30 de jun. de 2020

156) A Ajuda




Às vezes eu queria que alguém tivesse me dito, lá numa época difícil, o que só agora eu sei. Alguém com o dom de tocar o lugar certo para eu mudar o rumo que me levou perto demais do abismo.


Como isso não aconteceu, eu culpei o mundo, fiquei de vítima e paralisei. Um dia, a dor foi tão grande que, enfim, lavei o rosto, me dei a mão, busquei ajuda e algo aconteceu: entrei no caminho de uma, duas, três ...pessoas que sabiam como me ajudar.

Fui falar comigo no passado para dizer que tudo ia ficar bem, “mas não fica sozinha tentando se curar. Você não consegue ver as suas costas nem os seus olhos. Deixa alguém te enxergar. Aqueles erros cometidos vieram com seus avisos. E só puderam ser lidos por pessoas que já tinham andado pelo mesmo caminho ansiando a ajuda de alguém. ”

Ainda contei que, da mesma forma, os meus pecados passados agora são uma pequena luz na escuridão de alguém, como uma cicatriz que diz: “por aqui tem dor. Quem sabe vai em outra direção? ”


(Marte entrou em Áries - 28 de junho de 2020 até janeiro de 2021 - é hora de buscar a ajuda certa.)

#Terapias #Filosofias #ArtedeAjudar #BuscarAjuda 


24 de jun. de 2020

155) Carícia é o Ar que a Vida Respira




Yemanjá pediu carícias do mar. Ele deu, ele deu! O oceano também quis e ela retribuiu. Foram tantas trocas de amor que o Céu aprendeu e, do nada, molhou as plantas, que deram frutos que coloriram o planeta.

Nunca, nenhum deles, deu menos do que podia com medo de ficar submisso.  Ou controlou os afetos com a intenção de gerar carências. 

Um dia, o fotógrafo @clarklittle resolveu nos dar momentos de pura beleza e a paisagem correspondeu. Do outro lado do mundo um desconhecido curtiu a poesia dele, uma mulher acolhia a manhã, um pai semeava a terra e as crianças dividiam o pão. 

Trocas de afeto é o ar que a vida respira. Um humano se torna humano quando pede, doa e incentiva estas carícias. 

#EconomiaDeAfetos #Carícias #Felicidade #Okeidade #EricBerne


21 de jun. de 2020

154) Um Pássaro Voa com Duas Asas





P. R. Sarkar, filósofo indiano, disse que a sociedade é como um pássaro, sendo uma de suas asas os homens e a outra as mulheres. Se uma asa não estiver fortalecida ou for massacrada, o pássaro não pode voar.

Uma pessoa também tem duas asas. Uma é a mãe e a linhagem dela e a outra é o pai e a linhagem dele.  Só voamos para nosso destino se honramos as duas asas, que se conectam no coração. 

Se um dia o pai ou a mãe falar mal do outro genitor para um filho/a, é bom dizer com carinho: “você é tão importante para mim! Por isso tudo o que me diz toca fundo o coração. Eu sou toda você e toda mamãe (ou o papai)! Quando você fala assim dela (ou dele) para mim, sou eu o atacado/a. Por favor, ame ele/a dentro de mim. Te amo! Obrigada. 

Não se fala “eu te perdoo”, soa arrogante, gerando brigas. 

De qualquer maneira, na maioria das vezes, não adianta nada falar aquilo. A não ser o fato do genitor que fala mal do outro genitor começar a saber o que acontece na filha ou filho. Da próxima vez que ele tornar um deles seu confidente, terapeuta, capanga, juiz ou leva e atrás, é bom simular uma dor de barriga e sair de perto, sem julgá-lo. E não tem por que se sentir vítima. É bom encarar como um treino para não entrar nas brigas deles em hipótese nenhuma.

Falando nisso, dizem que um anjo cai toda vez que um/a filho/a se mete nas brigas dos pais tomando partido ou mediando seus conflitos. 

