20 de out. de 2021

369) O Beijo e o Amor

 

Esta linda frase é de um amigo do meu psicanalista Eugenio Davidovich. Eu a escutei no divã há mais de 12 anos. Por isso eu a atribuo ao Eugenio, uma vez que este texto só foi possível graças a ele.

O Beijo e o Amor

 

Tem um ensinamento tibetano que diz que duas pessoas com raiva gritam porque seus corações se afastaram. 

 

É como se estivessem em penhascos diferentes e a única forma de ver e se fazer ver de novo é no grito. 

 

Já com o amor é ao contrário: os corações estão juntos a ponto de fazerem as bocas silenciarem no beijo. 

 

Às vezes, no entanto, achamos que falar tudo o que sentimos e pensamos garante a própria saúde e a saúde da relação. Confundindo “falar” com comunicação.

 

Desconsiderando o fato de que pode haver cobranças, críticas, acusações, projeções e desabafos numa simples conversa, que vão minando a aproximação do coração. 

 

A DR (discutir a relação), então, se mal-feita, piora tudo. 

 

E para coroar os mal-entendidos, vamos buscar conselhos de amigos, abrindo a intimidade do casal para a livre interpretação de terceiros. Mais vozes no caminho. Ecos entre as montanhas que nos separarão.

 

Então devemos nos calar totalmente? 

 

Não! 

 

Falar tudo o que sentimos e pensamos é necessário para o autoconhecimento e saúde mental, se fazemos isso num diário e, principalmente, se estamos com um terapeuta capaz de analisar nosso inconsciente a partir do que foi falado.

 

Nesta hora descobriremos, em nós mesmos, camadas de amor cobertas com alfinetadas. E de ódio precisando de amor. 

 

Na relação de casal (qualquer relação, na verdade), precisamos aprender a difícil arte de nos comunicar (diferente de falar).  

 

Porque esta arte lida, no mínimo, com duas pessoas incapazes de prever e controlar o que criarão juntas. E impotentes para atender expectativas. 

 

Logo, o caminho de aproximação, por meio da comunicação, é uma construção. E se não estamos felizes com ela, ainda existe a terapia de casal. 

 

Assim, aprendemos a arte de escutar com discernimento, mas sem julgar, a expressar o amor, o que não se quer, o que se precisa, o que faz feliz, o que se sente e o que calar, sem perder de vista o continente do beijo.  

 

Mônica Clemente (Manika)

 

          Quadro: O Beijo - Gustav Klimt

 

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