15 de nov. de 2018

79) Depressão




A Depressão

Quando eu li pela primeira vez que a depressão, segundo as observações do Bert Hellinger nas Constelações Familiares, era, geralmente, a falta de um dos pais, eu não acreditei. Afinal esta sombra que puxa a gente para baixo de uma areia movediça psíquica parecia ser muito mais complexa do que isso. Eu, que nem sabia o quanto era complexo caminhar para os pais em algumas situações ou viver sem eles no coração.

Nesta época, a depressão ainda estava pequena em mim, mas ela me pegou para que eu, enfim, mergulhasse no que faltava. Durante anos eu tentei, em vão, me curar desta dor como se ela pudesse me deixar continuar errando. Então, meu analista me disse, em cinco minutos de entrevista, sem me conhecer, sem a gente saber se entraríamos em análise:

- O que você fez com o seu pai?

Eu não vou me alongar aqui para explicar que nascer da mãe e ficar em sua esfera durante anos não nos completa, apesar de ser vital. Nem vou explicar que caminhar para o pai é uma das nossas tarefas, com muitas barreiras e sem uma forma certa de fazer esta jornada.

Eu só vou me fixar no resultado de duas semanas de análise: minha depressão de anos acabou. Meu analista me deu a mão e me levou até o meu papai. Me fez ver como eu o desprezei, não o valorizei e o excluí do meu coração. Ele é e sempre foi um pai maravilhoso, mas eu nem via. Tomar a vida que veio dele e reconher o quanto ele me cuidava como meu pai, então, nem me passava pelo coração. 

Claro que houve obstáculos entre nós dois, como sempre há. E erros dele também, que eu nem lembro. Mas eu descobri que poderia criar um novo caminho até ele, sem precisar mais seguir pela estrada antiga que nos separava. 

Foi uma rua nova, florida, cheia de sinais para eu nunca mais me perder desta conexão. Quando eu descobri o pai que eu tinha, me senti abençoada. Era como aquelas histórias espirituais, quando o guru tira um véu dos nossos olhos e vivenciamos um pouco mais do extraordinário. Nunca mais eu senti depressão.

Tem pessoas que excluem a mãe e deprimem também. Suas vidas ficam paradas, sem saídas e pobres. Às vezes, esta exclusão é porque houve um afastamento de um dos pais muito cedo. A isso chamamos de movimento interrompido. Ele também tem cura: dar o primeiro passo, para dentro da dor, da raiva e do desespero, para a construção de uma nova avenida até o pai ou a mãe excluída do nosso coração.

Pode ser que o pai ou a mãe não correspondam à caminhada até eles, porque não podem. Estão mortos ou eles mesmo estão deprimidos, ou ainda cegos por um emaranhamento. Neste caso, você ainda pode tomar a vida que veio deles com amor, todo dia, até que se sinta preenchida ou preenchido. 

Mas lembre-se, a impossibilidade deles chegarem até você, se elas existirem, nunca será a expectativa do que eles deviam ser. 

Abra mão, então, das expectativas de como deve ser este encontro, porque é sempre melhor e sempre uma supresa. E ainda tem mais uma coisa, como disse a Mimansa[1]: “nunca é tarde e sempre é a primeira vez.”


[1] Erica Farni, ou Mimansa, é uma alemã residente no Brasil,  facilitadora de Constelação Familiar, Professora da Hellinger Schule que trouxe as Constelações para o Brasil. Ela acompanhou os grupos de Bert Hellinger na Alemanha por mais de 30 anos, quando a Constelação ainda estava nascendo.

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