30 de jul. de 2021

330) A Relação que se busca tem a ver com quem somos desde o fim até o começo

 

Ilustração da Sabrina Gevaerd

A relação de amor que a gente busca tem a ver com quem somos desde o fim até o começo. Queremos um parceiro/a continente. Aquele/a que dê conta de nossa inteireza como outro adulto tão imenso quanto a gente. 

O que vemos, no entanto? Que aquilo que nos “deformou” quando éramos muito bebês até os 7 anos, será repetido como encanto nas relações de casal, até recuperarmos quem somos/seremos.  

Se nos pegavam no colo quando chorávamos, possivelmente expressaremos quem somos ao parceiro/a. Mas se toda vez que uma dada emoção era bloqueada, porque o pai ou a mãe não a aguentava, o que vamos procurar? Alguém que não nos aguente. 

Se a criança ficou mais de 3 dias afastada fisicamente da mãe quando era bebê, seus instintos interrompem o movimento até ela, como mecanismo de sobrevivência. O que procuramos na relação de amor, então? Uma parceira/o indisponível para não tocarmos no trauma primeiro.  

Se o pai era o único saudável emocionalmente, mas distante, o que buscamos? Amores impossíveis ou platônicos. Não se namora o pai, mas continuamos buscando-o em cada homem.   

Até nos permitirmos ser aquilo que somos, buscaremos quem nos mantem onde estamos.  

Não adianta mandar carta para os pais dizendo tudo o que “erraram”. Desabafo é jogar lixo na porta dos outros, sem fazer nossas feridas virarem ouro.  

Adianta perdoar? Por eles terem dado a nossa vida, fazerem o melhor que podiam e nos criarem como humanos e não como geleia?  

Não! Mas entrar em terapia ajuda, porque um bom terapeuta sabe usar a ferida dele para a nossa ferida dizer a que veio. Destas fendas resgatamos todas as partes soterradas, com um brilho diferente.  

Se não fossem estes rasgos na alma seríamos normóticos, afinal a Totalidade circula do fruto doce para o fruto amargo para o fruto doce...até o êxtase.  

Nesta árvore espiralada há outros pássaros querendo namorar. Possivelmente capazes de dar conta do que agora podemos suportar.  

O mapa da nossa estrada circular, cheia de ouro (o ouroboros), aparece na primeira infância, a cada beijo, a cada serviço à vida e a cada espanto.  

Como disse Jung, “Tudo vem de muito longe e tudo aponta para o futuro, de coisa alguma podendo afirmar-se com segurança se é somente o fim ou se já é princípio.”

 

Mônica Clemente (Manika)

 

Ilustração da Sabrina Gevaerd

 

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