28 de ago. de 2013

31) A Diferença entre o Monismo e o Dualismo


 LOVE WILL FIND A WAY

Será mesmo que o amor encontrará o caminho?


DIFERENÇA ENTRE O DUALISMO E O MONISMO,
com e sem o princípio Divino:



Dualismo com o princípio Divino – Espírito Universal separado da matéria. Aqui a gente reza: Por favor, Deus, me salva deste mundo sujo e pecaminoso!

Dualismo sem o princípio Divino – mente e corpo são duas substâncias diferentes. Deus tá morrendo e a mente é o novo soberano tentando criar a vida!

Monismo Idealista sem o princípio Divino –  Mente e corpo estão ancorados na mente. Repita comigo: eu sou feliz, eu ganho dinheiro, eu caso com a pessoa perfeita. O deus Mente vira um holograma que podemos comandar.

Monismo Materialista – mente e corpo são matéria. Deus????!!!!

Monismo – corpo e mente são a mesma substância. Descamba para o monismo idealista sem o princípio divino ou o monismo materialista.

Monismo Idealista com o princípio Divino  – Mente e corpo são manifestações de uma mesma substância, a Fonte Universal. Aqui quando se pensa no Divino já se faz porque a Fonte  age no que se fez, então o resultado é Dela que não precisa perguntar pelo caminho: Love will find a way.


20 de ago. de 2013

30) O sucesso em nossa vida - Bert Hellinger

Sucesso em nossa vida
Bert Hellinger
Seminários da Hellinger Schule no mundo:

https://www2.hellinger.com/br/pagina/seminario/datas-dos-seminarios-e-registro-para-seminarios/

 Tradução Manika

Ilustração de Bábara Lavalle
 para o Livro "Mamãe, você me ama?" de Bárbara M. Joose


O texto a seguir é de autoria do Bert Hellinger  e está disponível no site da HELLINGERSCHULE em inglês no link acima, é só clicar nele que você será direcionado/a para o artigo.

O Nascimento
O primeiro e decisivo sucesso em nossa vida é o nascimento. O seu  êxito se dá melhor e mais consistentemente quando empurramos o caminho para a luz com o nosso próprio esforço, sem intervenção externa. Aqui tivemos que provar a nossa capacidade de ser assertivos  e  nos afirmar. Este sucesso continua a nos apoiar ao longo da vida. A partir desta experiência ganhamos mais tarde a força para nos afirmarmos com sucesso.
Eu já consegui ir tão longe? O que essa conquista tem a ver com o sucesso profissional? Será mesmo que o nosso sucesso na vida mais tarde depende deste primeiro sucesso? Como as pessoas que vieram ao mundo através da cesariana, ou foram puxadas para a vida com um fórceps se comportam mais tarde? Ou se elas vieram muito cedo e, em seguida, tiveram que  passar semanas ou mesmo meses em uma incubadora? Como agem em relação à autoconfiança e à assertividade? Claro que os efeitos destas experiências iniciais podem ser ultrapassados posteriormente, ao menos parcialmente. E nós também podemos ganhar forças especiais com elas mais tarde, como acontece com qualquer dificuldade ou fardo. Ainda assim, estes eventos apresentam limitações e se transformam em desafios capazes de serem superados por nós uma vez que suas raízes sejam compreendidas. Desta forma, podemos ser capazes de compensar o que foi perdido, ou mesmo recuperá-lo de alguma outra forma, muitas vezes com a ajuda de outros.

Ir ao encontro e tomar a nossa mãe
O próximo evento decisivo e o próximo sucesso é o movimento em direção à nossa mãe,  agora como contrapartida a nos oferecer o seu peito e a nos alimentar. Ganhamos a vida dela novamente com o seu leite, desta vez do lado de fora.  Qual é a qualidade do sucesso  aqui que nos prepara para os futuros sucessos, tanto na vida como no trabalho? Ao tomar a mãe como a fonte de nossa vida, com tudo o que flui através dela para nós, tomamos nossa própria existência; na medida em que tomamos a nossa mãe, aceitamos nossa vida como um todo. Este tomar é ativo. Precisamos sugar para seu leite fluir. Precisamos chamar para que ela venha. Precisamos nos alegrar com o que ela nos dá e mostrar isso ao mundo.  Através dela nos tornamos mais ricos.
Mais tarde na vida vemos que aqueles que tiveram sucesso pleno tomaram sua mãe exatamente assim, e tornaram-se felizes e vitoriosos. Em geral, como nos relacionamos com a nossa mãe é como nos relacionamos com a vida, incluindo aí a vida profissional. Se nós rejeitamos a nossa mãe, nós também rejeitamos a vida e o trabalho. E, na mesma medida, trabalho e a vida nos rejeitam. Seguindo este mesmo movimento, as pessoas felizes em relação à sua mãe amam o trabalho e a vida. E assim como sua mãe dá a elas cada vez mais, à medida que dela tomam com amor, com a mesma intensidade, sua vida e seu trabalho dar-lhes-ão sucesso.
Aqueles que têm reservas sobre suas mães, também têm reservas sobre a vida e a felicidade. Assim como suas mães se retiram deles como resultado de suas reservas e da rejeição, a vida e o sucesso se retiram também.
Onde nosso sucesso começa? Ele começa com a nossa mãe.
Como o sucesso chega a nós? Quando nossa mãe é bem-vinda e quando a honramos como nossa mãe, o sucesso chega.

