10 de set. de 2021

349) Um Passo Depois do Trauma

 


UM PASSO DEPOIS DO TRAUMA

Mônica Clemente 

Os traumas mais fortes acontecem na infância, quando somos muito vulneráveis. Eles nos afetam por anos, sem a gente nem saber. Até os reconhecermos e darmos o primeiro passo em direção ao que ficou congelado e a dor derreter. 

Então, o que é um trauma e como resolvê-lo? Bert Hellinger, criador da Constelação Familiar, observou que um trauma é um movimento interrompido.  

Por exemplo, se no nascimento ou na infância somos afastados da mãe ou do pai por mais tempo do que podemos suportar, por motivos de doença, viagem ou qualquer outra situação, retraímos o movimento até eles para não enlouquecermos de dor.  

Não é uma decisão consciente, é um mecanismo de defesa contra o pânico, terror, raiva, impotência e rejeição que sentimos. 

Congelamos aí, sem lembrarmos do trauma enquanto crescemos. Nos afastando do genitor que ficou longe, porque temos medo daqueles sentimentos.  

Reeditando o trauma com explicações dos porquês “não gostamos” dele. Chegamos mesmo a ser cruéis, sem nem perceber, dizendo: “minha mãe foi terrível! Trabalhava o dia todo pra gente comer.”  

- Mas ela manteve vocês vivos? 

- Ah, eu nunca pensei nisso. De qualquer maneira, não gosto dela. 

Há outros sintomas como não sentirmos mais nada, ou buscarmos relações impossíveis ou não conseguirmos agarrar as oportunidades porque nossos braços desistiram de tomar a vida que veio dos pais. 

Rodamos nas espirais do trauma primeiro por anos, sem nem saber onde estamos presos.  

Portanto, se na infância você ficou em incubadora, ou se a sua mãe ou o seu pai ficaram afastados por mais de três dias sem manterem nenhum contato, ou se você perdeu um dos pais multo cedo, pode haver um trauma inconsciente rodando por baixo de muitos “fracassos”, desespero, vícios e depressão. 

Como resolvemos isso? 

Primeiro paramos de culpar os pais e à vida pelo que aconteceu. A culpa é uma proteção, não uma solução. Depois enfrentamos o medo, a raiva e o terror daquele hiato de dor com um pequeno passo em direção ao genitor excluído… 

…”Recuperando o movimento que foi interrompido, o movimento que não foi possível." Bert Hellinger. 

 

“Porque nunca é tarde e é sempre a primeira vez” Erika Farni (Mimansa) 

Mônica Clemente (Manika) 

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