Clemente (Manika) Hoje - 17-04- 2026 -  compartilho com você um vídeo sobre o St...