O movimento em direção a nossa mãe
Para muitas pessoas há algumas vivências na tenra idade que bloqueiam o caminho para a mãe. Elas experimentam uma separação prematura de suas progenitoras, por exemplo. Talvez tenham sido esquecidas por algum tempo, ou suas mães estavam doentes, ou a própria criança estava doente e sua mãe não tinha permissão de visitá-la. Este tipo de vivência, doravante, resulta em uma mudança profunda em nossos sentimentos e comportamento. Através da dor da separação e do sentimento de estar perdido sem a mãe, o desespero de não ser capaz de estar com ela, ela, a quem precisamos tanto, uma decisão é tomada e diz, por exemplo: “Eu desisto”, “Eu permaneço sozinho”, “Eu mantenho distância dela”, ou “Eu fico longe dela”. Mais tarde, quando é permitido a esta criança que  vá até sua mãe, ela ou ele frequentemente se mantém distante. Esta criança pode não deixar sua mãe tocá-la novamente; ela se fecha para a mãe e para o amor. A mãe espera em vão e quando tenta chegar mais perto, para pegar seu filho em seus braços, a criança mantém a rejeição interna, e, frequentemente, também expressa seu repúdio.


As consequências do movimento interrompido em direção à mãe

A interrupção prematura do movimento em direção à mãe têm amplas consequências em nossas vidas e no sucesso ao longo da existência. Quando, mais tarde, uma criança com este tipo de experiência quer ir até alguém, para um parceiro, por exemplo, o corpo se lembra do trauma da separação na tenra idade. Então ela para o movimento. Ao invés de seguir seu movimento, espera que o outro se aproxime. Geralmente quando o outro vem, ela tem problemas para tolerar a proximidade. Rejeita de uma ou outra maneira o parceiro, ao invés de acolher alegremente esta pessoa. Isto causa sofrimento, mas ainda assim só consegue se abrir para o outro com reservas, se não em tudo, e por pouco tempo.
Estas pessoas tem a mesma experiência com seus próprios filhos. Frequentemente terão problemas em tolerar a proximidade deles. Qual é a solução? Ultrapassa-se este trauma onde ele se origina. Geralmente, atrás de praticamente todo o trauma existe um situação onde um movimento é necessário, mas é impossível, e ao invés de seguirmos, nós nos mantemos parados, congelados no tempo. Como este trauma, esta “petrificação”,  pode ser resolvida?  O trauma se resolve em nosso sentimento e em nossa memória, quando ao invés do medo, nós retornamos à situação dolorosa e fazemos o que outrora era impossível.
Nós entramos no movimento interrompido e nos movemos além do que andamos anteriormente. O que isto significa em relação à interrupção prematura em direção à nossa mãe? Nós voltamos para dentro daquela situação como fora anos atrás, nos tornamos aquela criança naqueles dias e olhamos para a nossa mãe como fizemos.
Mesmo que a dor, a frustração e raiva brotem novamente dentro de nós, tomamos um pequeno passo em direção a ela - com amor. Fazemos uma pausa, olhamos em seus olhos, e esperamos a coragem e a força para dar o próximo pequeno passo.
Novamente paramos, sentimos e conscientemente reconhecemos nossos sentimentos, agora podemos suportá-los com amor por nós mesmos e por nossa mãe. Então, bravamente damos mais um pequeno passo, e de novo, lentamente, um passo após o outro até estarmos nos braços de nossa mãe, abrindo mão de toda resistência, nos entregando ao seu corpo, abraçando-a bem apertado no segredo de sua presença, de volta, finalmente, juntos no amor que temos por ela e nunca nos deixou ou a ela, sentindo o amor de mãe que também nunca nos abandonou: eu com ela novamente. Mais tarde testamos, aqui também como a primeira vez em um movimento interior, se poderíamos ter sucesso neste movimento em direção ao nosso amado parceiro ou amada companheira. Nós olhamos nos olhos dele ou dela e, em vez de esperar que venha a nós, tomamos o primeiro pequeno passo para ele ou ela  interiormente. Depois de um tempo, quando tivermos angariado a segurança necessária, levamos o outro pé à frente. Assim, lentamente, por meio de pequenos passos, ganhamos confiança, pé ante pé seguindo adiante até, finalmente, envolvermos o amado em nossos braços e os dele nos tomando, e, num abraço envolvente nós nos apoiamos facilitando esta realização. Continue ainda o movimento em direção a outra pessoa, deixando corpo e alma se encontrarem cada vez mais profundamente e permanecendo assim, em felicidade, por um logo tempo.

O Movimento em direção ao Sucesso
Uma interrupção precoce no movimento em direção à nossa mãe revela-se, posteriormente, como um obstáculo decisivo para o nosso sucesso no trabalho, na nossa profissão, em nossos empreendimentos. Aqui, também, é muito importante que caminhemos em direção ao sucesso ao invés de esperar que ele venha até nós. Um bom exemplo é quando esperamos o retorno sem termos nos esforçado e conquistado o que corresponde a nossas expectativas, ou quando insistimos para que outros façam o trabalho ao invés de nós mesmos nos entregarmos para ele, ou quando nos escondemos ao invés de alegremente irmos em direção às pessoas e ao trabalho. Todo  sucesso tem o rosto da nossa mãe.  
Aqui, também, nós praticamos isso com um movimento interior para o nosso sucesso, com  outras pessoas, em nossa vontade de conseguir algo para elas, preparados para atendê-los, ao invés de hesitar, permanecendo parados e esperando que se movam. Vamos em direção a eles, vamos para o nosso sucesso, passo a passo - e em cada etapa, sentimos nossa mãe carinhosamente atrás de nós. Na proximidade com ela, estamos muito bem equipados para o nosso sucesso e nós chegamos lá, assim como, anteriormente, conseguimos nos reunir com  ela. Em primeiro lugar, nos movemos até ela - e agora para o nosso sucesso.