Tem uma vivência que faço nos seminários de Constelação Familiar que termina assim: “sinta qual das suas asas é a mais fraca e a fortaleça, sem tentar mudar ninguém para isso, sem enfraquecer a outra asa. Como? Coloca cores e recebe a vida que veio daquela linhagem com respeito, humildade e gratidão. Sente o vento da vitória tocando o seu rosto. Agora, com as duas asas, você já pode levantar voo.”

#PRSarkar #BertHellinger #Ancestrais #Vitória


153) Um Novo Homem?




Ela atravessou o corredor, desde o fundo até o palco, entre as 1400 pessoas assistindo à aula dos mestres. Sentou-se, corajosamente, entre o professor e a professora. Sorriu marotamente e perguntou:

- Então, como é este novo homem?

Muitas pessoas na plateia ansiavam a resposta que lhes daria um modelo do bom companheiro.  Meia hora antes, porém, o professor olhou com amor e devoção para a sua esposa, a professora ao lado dele fazendo uma apresentação fantástica. Antes disso, já havia feito vivências de como um homem se torna adulto e trata uma companheira. Também falou da identificação de uma pessoa com o herói, que, nos mitos, é o filho/a de uma mortal com um deus. Demonstrou como esta sobreposição faz a pessoa excluir o pai de sua vida, já que ele não atende às expectativas irreais da mãe/esposa.

Sim, porque “herói”, que vem do grego heroes, significa nobre ou semideus: um ser concebido pelo encontro de uma divindade com um terráqueo. Este arquétipo não está apenas em um dos livros que funda o ocidente, como a Bíblia. Não está apenas em toda a nossa mitologia e religiões, ele está tatuado em nossos olhos e expectativas. Até um dos nossos hinos mais caros começa com “Pai nosso que estais no Céu”. Ora, estamos falando de um Deus, nesta oração, que é o pai divino do filho de uma virgem.

O dramaturgo Nelson Rodrigues intuiu muito bem estas representações celestiais no lugar dos homens nas famílias brasileiras. Tanto é que em uma de suas peças eles eram botas descalças num canto da sala, ausentes ou excluídos.

E foi assim que o mestre permaneceu para a senhora:  uma presença invisível.  Ela desceu as escadas do palco sem a sua resposta. Como é que o professor poderia falar sobre um novo homem para quem espera um deus? Nem ele conseguia ser visto. O que dirá do fato dele nunca ter usado aquele termo. Mas um novo homem existe há milênios. De carne, osso, bem-aventurança e defeitos. Quando é que todxs nós vamos arrancar o véu que nos separa deles?

Bert Hellinger dedicou um livro inteiro sobre esta questão chamado As Igrejas e Seu Deus.

#Pai #Homem #IgrejaEseusDeuses #BertHellinger #SophieHellinger #Herói #Semideus



16 de jun. de 2020

152) O que te Faz Ficar Vivo ou Viva?




O que te faz ficar vivo ou viva?


Será que terias desistido de...  se tivesse respondido esta pergunta todos os dias? Será que escolheria este caminho, esta rotina, este trabalho, estudos, esforços, parcerias, atitudes, rupturas, associações...?

O que nos faz ficar em sintonia com a pulsão de vida? (Eu não acredito na pulsão de morte, mas falo disso outro dia.)  Eu acredito em algo que nos faz ficar vivos e é único. Acho também que há camadas da existência interferindo na resposta. Uma delas está além e fora do alcance, outra é a cultura, depois a época, aí a esfera dos ancestrais, da família atual e então o que nos faz sentir vivos para, finalmente, chegarmos à radicalidade do que nos faz ficar vivos.

Se conseguíssemos ultrapassar todas as camadas, até o nosso íntimo, teríamos a nossa resposta original e intransferível? A digital de uma encarnação?

Não importa se a resposta nos desse “só” mais um segundo. Seríamos tocados pela dobra do infinito no mínimo que somos? E propulsionados para fora dos perigos, sejam eles quais forem?

