Feliz Dia da Mulher com Novas Compreensões sobre Pandora e Eva
Mônica Clemente (Manika)
Segundo a tradição grega, “Pandora: a primeira mulher” foi moldada à semelhança dos deuses e entregue como esposa ao tolo titã Epimeteu.
O gesto, porém, não era benevolente: tratava-se de uma punição de Zeus aos homens por terem recebido de Prometeu (irmão esperto de Epimeteu) o fogo divino - a capacidade de pensar por si mesmo.
Até então, os humanos viveriam na chamada Idade de Ouro, um tempo sem doenças, sofrimento ou trabalho extenuante.
A juventude era eterna e a vida fluía sem carências.
Esse tempo de felicidade, contudo, chegou ao fim quando Pandora, movida pela curiosidade, abre o vaso e dali escaparam todas as maldições da humanidade: doenças, vícios, violências, sofrimentos, fome, loucuras e miséria que rapidamente se espalharam pelo mundo.
Esse mito ecoa em outras tradições, como a história bíblica de Eva, na qual a mulher também é associada à perda de um estado primordial de harmonia.
No caso grego, entretanto, a narrativa é ainda mais severa, pois Pandora é criada deliberadamente como instrumento de punição aos homens.
Essa misoginia é desmantelada na hipótese proposta por Riane Eisler em sua obra “O Cálice e a Espada” (1987).
Segundo ela, a humanidade teria passado por uma violenta transformação cultural há cerca de cinco mil anos.
Nessa época, as culturas de parceria (O cálice), eram mais cooperativas, igualitárias e orientadas para a manutenção da vida, sendo frequentemente associadas a símbolos da deusa. Não era um matriarcado, onde as mulheres dominavam, mas uma sociedade de parcerias.
Com a expansão de povos guerreiros das estepes, teria ocorrido uma transição violenta para o modelo social hierárquico e militarizado, simbolizado pela “espada” (e seu uso inadequado).
Aqui sim começariam os infortúnios, uma vez que para dominar um povo é preciso derrubar seus símbolos pelos símbolos e organização social do opressor.
Como as estátuas e atributos das deusas eram semelhante às mulheres reais, era necessário subalternizá-las.
Ou seja, os mitos que associavam o feminino à origem dos males do mundo eram fundamentais para legitimar novas estruturas de poder.
Assim, a consolidação de sociedades baseadas na dominação instituiu a supremacia de uma metade da humanidade sobre a outra e naturalizou a violência como forma de organização social.
Não adianta, portanto, lutarmos pelos nossos direito, ter leis que nos protejam e punam quem nos ataca dentro desta lógica.
É FUNDAMENTAL - para que nossos direitos sejam legítimos - mudar a cultura, criando mitologias – ou libertando-as da misoginia - e criando sociedades de parcerias, nas quais todos os gêneros, raças e crenças se deem as mãos e caminhem juntos em prol à justiça social.
Viva todas as mulheres!
Mônica Clemente (Manika)
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