Gentilmente se vire para os outros
Virar-se para alguém gentilmente é um movimento que começa em nosso coração. Ele vem facilmente, uma vez que se teve sucesso no movimento em direção à nossa mãe. Mas o que acontece se algo estiver em nosso caminho até ela ou se o movimento foi interrompido no início da vida? Como consequência, em vez de virarmos para os outros e para nós mesmos com amor e respeito, nos afastamos de nós mesmos e dos outros. Afastar-se interna e externamente passa a ser o nosso movimento básico em nossas relações, incluindo a nossa relação com o sucesso. Como o afastar-se pode se transformar no movimento de se virar gentilmente em direção a alguém ou à alguma coisa, à nosso vida, ao nosso sucesso e nossa felicidade?
Eu sugiro um exercício para isso. Com esta ajuda, você poderá perceber os movimentos internos do seu corpo, primeiramente o afastar-se; depois você pode se voltar em direção a algo num movimento mais abrangente.
Aqui segue o exercício em detalhes:
1.    Sentamos com a coluna ereta na beira de uma cadeira e os pés no chão. Respiramos profundamente, com a boca e o nariz. Mantemos os olhos abertos e repetimos esta respiração duas vezes. Depois nós fechamos os olhos e respiramos normalmente. Nossas mãos repousam sobre as nossas coxas com as palmas viradas para baixo.

2.    Lentamente estendemos nossos braços para frente, mais e mais, como se fossemos alcançar alguém. Permanecemos sentados sem inclinar o tronco, sentindo como nossa coluna fica mais em pé à medida que estendemos mais e mais nossos braços. Em nossa mente, nós tentamos alcançar nossa mãe.

3.    Permanecendo nesta posição, nós nos conscientizamos quantas vezes em nossa vida, de diferentes formas, nós nos afastamos dos outros, ao invés de irmos em direção a eles. Ficamos nesta posição, mesmo que seja difícil para nós neste momento. Movemos nossos braços e nossas mãos abertas para frente ainda mais, enquanto permanecemos com a coluna ereta.
4.    Lenta e gentilmente abrimos os olhos. Sem nos mexermos, nossos olhos percebem o ambiente como um todo. Voltamo-nos para isso, para frente, para cada lado, até para trás.

5.    Nós também abrimos nossos ouvidos para o ambiente. De forma ampla, prontos e dispostos a ouvir tudo e qualquer coisa que os outros querem que saibamos, e juntos  experimentamos a nós mesmos virando para nossa mãe e para as muitas outras pessoas com amor e confiança, em harmonia com todos.

6.  Respiramos mais três vezes profundamente. Como? Primeiro expiramos, e então inspiramos e expiramos as três vezes. Permanecemos sentados com a coluna ereta, ligeiramente inclinada para frente.

7.   De repente sentimos uma conexão diferenciada com muitas pessoas, nossos olhos estão mais abertos e brilhantes.  Nossos ouvidos também se abrem para elas, e sentimos que nos viramos em direção a elas de forma diferente, e também para aqueles com quem estamos conectados pela profissão e pelos negócios.

8.    O que acontece com nosso sucesso agora? Ele nos mantém esperando? O que acontece com a nossa alegria e felicidade? Elas se viram para nós, como nossa mãe.

11 de ago. de 2013

29) Pai para todos os pais!


Trilha sonora para um relato que acabou ficando muito pessoal, mas é sobre o pai. 
...Nada mais íntimo do que esta realização em um/a filho/a. 

De qq maneira, a intenção é de que seja, como amor, para todos os homens que viraram pai, por exemplo, o meu pai e os que vieram antes dele, ou você, ou seu pai.


"Catendé"
Antonio Carlos & Jocafi, Ildásio Tavares e Onias Camardelli
(Álbum "Vinícius de Moraes Grabado en Buenos Aires"
 - um dos melhoresde MPB gravados ao vivo - maravilhoso!)


Atrás do meu avô, tem o Nono, e dele vieram todos os pais. Atrás da minha avó, o Mariano, e dele mais pais. Tem o Domingos, pai da minha mãe e atrás, apoiando, tem o Zin com outros pais. Tem o pai da minha avó materna, e atrás dele paz com todos os pais.  Uns da Espanha, outros da Itália e outros de Portugal. Tem os povos indígenas, pais e mães de minhas bisavós paterna e materna e atrás delas todos os pais. Genaros, Tupi Guaranis e mais. Tem meu pai e minha mãe brasileiros que me trouxeram todos estes pais e países, estas mães e matrizes. Muitos homens amaram as suas mulheres, mesmo que por um momento, até chegar no/a filho/a. Eu venho daí, desse oceano infinito de amor. Quando se reverencia os pais e as mães se olha longe, a verdadeira riqueza é extensa, fica mais fácil assim.

       Ninguém pode me impedir de ter meus tesouros. Nenhuma lei, nenhuma chantagem, nenhum ciúme, nenhuma crença, nenhuma mágoa minha, nenhuma mãe devoradora, nenhum erro do pai pelo caminho. Ele, o pai, não o erro, “é o certo para mim” (Hellinger).

Quanto tempo se precisa para realizar isso?

Se eu tiver que lutar com dragões - internos e externos - para libertar meu pai do mundo das (minhas e das auto-impostas) exclusões, eu lutarei! Não importa nem se ele não me quiser, ou se cometeu um ato terrível. Ele me deu a vida. 