Eu só não sei se temos o direito de saber das respostas dos outros. Me parece tão pessoal como o amor por um filho no meio de cinco, por um pai e não pela mãe (ou vice-versa), por um companheiro difícil, um atributo frívolo, um bicho, um sorriso...

Será que alguém debocharia ou menosprezaria o alicerce do fio da vida de alguém? Qual o efeito do desprezo em algo tão essencial? E que direito temos de questionar, julgar ou até ficarmos magoados pelos diversos motivos? O que eles nos contam sobre o Infinito?...

Aí está a mão estendida da vida contra o desaparecimento. Mesmo que ninguém nos entenda, a resposta àquela pergunta é o viço que mantém a seiva fluindo.

#EuFicoViva #PulsãoDeVida #EugenioDavidovich


151) Os Filhos e Seus Pais desde Salomão até a Alienação Parental




Uma questão atual, como as guarda dos filhos, num divórcio, já estava na Bíblia há milênios. Lá como na atualidade, rasgamos os filhos ao meio se brigamos com o cônjuge em nome deles.

Lembram quando Salomão julgou a causa de duas mulheres? Elas moravam juntas e tiveram seus filhos na mesma época, porém o filho de uma morreu. Ela levantou-se na madrugada e trocou seu filhinho morto pelo filhinho da outra. Quando esta acordou, entendeu o acontecido e levou o caso ao Rei Salomão. A outra mulher se defendeu dizendo que o filho vivo era dela.

Então, disse o rei: “tragam-me a espada porque darei metade do filho para cada uma delas. ” Uma gritou: “Não, Meu Senhor! Dai o menino vivo e não o mate. ” A outra disse: “Nem teu, nem meu! Dividi-o antes! ” O Rei deu a sentença olhando para mulher que defendeu a criança mesmo que tivesse que perde-la: “Dai a ela o menino, porque esta é sua mãe. ”

Quais as dinâmicas familiares que não olham para a criança, cortando-a ao meio? Uma mãe perde um filho e fica inconsolável, então a sua filha tem um bebê e sente necessidade de entregá-lo para a avó que não quer mais devolve-lo. Ou, outra avó ou avô inconsolável tem uma nora que realmente ataca o próprio filhinho. A avó/ô luta pela posse do neto fazendo fofocas, contra a nora, para o pai. Ou, um genitor/a trata mal seus filhos depois do divórcio fazendo o ex- parceiro/a ficar furioso. Este começa a briga com o armador de arapuca, sem perceber as bombas amarradas nas crianças, puxando-as de um lado para o outro até racharem ao meio.

Quem não quer brigar

1) olha para criança. Por exemplo, quando um genitor não a arruma, o que olha para ela pergunta: você quer ir para minha casa hoje ou quer ficar aqui? Geralmente prefere ficar onde está, porque está envergonhada. Ou porque já foi envenenada contra o genitor. Com o tempo, se o brigão não desistir

2) busca-se um advogado. Quem não quer brigar busca um advogado. Mas um que não quer vingar a briga familiar dele na sua família. Um que foca na solução, como o Direito Sistêmico, que é a Constelação Familiar na Justiça. 

O Hellinger dizia que a criança fica a salvo com o genitor que a olha, e ama e aceita o outro genitor dentro dela, mesmo que nunca mais queira falar com ele/a. 

#alienaçãoparental #BertHellinger #GuardaDosFilhos


15 de jun. de 2020

150) Amor às Segunda Vista II




Enamorar-se significa ser amparado pelos braços do amor. É somar-se, como diz o prefixo “em”, que vira “em” no enamorado, que significa chegar mais perto, ir para dentro (in), virar o próprio amor.  “En-amor-ar – se” é se colocar na frequência dos que amam. 

