10 de fev. de 2022

420) Anne With E e a Saída do Desespero




Anne With E e a Saída Desespero

Mônica Clemente (Manika)

 

Como sair do desespero? Com um laço de confiança com alguém que não abuse da nossa vulnerabilidade e que não nos puxe para o abismo. 

 

O desespero é o alerta do quanto estamos sozinhos, alienados na autossuficiência ou no abandono real. Mas se a conexão é selada, ele desaparece. 

 

Anne With E é uma série canadense, na Netflix, baseada no livro “Anne de Green Gables” da escritora Lucy Maud Montgomery.

 

Ela e a sua personagem ficam órfãs ainda bebês e sobrevivem (graças à grande imaginação) às dores da alma pela falta de apoio. 

 

A escritora teve uma vida difícil, mas sua obra jorra empatia, conexões que curam, feminismo “acidental” e outros apoios que dissipam o desamparo. 

 

Em alguns episódios, me perguntei como uma pessoa poderia ficar sã diante daqueles massacres psicológicos sem ninguém para apoiá-la? 

 

Quem já sofreu bullying, rejeição, invisibilidade, exclusão, interpretaços (projetar muros emocionais disfarçados de camaradagem) e machismo - sem ter apoio - sabe bem disso. Todos nós, né? 

Aí vinha uma cena lágrimas no tobogã que me fazia pensar “Alguém me entendeu!” 

 

Ao ler sobre a vida da escritora, imaginei que o que ela nos deu com sua Anne, ela mesma não tivesse ganho. Como conseguiu tocar tantos corações assim mesmo?  Como conseguiu me apoiar, com sua obra, 100 anos depois?

 

Algumas pessoas têm o dom de estar no meio do maremoto enviando mensagens de conforto para milhares de almas além do tempo. 

 

E a Anne, parece, é aquela criança maravilhosa, mas rejeitada, que está em todos nós. Por isso ficamos irritados com ela no início, até sermos conquistados para sempre. 

 

Ela pode ter sido abandonada, mas não se abandona jamais. Ela é um desejo que nem sabíamos que tínhamos. É como se dissesse: se há crianças órfãs dentro de você é preciso resgatá-las dos porões e usar esta mesma generosidade com outras pessoas. 

 

Vivenciei isso com amigas e com meu psicanalista: nunca largam a mão. Assim pude desenterrar várias “eus” e ser fiel a elas. 

 

Com vínculo de confiança encontra-se novos caminhos para amar. Não para salvar. Mas... Embora Anne dê soluções, é na vida real que as conexões de confiança devem acontecer.  

 

Não precisam ser muitas, só precisa ser. 

Mônica Clemente (Manika)






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