E sua mão, mesmo se já partiu ou se nunca o conheci, me liberta de toda prisão. É só imaginar a mão dele segurando a minha, sem precisar chamar o desespero para ter coragem de pedir isso.  Se houve algum pai adotivo, eu o aceito também, com o meu pai de sangue atrás de mim. Mesmo que ele tenha me abandonado é da sua seiva que eu chego a você como filh@ e eu reverencio o essencial também, ou quando não me resta mais nada. E isso já é tanto...

Tomar o pai e a mãe, aprendi, é uma ação de recebê-los como pessoas que são (Hellinger, 2009). Não seus erros e acertos, seus abandonos e presenças. Tomá-los com todo o suporte das distâncias ancestrais até as últimas consequências: @s filh@s, eu, você @s outr@s.

E, no caso das relações amorosas, tenho sentido, a mulher que recebe todas as suas mães, da mais próxima a mais distante, sem julgamentos, entrega-se totalmente ao amor, assim como o homem apoiado por seus pais e avôs paternos e maternos é capaz de consumar a união.  Assim, transbordamos e com isso atraímos e sustentamos toda a relação. Todas as outras diferenças desaparecem e fica a real, um homem e uma mulher se amando, ou dois homens e duas mulheres com suas singularidades também!

Se, desde o nascimento eu saboreava sem ninguém me dizer, que "quem se alegra com a própria mãe, ganha" (Hellinger, 2009: 74), há pouco tempo e a duras penas por causa da minha arrogância eu aprendi que ter pai não é só um presente oceânico, mas uma conquista que leva para frente, preenche o vazio e dá sentidos – coisa dos afetos.  

Há anos, muitos destes afetos mais desconcertantes e sem nomes me surgiam com um álbum de Vinicius de Moraes e, principalmente, com uma música chamada Catendé, dos poetas Antonio Carlos & Jocafi, Ildásio Tavares e Onias Camardelli. Meu pai, pianista também, me apresentou as primeiras delas, talvez para me ajudar a chegar até ele, como sinais de esperança a um farol esquecido. Hoje eu pergunto, se pudesse falar comigo sem as dobras do tempo, quantos anos eu ainda manteria, teimosamente, o extraordinário sem rosto, o espanto sem as estrelas e os meus cantos sem cantor? 


Immer Du!
(Sempre você)
Só para constar, meu pai sempre esteve presente e ao nosso lado apoiando em tudo, como o pai dele e da minha mãe. Tenho boas experiências com os pais. Por outro lado, muitas vezes, é o/a filho/a que se fecha. Este foi nosso caso, eu tive que me abrir para ter um pai, não ele que sempre esteve aberto e disponível para todos nós.

________________________________
"Catendé"
Antonio Carlos & Jocafi, Ildásio Tavares e Onias Camardelli





Meu catendê ... de lá de China
Luante, meu catendê

Meu catendê ... de lá de China
Luante, meu catendê


Varre a voz o vendaval
Perdido no céu de espanto
Meu barco fere a distância
No disparo da inconstância
Me encontrei sem me esperar
Quanto mais o tempo avança
Mais me perco neste mar
E no rumo do segredo
Caminhei todo o caminho

Ei lá
Maré brava maré mansa
Ei lá
Vou na trilha da esperança
Ei lá
Vou no passo da alvorada
Ei lá
Mar amor enamorada

De segredo e de procura
Fiz do medo o meu amigo
E de força sempre pura
O meu canto se encontrou
E no fim da jornada
Vi meu canto crescer
Há tanto escuro na estrada 
Esperando o sol nascer
Vou cantar pela vida
O meu canto de amor
Há tanta dor escondida
Tanto canto sem cantor

Ei lá
Maré brava maré mansa
Ei lá
Vou na trilha da esperança
Ei lá
Vou no passo da alvorada
Ei lá
Mar amor enamorada




3 de jul. de 2013

28) A Swastika, as 4 funções Psíquicas e o Centro


O centro é a síntese,
ou algo que ultrapassa
 nos colapsando em nova configuração, em novos estados de inteireza? 



Para refletir sobre esta questão me apoiarei no signo da Cruz, especificamente na swastika que propõe em suas hélices o movimento de liberação, nas 4 funções psíquicas observadas por Jung e no Centramento proposto por Bert Hellinger.

 A cruz tem 4 pontas, duas direções e um encontro entre eles, o seu centro. A respiração também tem 4 movimentos (inspira, pausa cheia, expira, pausa vazia), duas direções e um centro.


A Cruz mais antiga conhecida na cultura humana é a swastika, encontrada na civilização do Vale do Indo . Ela tem em seus 4 braços outros traços para além dos eixos vertical e horizontal. Neles pode-se ler a ideia de movimento. Interpreto que, se somos também atravessados por verticalidades e horizontalidades e estamos vivos, em circulação, em movimento como as hélices da swastika,  nós rodopiamos não só pelo incessante escoamento da vida, mas pela possibilidade de chegarmos ao centro, ao Sol interior, à liberação.


Segundo Jung, o Símbolo da Cruz, imagem arquetípica, não importa suas variações, tem relação estreita com a árvore da vida, escada, ponte entre a Terra e o Céu, portanto, a mãe (Silveira, 2006: 131). 


Não é nela que o Corpo e o Espírito por meio do pai, se unem no/a filho/a?

Ah, se em sonhos uma escada te derruba em desfiladeiros...

Que ideia de mãe transforma a cruz em local de coroas de espinhos e pregações, de sacrifício de filho para espiar a culpa do mundo?

Que ideia de mãe transforma a cruz em símbolo de guerra e genocídios?

Quando deixaremos a  MÃE EM PAZ?...


