28 de set. de 2021

355) A Quarta Função e os Amores Místicos

 

Foto: Christina Hope, 1989

A 4ª Função e os Amores Místicos

Mônica Clemente 

Com quantos nãos se faz um esquecimento?

Em “As Aventura de Pi”, de Yan Martel “inspirado” na obra “Max e os Felinos” do Moacir Scliar, um tigre e um menino dividem um bote, depois do naufrágio do navio que os levava para outro continente (outra maneira de ser?). 

Eles só conseguem equacionar a insólita convivência depois de perceber que um não podia sobreviver sem o outro num bote a deriva nas intemperanças do mar (o inconsciente?).  

Quase ao final da história, em terra firme, o felino segue mata adentro sem olhar para trás. Cada um pertencia a polaridades diferentes que, durante sua jornada, descobriram-se como partes inseparáveis de si mesmos.

Este encontro entre a nossa adaptação consciente ao mundo, ou a 1a Função Cognitiva, com a dimensão desconhecida ancorada no inconsciente (o tigre, a 4a função), e tudo o que está preso nela e negamos, nos mantém vivos e evoca o extraordinário.

Se não há formas criativas de acolher o encontro dos opostos, os dramas da vida vêm em auxílio dos eus excluídos. 

Como a noite de núpcias dos amantes místicos, quando, na meia idade, eles (em nós), se encontram na forma de paixões ou crises avassaladoras:

O que estava soterrado vem à tona, e o que era luz desce até as trevas.

Assim, os conteúdos negados no inconsciente familiar emergem em novas configurações do Si mesmo. 

Um desejo imenso e desconhecido por tudo o que foi negado nos devora, como uma viagem de barco em alto mar  na companhia de um tigre.

Assim, o bico de papagaio inofensivo nos paralisa para encararmos a crise no casamento.

Ou dos escombros de um negócio surge uma nova vida. Pode ser também uma paixão que quebra o nosso coração para o amor escapar dos nossos receios.

Enfim, nos vemos no meio de um oceano inóspito aos medicamentos controlados, encarando uma fera faminta, cheia de garras e dentes pontiagudos que reluzem nossas facetas adormecidas.  

Se o negarmos seremos devorados pelos próprios fiascos. Porque estas avalanches eram pretextos para nos tirar de uma vida insustentável ao maravilhamento.

Antes disso, qual amor era possível? 

Mônica Clemente (Manika)

 

#Jung AmoresMísticos #Metanoia #Crises

 

 

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