28 de mai. de 2020

147) Nossa Imagem Conversa com o Mundo pela Linguagem Inconsciente



Daniel Day-Lewis e Colin Egglesfield


Quando nos vemos, nosso rosto, cabelo e roupas contam uma história ao nosso inconsciente. Formas, cores, suas composições e estados de espírito são estudados há séculos pelos artistas plásticos. E o temperamento, sua correlação física e de humores, têm sido alvo de estudos há milênios, desde Hipócrates. Jung e a astrologia contribuíram substancialmente para esta compreensão. Na Índia, os yantras – formas que libertam – falam do  impacto das formas no inconsciente.

Na literatura, teatro, cinema, a composição da personagem precisa de uma combinação robusta de características que nos façam acreditar que eles agem como agem e do porquê levam a história para frente.

O artista plástico e consultor Philip Hallawell, juntou tudo isso e  construiu um corpo de conhecimento incrível, alinhando as formas das artes plástica aos temperamentos e à sua experiência como consultor na área da beleza, moda, teatro, arquitetura etc. Ele nomeou sua pesquisa de Visagismo.

Nossa imagem, portanto, atua como um mandato, influenciando nossos hábitos e comportamentos, como também atinge o inconsciente das outras pessoas, antes mesmo da primeira palavra ou gestos pronunciados. Se estas mensagens traduzem quem somos ou o que queremos, são aliados, se não, viram obstáculos.

Por exemplo: um cabelo longo, liso e negro num rosto melancólico dirá, toda manhã, diante do espelho: sou uma sofredora. O mesmo cabelo num rosto sanguíneo compensará em imagem de disciplina naquele rosto jovial. A cor da nossa pele também se afina com as cores dos tecidos e ornamentos, ou não, enviando novas mensagens. 

Numa Constelação Familiar, ou no atendimento do Mapa Astral, se a imagem de uma pessoa não é orgânica com quem ela “é” – em 30 segundos de conversa já dá para perceber este ajuste -, me pergunto com quem ela está identificada? O que disseram para ela quando pequena? O que aconteceu em tal fase da vida? Nos Seminários “Histórias que Atuam - Constelação Familiar a partir do Conto de Fada preferido”, estas conexões ficam ainda mais evidente. 

Na foto acima, os atores ️ Daniel Day-Lewis e Colin Egglesfield são morenos, olhos claros penetrantes, sobrancelhas grossas e lindos. Mas passam impressões completamente diferentes, graças a seus traços únicos e como lidam com eles.

Repararam a cor rosa da pele do Lewis e amarela de Colin? E o nariz? Um nariz grande e torto, como de Lewis, parece perceber mais o ambiente e de forma desalinhada. Mesmo que estas não sejam a característica do Lewis (e geralmente são), nosso inconsciente as capta naquele padrão. Logo, ele nos faz sentir que ao seu lado o mundo será uma aventura intelectual e artística, por conta da testa longa, e emocional por conta da boca grande. Seu queixo saliente - opiniões fortes - diz que ele faz o que quer. Ele pode disfarçar e acentuar estas características, e até mudá-las, usando cortes de cabelo, cores específicas nas roupas e intensidade dos gestos.

Já o Colin, com nariz desenhado com pincel, nos remete a uma vida pacata e misteriosa, com seus lábios finos. E ele, embora não tenha traços tão poderosos como Lewis, quer ser ou é poderoso, como insinua o topete. Levantar o cabelo para cima não faz a gente perceber que seu queixo é pequeno, embora bem marcado. O mesmo recurso pode disfarçar orelhas grandes, porque o volume do cabelo puxa a nossa visão e como percebemos uma pessoa.

E por que isso é importante? Porque a imagem é a primeira linguagem. É a conversa do mundo com inconsciente. Uma palavra só faz sentido, depois que a assimilamos como imagem. Tanto na vida, como terapeuta, esta linguagem atua curando ou causando danos. 


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