O vertical e o horizontal constituem a adaga com suas polaridades irreconciliáveis como o dia e a noite, bem e mal, vida e morte, masculino e feminino e estes, ao se ultrapassarem se encontram em seu centro. Não acredito, porém, como alguns dizem, que estes opostos entram em síntese no ponto médio. Tenho experimentado, quando “faço estrelas”, que o aprumado e o deitado se expandem pelos seus quatro cantos, mas também se encontram em algo que os extrapola, em seu centro. A superação dos contrários neste centro tensionada pela expansão polarizada dos 4 ventos,  movimenta, e este movimento aprofunda nosso âmago assim como nos alarga.

Bert Hellinger ressalta sucessivamente o centro como instância orientadora da vida e dos que estão como Consteladores numa dinâmica. No centro, como diz ele, sentimos leveza. Vemos de longe com mais amplitude. Neste lugar nuclear não nos orientamos só pela intuição, nem pela clareza do pensamento e sua incrível capacidade de discriminação do que é essencial. Também não é só a potente sensação corporal que nos faz parentes de todo ser encarnado, nem as estimativas emocionais que afloram do centro que nos orienta. São todas estas funções a mercê do Último.


Hellinger não relaciona o centro com o símbolo arquetípico da cruz nem com as 4 funções psíquicas de Jung que introduzirei abaixo (ele chega aí "subindo a montanha" - algo a apreender durante anos), mas tenho percebido algum parentesco entre a minha experiência como Consteladora e estes signos e os estudos do analista das profundezas. 


AS 4 FUNÇÕES PSÍQUICAS SEGUNDO JUNG


As 4 funções psíquicas com o Pensamento de Função Principal e a Intuição de Função Auxiliar. 
Este esquema muda para cada pessoa.


     Jung observou empiricamente que havia 4 maneiras da consciência se adaptar ao mundo,  de reconhece-lo e de se orientar nele:

· 2 funções racionais (Pensamento e Sentimento, capazes de fazer julgamentos cada um a sua maneira).

· 2 funções irracionais (Intuição e Sensação, que reconhecem o mundo pelo inconsciente ou pela precisão com que registram suas impressões nos órgãos sensoriais, respectivamente).

A função pensamento, ele observou, se opõe ao sentimento e a função intuição polariza com a sensação. Estas 4 estratégias de adaptação ao mundo estão presentes em todos nós, sendo que uma delas acaba se destacando e é aprimorada. Ela se torna a função principal, a primeira a “atacar” o mundo e “falar sobre ele”. A segunda função mais desenvolvida auxilia a primeira, enquanto a terceira, por estar polarizada com a função auxiliar ainda está consciente, mas não é tão trabalhada quanto as duas primeiras. A quarta função, oposta à função principal está mergulhada no inconsciente e é por ela que se pode ter acesso à dimensões onde ocorre a cura, ou, se muito dissociada, é por onde se perpetua as neuroses. Esta última é chamada de função inferior, porque está inconsciente e não se desenvolveu como as outras.

Estas 4 funções, como observou Jung, podem ter 2 atitudes:

·  Introvertida – quando a pessoa se sente muito afetada pelo objeto, “fugindo” para o mundo interior e desencadeando um processo inconsciente de busca deste objeto.

·  Extrovertida – quando a libido busca o objeto “desconsiderando” as dimensões internas, mas há uma reação secreta no sujeito sob o efeito daquele objeto  (Von Franz, 1990: 11).

Esta tipologia em cruz, em “4 pontos cardeais”, foi pesquisada observando como cada paciente se adaptava ao mundo. Não se tinha a pretensão de encerrá-los nestas polaridades, até porque todas elas estão a nossa disposição, mas tinha o objetivo de ressaltar suas formas de acomodação ao mundo e como ajuda-los a partir de sua força, função principal e da sua abertura ao inconsciente (função inferior).

Nas constelações esta observação não é necessária, até porque toda a ação está em relação ao sistema e não só ao indivíduo. Porém, como consteladora, percebo que estas funções, em cada ponto da cruz, se encontram e se ultrapassam no meu centro quando deixo atuar sobre mim o movimento presente. Nenhuma delas me acomoda ao mundo, ao mesmo tempo em que estão lá a serviço da vida, sendo organizadas por algo que me escapa, mas atua.

Não só intuo, ou só penso, percebo ou sinto, eu me centro e deixo algo atuar.

De qualquer maneira é muito interessante a pesquisa do Jung para entendermos as diferentes aproximações que fazemos com o mundo. Assim, com o intuito de engrossar o caldo de aceitação da diferença recortei e colei abaixo as características principais de cada um destes tipos. Estes recortes foram retirados do livro “A Tipologia de Jung” de Marie-Louise Von Franz, 1990. 







Os 4 tipos Racionais
  1. Pensamento Extrovertido
  2. Pensamento Introvertido
  3. Sentimento Extrovertido
  4. Sentimento Introvertido


OS 4 tipos Irracionais

  1. Intuição Extrovertida
  2. Intuição Introvertida
  3. Sensação ou Percepção Extrovertida
  4. Sensação Introvertida



Os 4 tipos Racionais

TIPO PENSAMENTO EXTROVERTIDO que tem como função inferior (inconsciente) o sentimento introvertido:  


