3 de dez. de 2020

222) A Arte da Ajuda desde Milarepa até a Constelação Familiar

 

Há milênios, o sábio Milarepa teve a ajuda da esposa de Marpa, seu mestre, porque reclamou para ela sobre as exigências do professor.

O que ela não sabia é que o pupilo precisava daqueles revezes para se purificar, antes de virar um dos santos mais venerados do budismo tibetano

Não é à toa que o Hellinger fala que a arte da ajuda consiste em saber se posso ajudar, quando ajudar, como ajudar e até onde ajudar.

Como escreveu Von Franz:

“Jung disse que uma situação em que não há saída, ou um conflito onde não há solução, é o início clássico do processo de individuação.

A situação é para ser sem solução mesmo: o inconsciente quer o conflito sem esperança para colocar o ego-consciência contra a parede, para que uma pessoa tenha que perceber que tudo o que ela faz é errado, seja qual for a maneira que ela está errando.

É para derrubar a superioridade do ego, que sempre age a partir da ilusão de que ela tem a responsabilidade da decisão. Naturalmente, se ela pensa: "Está bem, então, eu vou deixar tudo como está sem tomar nenhuma decisão, apenas deixando rolar e tentando escapar do problema”, é igualmente errado, pois, naturalmente, nada acontecerá.

Mas, se ela é ética o suficiente para sofrer até o centro de sua personalidade, geralmente, por causa da insolubilidade da situação consciente, o Self se manifesta.

Na linguagem religiosa podemos dizer que a situação sem solução é destinada a forçar a pessoa a confiar em um ato de Deus.

Na linguagem psicológica, a situação sem solução, criada engenhosamente pela anima na vida de um homem, é destinada a levá-lo a uma condição em que ele é capaz de experimentar o Eu.

Quando pensamos na anima como o guia da alma, estamos aptos a pensar em Beatriz levando Dante até o Paraíso, mas não devemos esquecer que ele experimentou isso só depois de ter passado pelo Inferno.

Normalmente, a anima não pega um homem pela mão e o leva até o Paraíso; ela o coloca, primeiro, em um caldeirão quente onde ele será bem cozido por um tempo” (Marie-Louise Von Franza).

Já imaginou o estrago de um ajudante fazendo as vezes da Alma?

Ou o canto da sereia de um buscador ludibriando sua iluminação?

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