O Dia dos Namorados, ou o dia que se festeja o amor romântico entre dois adultos (ou adolescentes) aqui no Brasil, está no mês que homenageia Juno (Hera), deusa do casamento, e é no dia antes de Santo Antônio, padroeiro dos matrimônios. Namorar, então, é o amor à primeira vista tentando chegar ao amor à segunda vista. 

O Bert Hellinger, criador da Constelação Familiar, diz que o Amor à Segunda Vista acontece quando acolhemos e exercemos outras dimensões numa relação de amor e acontece mais ou menos assim: 

1.     O Eu e o Outro se amam e se veem. Durante os primeiros seis meses do enamoramento somos tomados pela paixão. Com o passar do tempo, outras dimensões começam a surgir: o nosso passado, desejos, trabalho, necessidades. Chamamos estas dimensões de “nossas coisas”. 

2.     Começa uma nova fase na relação com 4 dimensões: O Eu, suas coisas, o outro e as coisas dele. A partir daí o Eu olha ele mesmo e as coisas dele como também olha o outro e as coisas dele. O outro faz a mesma coisa. Se não aceito minha família ou meus desejos, ou como é o parceiro e sua família, por exemplo, começam os problemas. 

3.     Então vemos se temos planos juntos que se compatibilizam: Queremos nos casar? Ter filhos? Morar onde? Quais valores vamos compartilhar? Será que nossos olhares se cruzam no futuro?...

4.     Chegamos ao Amor à Segunda Vista: eu, minhas coisas, o outro e as coisas dele. Quatro dimensões que se olham e se aceitam e que cruzam seus olhares no futuro, a 5ª  dimensão do relacionamento. 


  Até 50 anos atrás a mulher era educada a esquecer suas próprias coisas e olhar para o homem, as coisas dele e o futuro dele. Por isso, muitas de nós, hoje em dia, evitam a todo custo, inconscientemente, o casamento. Queremos casar, mas não encontramos um companheiro compatível, porque este desencontro nos garante não nos perdemos de nós mesmas.

Mas, como ensina o dia dos Namorados no Brasil, no mês e dia cheio de arquétipos que derramam bençãos para um namoro que está acontecendo ou que desejamos que aconteça, se estamos vivos, é porque o encontro de amor por milênios encontrou um caminho além dos medos. Felicidades!  

8 de jun. de 2020

149) O Negrinho do Pastoreio e a solução da Virgem Maria




Questões fundamentais da nossa vida podem estar nos mitos ou lendas com todo o ensinamento e soluções que aguardam. Por exemplo, em Negrinho do Pastoreio, lenda africana e cristã, encontramos diversas situações que ainda hoje acontecem e guardam sua solução.


Na lenda há um menino órfão e escravizado por um estancieiro cruel, como aconteceu de verdade por muitas gerações. Seu “dono” o chamava de Negrinho, porque não tinha um nome, e o obrigava a pastorear lhe impondo castigos por qualquer motivo. Um dia, o garoto foi punido mortalmente e jogado para as formigas o devorarem. Há quem justifique a punição contando que o Negrinho não ganhou a corrida de cavalos apostada pelo proprietário, como os Autos de Resistência que justificam a morte de civis pela polícia. Mas ele foi assassinado mesmo. Ele não tinha nome, como todos aqueles despidos de direito. O estancieiro então viu a Virgem Maria levando o menino para o Céu. Desde então, o Negrinho do Pastoreio é visto galopando por este mundão.

Não damos nome ao que tememos perder ou nos apegar. Também não reconhecemos quem queremos dominar. As primeiras vítimas deste destino são os mais vulneráveis, como as crianças órfãs de pai, mãe e do Estado. Por isso, toda criança que está à deriva encontra o colo da Virgem Maria. Ela é aquela parte sagrada, em cada um de nós, que nos lembra da irmandade da humanidade, família universal que devemos cuidar. Mas o cuidado deve ser no mundo dos vivos.