“(...) organizadores, pessoas de altas funções e cargos governamentais, de importância nos negócios, nas leis, e entre cientistas. (...) Eles põem ordem clara nas situações exteriores. (...)Se se perguntar a ele sobre a sua atitude subjetiva ou sobre as suas ideias a respeito de determinado assunto, ele vai se perder, porque não está voltado para essa área da vida e desconhece por completo qualquer motivo pessoal. (...) O sentimento é muito forte, mas não flui na direção do objeto. É quase como estar apaixonado por si mesmo. Naturalmente, essa espécie de amor é muito mal entendida e tais pessoas são consideradas muito frias. Mas elas não o são; o sentimento está todo interiorizado. (...) O sentimento introvertido escondido do tipo pensamento extrovertido cria fortes lealdades imperceptíveis. Tais pessoas estão entre os amigos mais devotados, embora possam se comunicar apenas no Natal. São absolutamente fiéis ao seu sentimento, mas o outro tem de aproximar-se dele para conhecer a sua existência. (...) Enquanto o tipo pensativo extrovertido ama profundamente a sua mulher, mas diz como Rilke "Eu a amo, mas não é da sua conta", o sentimento do tipo pensativo introvertido se vincula com objetos externos. Ele dirá, portanto, no estilo de Rilke "Eu a amo e isso será da sua conta. Eu farei que seja". (...)  (...)” (Von Franz, 1990: 41 – 43).

TIPO PENSAMENTO INTROVERTIDO que tem como função inferior (inconsciente) o sentimento extrovertido:

“ A principal atividade desse tipo não é tanto estabelecer ordem nos objetos exteriores; está mais ligada com as ideias. Pertence ao tipo pensativo introvertido alguém que diria que não se parte dos fatos, mas, primeiramente, se esclarecem as ideias. O seu desejo de ordenar a vida se exterioriza pela ideia de que, se alguém começar errado, jamais chegará a lugar algum. (...) Toda a filosofia está preocupada com os processos lógicos da mente humana, com a construção de ideias. Esse é o domínio em que o pensamento introvertido mais atua. (...)  O sentimento do tipo pensativo introvertido é extrovertido. Ele tem a mesma espécie de sentimento forte, leal e caloroso descrito como típico do tipo pensativo extrovertido, com a diferença de que o sentimento do tipo pensativo introvertido flui na direção de objetos definidos. (...) Muito facilmente o seu sentimento pode ser envenenado por outras pessoas e pela atmosfera coletiva. O sentimento inferior de ambos os tipos pensativos é pegajoso e o tipo pensativo extrovertido tem uma espécie de lealdade imperceptível que pode durar eternamente. O mesmo se aplica ao sentimento extrovertido do tipo pensativo introvertido, mas de maneira perceptível. Ele se dedicará inteiramente ao outro, mas o seu amor será primitivo (...)” (Von Franz, 1990: 43-44).

TIPO SENTIMENTO EXTROVERTIDO que tem como função inferior (inconsciente) o pensamento introvertido:

“(...) a sua principal adaptação é conduzida por uma adequada avaliação dos objetos exteriores e por uma relação apropriada com eles. Por essa razão, esse tipo fará amizades muito facilmente, terá poucas ilusões sobre as pessoas, mas será capaz de avaliar os seus lados positivos e negativos de maneira adequada. São pessoas bem ajustadas, muito razoáveis, que se envolvem amavelmente com o mundo, conseguem o que querem muito facilmente e também conseguem, de alguma forma, levar todos a lhes darem o que elas querem. Elas suavizam o ambiente tão maravilhosamente que a vida transcorre com muita facilidade. Esse tipo é muito frequentemente encontrado entre mulheres que de maneira geral têm uma vida familiar muito feliz, entre muitos amigos. (...) As pessoas do tipo sentimental extrovertido levam os que estão à sua volta a se sentirem maravilhosos e, em meio a isso, circulam alegremente e criam um ambiente social agradável. (...) O Tipo sentimental extrovertido não gosta de pensar, porque essa é a sua função inferior e do que ele menos gosta é do pensamento introvertido — pensar sobre princípios filosóficos, abstrações ou questões básicas da vida. Essas questões mais profundas são cuidadosamente evitadas e eles consideram que pensar sobre tais problemas é entregar-se à melancolia. O ponto difícil é que pensam sobre tais coisas, mas não estão cientes disso e, como é negligenciado, o seu pensamento tende a tornar-se negativo e rude. Geralmente este consiste em julgamentos grosseiros e primitivos, sem a mais leve diferenciação, e, muitas vezes, de tom negativo. Percebi também no tipo sentimental extrovertido pensamentos muito negativos e críticos a respeito de pessoas que o rodeiam. (...) O efeito disso é que o tipo sentimental extrovertido naturalmente odeia estar sozinho - momento em que tais pensamentos negativos podem surgir. Então, assim que percebe um ou dois desses pensamentos, ele rapidamente liga o rádio ou corre para fora para encontrar outras pessoas. Ele jamais tem tempo para pensar! Mas organiza cuidadosamente sua vida dessa forma (...)” (Von Franz, 1990: 46-47).

TIPO SENTIMENTO INTROVERTIDO que tem como a função inferior (inconsciente) o pensamento extrovertido:

