12 de dez. de 2020

226) A Medusa Viva

 


Medusa com a Cabeça de Perseu


Medusa Viva


No século VI a.C. Ésquilo escreveu a trilogia Oréstia, uma reflexão sobre a justa justiça no lugar do justiçamento feito com o “sangue por sangue” das vinganças. A personagem que a possibilitava na trilogia é a deusa Atená.

 

Desde lá até hoje a buscamos por meio dos direitos adquiridos. E nos tribunais da civilização Ocidental.  

 

Esta deusa, no mito da Medusa, é responsável por transformá-la em um monstro, com serpentes torneando seu rosto bonito. Com o estigma de petrificar quem a encara, ao invés de ser vista. Como quem dissesse: quando não há justiça criamos assombros.

 

Atualmente subverteram o mito da Górgona, a Medusa, para renovar a discussão da justiça em caso de violência contra a mulher, com a obra “A Medusa com a Cabeça de Perseu”.

 

Ela é uma estátua do artista ítalo-argentino Luciano Garbati, instalada em outubro de 2020 perto de um tribunal de Nova York, que trata de crimes sexuais.

 

O convite desta instalação foi feito pelo movimento #MeToo, lançado em 2017, convidando mulheres que sofreram algum tipo de assédio sexual a colocar a hashtag “metoo” (eu também) em suas redes sociais. 

 

A obra, ao manter a Medusa viva, é um contraponto à imagem de Perseu, no mito, segurando a cabeça dela, morta, como um troféu. Ele, no mito, vai matá-la, mas na nova imagem, ela sobrevive ao ataque.

 

É, portanto, uma reviravolta neste estatuto imagético milenar, ao dizer que a Medusa agora pode se defender de uma violência porque não será mais calada. E uma afirmativa de que as mulheres que sofrem alguma violência não serão mais culpabilizadas pelos crimes que sofreram. 

 

Então não é apenas uma reparação que a Medusa faz depois de sofrer um abuso. É uma reviravolta completa no imaginário coletivo. Qual reviravolta? Não pode ter abuso! Porque ela tem como se defender agora.

 

A imagem é bem explicita nisso. Ela vence a violência que Poseidon e Perseu a forçaram confrontar. Não é ela indo se defender depois dos abusos. É ela, eu, as mulheres, tendo capacidade de se defender porque há leis, instituições e uma nova cultura que corroboram com o fato de que não se pode ter violência contra a mulher.

 

E como esta reviravolta no mito?

 

Em uma das versões dele, a Medusa, uma linda mulher, é desejada pelos deuses. Um dia, Poseidon a violenta e Atená, a deusa da justiça, à transforma em monstro, com serpentes no lugar dos lindos cabelos.

 

Não é assim que ficam as meninas, meninos e mulheres que sofrem abuso sexual e não encontraram apoio: com a sua dor engolida, se transformando em veneno saindo pelas ventas?

 

Considerada um monstro desde então, sua fúria, no lugar da beleza raptada, petrifica quem a encara de frente, como quem fica paralisado diante do terrível.

 

Perseu, então, é enviado para decepar a cabeça mágica da mulher monstruosa, colocando-a em seu escudo. 

 

Mas agora surge uma nova imagem: a Medusa Viva, com a cabeça do Perseu, na frente de um tribunal.  Lá, onde se busca a justa justiça e não a vingança dos justiçamentos.

 

Por isso a nova imagem não está segurando a cabeça do semideus como um troféu, querendo provocar uma guerra entre os sexos. Ao contrário, a Medusa Viva altera a tragédia do mito com um basta:  Chega de fazer a vítima ficar invisível ao torná-la culpada dos abusos que sofreu!

 

Mais ainda: chega de abusos! Por isso não é uma vingança, nem reparação. É uma mudança de paradigma.

 

Ela viva, naquele contexto em que ela teria sido morta, significa que ela não foi estuprada, nem assassinada, porque agora a cultura está mudando.

 

E é neste sentido, também, que a cabeça de Perseu está em uma de suas mãos. Medusa é a dona e a cabeça do seu corpo e ninguém mais. E é por isso que segura uma espada baixa, em sua outra mão. Ela não busca vingança, mas a justa justiça que não recebeu.

 

Ao mesmo tempo que diz: nenhuma violência contra a mulher será tolerada porque temos as leis, instituições e cultura alicerçando esta nova consciência humana.

 

 

#Medusa #Mitologia #MedusaViva #JustaJustiça #LucianoGarbati #MedusaComAcabeçaDePerseu

 

 

Um comentário:

  1. O meu nome é Helen Pinheiro e sou de Portugal o meu marido e eu estamos juntos há 14 anos e vivemos felizes juntos até que um dia ele voltou do trabalho dizendo que não me ama mais e que me quer fora de sua casa, fiquei muito confuso e furioso no começo, porque eu realmente não sei o que fiz com ele, eu estava tão cansado, até que um amigo meu me encaminhou para um lançador de feitiços, e quando eu disse a ele o que eu estava passando por ele apenas riu e disse que eu não deveria me preocupar se meu marido iria voltar para mim eu pensei que era uma piada, mas para minha maior surpresa, às 16h recebi um telefonema dele dizendo que ele realmente lamentava pelo que ele fez comigo e ele quer que nós dois voltemos, para mim eu pensei que era um sonho até que ele veio a minha casa implorando e chorando para que eu o perdoasse, vendo isso eu estava tão feliz porque eu realmente amo meu marido e quero que ele volte para mim, agora estamos mais juntos e vivemos felizes como nunca antes, e prometo a mim mesmo que vou compartilhar isso com todo o mundo, este é o endereço de e-mail dele: dralaba3000@gmail.com ou você pode contatá-lo através do whatsapp: 2349071995123 desejo tudo de bom .......

    ResponderExcluir

246) Mitologia e Constelação Familiar em Orestes

  Oreste et les Furies - Jacques Francois Ferdinand Lairess             Vou falar de uma temática que amo, a interface entre a mitologia e a...