25 de mai. de 2021

297) A Arte de Ajudar sem Atrapalhar

 


Não existe forma confortável de falar do que mexe com a nossa impotência. Então começamos com um exemplo:

Alguém quer dar um atendimento terapêutico de presente. Esta é uma intenção regada de generosidade, reconhecimento do trabalho, vontade de espalhar bem no mundo e alegria por isso.

É verdade, por exemplo, que a constelação familiar ou o Mapa Astral são presentes que damos para nós mesmos. Mas não devem ser presenteados como um bem de consumo, porque

🌸 A ajuda funciona quando a pessoa precisa, descobre que precisa, busca e arca com os custos da ajuda, criando espaço interno para mudar. 


🌸 O passo decisivo da cura começa assim: “preciso de ajuda e arco com ela totalmente.” 

🌸 Inclusive, como adultos, dando algo em troca. Exercitando o ego adulto e o pai protetor em nós mesmos, ao levarmos nossa criança ferida para ser cuidada.

🌸 No entanto, quando recebemos de presente um atendimento terapêutico,  já ficamos preenchidos pela generosidade do presenteador. Isto, por si só, já é uma ajuda. Porque nos sentimos apoiados. Principalmente se são os pais que dão a terapia (mas só se a pessoa se mexe para busca ajuda). 

Mas não haverá mais lugar para receber a ajuda profissional, correndo o risco, inclusive de ficarmos com inveja de quem nos presenteou! Porque o doador fica enorme diante de nós. Isso não vale se forem os pais pagando a terapia dos filhos, não importa a idade deles, mas só se buscam e querem o tratamento.

🌸 E o mais escondido: o profissional é convidado a virar joguete das expectativas do presenteador, sem ser parte ativa da relação. O protagonista passa a ser quem presenteia e não  mais o presenteado. E o cuidador passa a ser o entregador das carícias.

Neste caso, o estado de ego do profissional é convidado a ficar na Criança Adaptada.

🌸 E nenhuma ação de ajuda funciona quando uma criança é cuidada por outra criança.

O terapeuta, então, pode até aceitar a proposta e conseguir ficar no seu lugar, mas o cliente não terá espaço para ser ajudado porque recebeu demais. (novamente: isto não vale para pais e mães dando a terapia para os filhos adultos, mas só se eles buscam a terapia e eles pagam o profissional, mesmo que o dinheiro seja dos pais.)

🌸Uma coisa é precisar de ajuda, reconhecer isso, não ter como pagar, pedir emprestado para alguém, que então pode até dar o dinheiro. Outra coisa é alguém dar um vale presente terapêutico para uma pessoa, fazendo esta pessoa e o terapeuta entrarem num triângulo dramático: salvador (quem dá o presente fora de lugar), perseguidor (o terapeuta que, se aceitar a proposta, ficará com raiva, sem nem saber porque) e a vítima (o adulto que recebe o presente sendo tratado como criança). 

🌸Um bom terapeuta vai até ajudar o cliente a pedir ajuda finanecira aos pais, porque não “querer mais nada deles” pode ser a razão dos problemas. Mas não vai aceitar cair o triângulo dramático.

🌸Mas essa ajuda já acontece no espaço terapêutico, onde podemos virar criança, já que o terapeuta está na posição certa para ajudar sem fazer jogos psicológicos.

Em resumo, a arte da ajuda começa quando nos perguntamos:

- Posso ajudar?

Se a resposta é “Não!” Ou “Não sei”


Então não faço nada e aguento minha impotência.



- Posso ajudar?
Se a resposta é “Sim!”
Devemos nos perguntar ainda: “Como e até onde ajudar?

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