Este tipo tem “ (...) a característica de se adaptar à vida, especialmente através do sentimento, porém de maneira introvertida. É um tipo muito difícil de ser entendido. Jung, nos Psychological Types, afirma que a expressão "as águas paradas correm no fundo" se aplica a esse tipo. Pessoas desse tipo têm uma escala altamente diferenciada de valores, mas não os expressam exteriormente; são afetadas por eles no íntimo. É frequente achar-se o tipo sentimental introvertido nos bastidores de acontecimentos importantes e valiosos, como se o seu sentimento introvertido lhes tivesse dito "o importante está aqui". Com uma espécie de lealdade silenciosa e sem nenhuma explicação, eles surgem em lugares onde valiosos e importantes fatos interiores, constelações arquetípicas, são encontrados. Exercem também uma secreta influência positiva à sua volta, estabelecendo padrões. Os outros os observam e, embora não digam nada porque são muito introvertidos para se expressarem muito, eles estabelecem padrões. Assim, por exemplo, o tipo sentimental introvertido muito frequentemente forma a base ética de um grupo: Sem irritar os outros com a pregação de preceitos morais ou éticos, ele próprio tem padrões éticos tão corretos que emanam secretamente uma influência positiva sobre aqueles que estão à sua volta; as pessoas têm de se comportar corretamente porque o tipo sentimental introvertido possui a espécie correta de padrão de valores, o que, sugestivamente, sempre força as pessoas a serem decentes se eles estão presentes. (...) O pensamento desse tipo é extrovertido. Em chocante contraste com a sua aparência externa impassível e silenciosa, essas pessoas geralmente se interessam por um grande número de fatos exteriores. A sua personalidade consciente não se movimenta muito. Elas tendem a se acomodar. Mas o seu pensamento extrovertido vagueia sobre uma imensa série de fatos externos. Se querem usar o seu pensamento extrovertido de maneira criativa, elas têm a dificuldade costumeira dos extrovertidos de se afligirem pelo excesso de material, de referências e de fatos, razão por que o seu pensamento extrovertido inferior algumas vezes se perde num pantanal de detalhes, não conseguindo mais encontrar a saída. A inferioridade do seu pensamento extrovertido muito frequentemente se expressa numa monomania; na realidade, eles têm apenas um ou dois pensamentos a partir dos quais produzem uma enorme quantidade de material (...)” (Von Franz, 1990: 49-50).


Os 4 tipos Irracionais

TIPO INTUITIVO EXTROVERTIDO que tem como função inferior (inconsciente) a sensação extrovertida:

“A intuição é uma função através da qual nós imaginamos possibilidades. (...) Essas são as possibilidades futuras, os germes do que pode vir a acontecer. A intuição é, portanto, a capacidade de intuir o que ainda não é visível, possibilidades futuras ou potencialidades ainda não realizadas. O tipo intuitivo extrovertido aplica essa capacidade ao mundo exterior e, consequentemente, alcançará um nível muito alto em perceber futuros desenvolvimentos exteriores ao seu redor. Tais tipos são com muita frequência encontrados entre homens de negócios. São empresários que têm a audácia de produzir e comercializar novas invenções. Encontramo-los entre jornalistas e, muitas vezes, entre editores: eles sabem o que será popular no ano que vem. Apresentarão algo que ainda não está na moda, mas que em breve estará: eles serão os primeiros a pô-lo no mercado. Os corretores de valores também têm uma certa habilidade em prever a alta de determinada ação, se o mercado estará em alta ou em baixa, e ganham dinheiro a partir disso. (...) Eles estarão sempre na frente. É geralmente o artista criativo que gera o futuro. Uma civilização que não tem pessoas criativas está destinada à ruína. (...) Para funcionar, a intuição precisa olhar as coisas de longe ou de modo vago, a fim de captar um certo pressentimento vindo do inconsciente, semicerrar os olhos e não olhar os fatos muito de perto. Se se olhar com muita precisão para as coisas, o foco serão os fatos e o pressentimento não surgirá. É por isso que os intuitivos tendem a ser imprecisos e vagos. A desvantagem de ter a intuição como função principal é que o tipo intuitivo semeia, mas raramente colhe. (...) O intuitivo extrovertido tende a não cuidar do seu corpo e das suas necessidades físicas: ele simplesmente não sabe ou não percebe quando está cansado. É preciso um esgotamento para mostrar-lhe o seu estado. Ele também não percebe quando está com fome. (...) A sensação inferior, como todas as funções inferiores, é em tais pessoas lenta, pesada e carregada de emoção. (...) Pode-se observar muito claramente que, mesmo que a função inferior apareça externamente, num cavalo, por exemplo, há nela, é claro, um significado simbólico. Cuidar do cavalo (...) é cuidar do próprio lado físico e instintivo: o cavalo (...) a primeira personificação do inconsciente coletivo impessoal. É importante para um tipo intuitivo fazer isso concreta e muito lentamente, não exclamando de pronto: "Oh, o cavalo é um símbolo do inconsciente", etc. Ele deve ater-se ao cavalo real e cuidar dele apesar de saber que é um símbolo” (Von Franz, 1990 – 34-35).

TIPO INTUITIVO INTROVERTIDO que tem como a função inferior (inconsciente) sensação extrovertida:

“ O tipo intuitivo introvertido tem a mesma capacidade do intuitivo extrovertido no sentido de pressentir o futuro, fazendo as conjeturas ou as premonições certas sobre as possibilidades futuras, ainda não vistas, de uma situação. Contudo, a sua intuição é voltada para dentro e ele é primariamente o tipo do profeta religioso, o tipo do vidente. Num nível primitivo, ele é o xamã que sabe o que os deuses, os espectros e os espíritos ancestrais estão planejando e que transmite as suas mensagens à tribo. Na linguagem psicológica, poderíamos dizer que ele conhece os lentos processos que ocorrem no inconsciente coletivo, as mudanças arquetípicas, e que os comunica à sociedade. (...) O povo em geral não gostava de ouvir essas mensagens. Há muitos intuitivos introvertidos entre os artistas e poetas. Geralmente são artistas que produzem um material bem arquetípico e fantástico tais como os de Thus Spake Zarathustra, de Nietzsche, de The Golen, de Gustav Meyrick, e de The Other Side, de Kubin. Essa espécie de arte visionária geralmente só é entendida pelas gerações posteriores como representação do que ocorria no inconsciente coletivo da época. (...) A sensação inferior desse tipo tem também dificuldades em perceber as necessidades do corpo e em controlar os seus apetites. (...) O intuitivo introvertido, da mesma forma que o intuitivo extrovertido, sofre de tremenda imprecisão no tocante a fatos. (...) O intuitivo introvertido frequentemente é tão inconsciente no que diz respeito a fatos externos que os seus relatos têm de ser tratados com o maior cuidado. Assim, embora não minta conscientemente, ele pode contar as mais espantosas mentiras simplesmente porque não percebe o que está bem à sua frente (...) (Von Franz, 1990: 38-9).