Em 1936, antes da 2a Guerra Mundial, o atleta Jesse Owens, descendente de africanos escravizados nos Estados Unidos, quebrou recordes no Atletismo dos Jogos de Berlim na Alemanha nazista. Hitler se recusou a cumprimentá-lo, assim como o presidente Roosevelt não o homenageou quando retornou ao seu país.  O atleta só teve o merecimento que merecia depois de morto, como a alma do Negrinho no colo da Virgem Maria. Mas a lenda tem uma revelação: "se eu, a Virgem Maria, represento a mãe de todos, vocês todos são irmãos". 

“Talvez nenhum outro atleta em todo o mundo, em todos os tempos, tenha simbolizado melhor a luta humana contra a tirania, a miséria e o racismo”. Presidente Jimmy Carter homenageando o então recém falecido recordista Jesse Owens.




2 de jun. de 2020

148) Pequena Fábula do Ressentimento (e uma Solução)




O Céu precisava que traduzissem suas mensagens com as estrelas para os humanos. Alguém capaz de entender o infinito, criar uma linguagem legível e oferecer uma fortaleza contra as ilusões. Todos os animais se ofereceram para a missão, menos a aranha, que confeccionava sua teia. Irritado com o desprezo, o Céu nublou o planeta até que a chuva irrigasse as florestas num sonoro aviso: diga para aranha me dar atenção! 

Como o inseto seguiu em frente com seus afazeres, o Céu prometeu uma inundação. Todos os animais imploraram para a aranha apresentar um projeto para o Alto, mas ela estava em transe repetindo uma ladainha: “Agora só falta o Sol!” 

Os 4 ventos das 4 direções tomaram providências, antes que o rancor estelar matasse a vida na Terra, e soprou as nuvens para as fiandeiras. Quando os cabelos do Sol tocaram as gotas de chuva na teia de aranha, o Céu se viu num espelho. A linguagem estava pronta! Desde então, o corpo em oito da aranha é símbolo do infinito, sua teia cria significados, e quem não o entender ficará preso em sua seda, como refeição do momento. Esta é a armadilha da ilusão: ficar enrolado no fio da rede, como se ela fosse o Céu e não a mensagem dele.

Quando marte, no mapa de uma pessoa, toca o Sol ou a Lua do mapa de outra pessoa, se há ressentimentos na segunda, a espada de Marte vai cortar o furúnculo, ou ele mesmo vai machucá-la. A função deste encontro é avisar que você está enrolado no rancor contra teu pai ou tua mãe, ou no rancor deles contra os pais deles, ou no rancor dos avós pelas bisavós... ou no meio da briga de casal dos teus pais, ou avós, ou bisavós....

Se você sempre volta para mesma situação de ressentimento, a Aranha está te dizendo: “Agora só falta o Sol” para iluminar o significado da sua teia de emaranhamentos. Não adianta perdoar, mas sim fazer as pazes com o que aconteceu e seguir em frente.


#astrologia #animaisdepoder #ressentimento #AVerdadeLiberta


28 de mai. de 2020

147) Nossa Imagem Conversa com o Mundo pela Linguagem Inconsciente



Daniel Day-Lewis e Colin Egglesfield


Quando nos vemos, nosso rosto, cabelo e roupas contam uma história ao nosso inconsciente. Formas, cores, suas composições e estados de espírito são estudados há séculos pelos artistas plásticos. E o temperamento, sua correlação física e de humores, têm sido alvo de estudos há milênios, desde Hipócrates. Jung e a astrologia contribuíram substancialmente para esta compreensão. Na Índia, os yantras – formas que libertam – falam do  impacto das formas no inconsciente.

Na literatura, teatro, cinema, a composição da personagem precisa de uma combinação robusta de características que nos façam acreditar que eles agem como agem e do porquê levam a história para frente.

O artista plástico e consultor Philip Hallawell, juntou tudo isso e  construiu um corpo de conhecimento incrível, alinhando as formas das artes plástica aos temperamentos e à sua experiência como consultor na área da beleza, moda, teatro, arquitetura etc. Ele nomeou sua pesquisa de Visagismo.

