29 de jan. de 2020

104) O Feminino

         


        O feminino, segundo o filósofo indiano P.R.Sarkar, atua como os Dugongos. O Dugongo é um leão do mar com tromba de elefante. Na terra ele se arrasta como um desastre, na água os marinheiros os confundem com as sereias. Quando um dugongo é morto pelo ser humano, o seu clã não aguenta e morre junto. A agonia de ve-los encalhados na praia só se iguala ao Céu ficando escuro às 3 horas da tarde, quando a noite só chegaria de madrugada. Parece que o princípio feminino, então, se conecta a tudo pelo sentimento. Seu corpo é feito da junção de outros. Não há um Eu, há um Sou. Soul. Por isso engravida: capacidade de unir dois em um só coração. Uma pequena lágrima também borra a tinta na carta de despedida. Aqui houve um elo, diz o feminino.

        O princípio Masculino, sua contra-partida, faz contornos nesta rede do princípio feminino, como na dança Cósmica chamada de Liila. É quando Shiva “usa” a energia de Shakti moldando a própria Shakti em toda criação. Daí ele a penetra manifestando a vida, quando os dois, desde os unicelulares começam a expandir em busca de Si-mesmo. Ele é o Eu do Sou. Inseparáveis como o verso e reverso da mesma folha: Eu Sou.

        A dança destes princípios também pode desequilibrar. Em “O Cálice e a Espada” de Riane Eisler, ela fala de duas sociedades: as cooperativas e as estratificada de acordo com o poder. O lado sombrio da espada, quando o princípio masculino não molda, mas quer dominar, dilacera as conexões levando muitos dugongos à morrer na praia. Algumas epidemias podem surgir deste desequilíbrio. Ainda há muito o que saber sobre os mistérios do feminino. Cortando, dominando e separando não dá. Será que poderemos acessa-lo como Hellinger na fenomenologia, nadando junto com os peixes até algo se revelar? Eu não sei, só sei que mulher não se entende, tem que gostar. O feminino tampouco cede à dominação da objetividade. Como os dugongos, une em si dois mundos, um que se vê e outro que nem suas filhas podem explicar.

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