TIPO SENSAÇÃO (Perceptivo) EXTROVERTIDA que tem como função inferior (inconsciente) a intuição introvertida:

“O tipo perceptivo extrovertido é representado por alguém cujo dom e função especializada é sentir e relacionar-se com os objetos externos de uma forma concreta e prática. Esses indivíduos observam todas as coisas, cheiram tudo e, ao entrarem num ambiente, percebem quase que imediatamente quantas pessoas estão presentes. Além disso, eles notam se a sra. fulano de tal estava lá e o que estava vestindo. Se se fizer essa indagação a um intuitivo, ele dirá que não percebeu e que não tem a mínima ideia a respeito da sua roupa. O tipo perceptivo é um mestre em perceber detalhes. (...) É por isso que esse tipo é encontrado entre bons montanhistas, engenheiros e homens de negócio, que têm uma imensa e exata consciência da realidade externa em todas as suas diferenciações. Esse tipo percebe a textura das coisas (...). A intuição também está completamente ausente, sendo para ele o reino das loucas fantasias. O tipo perceptivo extrovertido chama todas as coisas que se aproximam da intuição de "fantasia doida", imaginação completamente idiota, algo que não tem nada que ver com a realidade. Ele pode até não gostar do pensamento, pois, se for muito unilateral, considerará que pensar é entrar no abstrato em lugar de ater-se aos fatos. (...) Para esse tipo, todas as coisas que possam representar um pressentimento ou uma adivinhação aparecem sob forma desagradável. Se tal pessoa tiver intuições, estas serão de natureza suspeita e grotesca. (...) O que esse tipo de pessoa intui é comumente uma expressão do seu problema pessoal. Outro aspecto da intuição inferior do tipo sensação extrovertido é uma repentina atração por antroposofia ou por alguma outra mistura de metafísica oriental, em geral de tipo bem transcendental. (...) A nação americana tem um grande número de tipos sensitivos extrovertidos e é por isso que tais movimentos estranhos florescem especialmente bem nos Estados Unidos, num grau maior do que na Suíça. Em Los Angeles, podem-se encontrar quase todas as espécies de seitas fantásticas (...) ” (Von Franz, 1990: 29-31).

TIPO SENSAÇÃO INTROVERTIDA que tem como função inferior (inconsciente) a intuição extrovertida:

“ Nunca esquecerei o depoimento dado pela Sra.  Jung. Somente após tê-la ouvido é que senti haver entendido o tipo perceptivo introvertido. Fazendo a descrição de si mesma, ela disse que o tipo perceptivo introvertido era como uma chapa fotográfica, altamente sensível. Esse
tipo, quando alguém entra numa sala, percebe o modo como a pessoa entra, o cabelo, a expressão do rosto, as roupas e a maneira de caminhar. Tudo isso dá uma impressão muito precisa do tipo perceptivo introvertido; cada detalhe é absorvido. A impressão vem do objeto para o sujeito; é como se uma pedra caísse em águas profundas — a impressão cai mais fundo, mais fundo, e afunda. Por fora, esse tipo mostra-se totalmente estúpido. Ele apenas se senta e olha, e não se sabe o que está acontecendo dentro dele. Fica parecido com um pedaço de madeira, sem nenhuma reação — a não ser que reaja através de uma das funções auxiliares: pensamento ou sentimento. Porém, interiormente, a impressão está sendo absorvida. O tipo perceptivo introvertido, portanto, dá a impressão de ser muito lento, o que não é verdade. O que acontece é que a reação interna, que é rápida, caminha por baixo, e a reação externa se exterioriza de maneira atrasada. Assim é o jeito dessas pessoas; se lhes contamos uma piada pela manhã, provavelmente só irão rir à meia noite. Esse tipo muitas vezes é mal interpretado e mal entendido pelos outros, porque não se compreende o que acontece com ele. Se conseguir expressar as suas impressões fotográficas artisticamente, eles poderão reproduzi-las através de pinturas ou por escrito. (...) A intuição inferior desse tipo é semelhante à do tipo perceptivo extrovertido, pois também apresenta características muito misteriosas, assustadoras e fantásticas. Contudo, ela é mais preocupada com o mundo exterior coletivo e impessoal. (...) Vi num tipo perceptivo introvertido um material que eu consideraria muito profético, fantasias arquetípicas que não representam essencialmente o problema do sonhador, mas o do seu tempo. (..) Como Jung certa vez observou: para eles o futuro não existe, as possibilidades futuras não contam, eles estão no aqui e agora e há uma cortina de ferro na sua frente. Eles acreditam no curso da vida como se ele se mantivesse sempre o mesmo, sendo incapazes de perceber que as coisas podem mudar. (...) Mas a intuição inferior é primitiva e o tipo perceptivo ou nos surpreende atingindo o alvo, o que é de se admirar, ou então irrompe com pressentimentos nos quais não há nenhuma verdade (...)” (Von Franz, 1990: 27-8).


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