Nossa imagem, portanto, atua como um mandato, influenciando nossos hábitos e comportamentos, como também atinge o inconsciente das outras pessoas, antes mesmo da primeira palavra ou gestos pronunciados. Se estas mensagens traduzem quem somos ou o que queremos, são aliados, se não, viram obstáculos.

Por exemplo: um cabelo longo, liso e negro num rosto melancólico dirá, toda manhã, diante do espelho: sou uma sofredora. O mesmo cabelo num rosto sanguíneo compensará em imagem de disciplina naquele rosto jovial. A cor da nossa pele também se afina com as cores dos tecidos e ornamentos, ou não, enviando novas mensagens. 

Numa Constelação Familiar, ou no atendimento do Mapa Astral, se a imagem de uma pessoa não é orgânica com quem ela “é” – em 30 segundos de conversa já dá para perceber este ajuste -, me pergunto com quem ela está identificada? O que disseram para ela quando pequena? O que aconteceu em tal fase da vida? Nos Seminários “Histórias que Atuam - Constelação Familiar a partir do Conto de Fada preferido”, estas conexões ficam ainda mais evidente. 

Na foto acima, os atores ️ Daniel Day-Lewis e Colin Egglesfield são morenos, olhos claros penetrantes, sobrancelhas grossas e lindos. Mas passam impressões completamente diferentes, graças a seus traços únicos e como lidam com eles.

Repararam a cor rosa da pele do Lewis e amarela de Colin? E o nariz? Um nariz grande e torto, como de Lewis, parece perceber mais o ambiente e de forma desalinhada. Mesmo que estas não sejam a característica do Lewis (e geralmente são), nosso inconsciente as capta naquele padrão. Logo, ele nos faz sentir que ao seu lado o mundo será uma aventura intelectual e artística, por conta da testa longa, e emocional por conta da boca grande. Seu queixo saliente - opiniões fortes - diz que ele faz o que quer. Ele pode disfarçar e acentuar estas características, e até mudá-las, usando cortes de cabelo, cores específicas nas roupas e intensidade dos gestos.

Já o Colin, com nariz desenhado com pincel, nos remete a uma vida pacata e misteriosa, com seus lábios finos. E ele, embora não tenha traços tão poderosos como Lewis, quer ser ou é poderoso, como insinua o topete. Levantar o cabelo para cima não faz a gente perceber que seu queixo é pequeno, embora bem marcado. O mesmo recurso pode disfarçar orelhas grandes, porque o volume do cabelo puxa a nossa visão e como percebemos uma pessoa.

E por que isso é importante? Porque a imagem é a primeira linguagem. É a conversa do mundo com inconsciente. Uma palavra só faz sentido, depois que a assimilamos como imagem. Tanto na vida, como terapeuta, esta linguagem atua curando ou causando danos. 


27 de mai. de 2020

146) Os 12 Arquétipos na Jornada do Herói




Carol Pearson escreveu “O DESPERTAR DO HERÓI INTERIOR”, um bestseller da década de 1990. Atualmente, a obra traduzida em português, está esgotada.  A autora se baseou nos conceitos de arquétipo do Jung e na Jornada do Herói de Joseph Campbell para elaborar as 12 fases que enfrentamos, ou ficamos fixados. E fez isso associando cada etapa a um arquétipo com sua função, luz e sua sombra.

Este trabalho tem sido divulgado, erroneamente, na internet, como os 12 arquétipos de Jung, sem dar o devido crédito à autora do estudo. O texto que escrevi abaixo é sobre a sombra dos 12 desafios do herói e é baseado na obra de Pearson.

O herói em cada fase da jornada é convidado a dar um passo no desconhecido de si mesmo para desenvolver suas potencialidades adormecidas.  Em cada um dos passos há um teste do tipo “A Cuca vai te pegar!” Como o dragão de cabelo vermelho, morador dos porões do medo, desafia o herói.

“Tá tudo bem!” Se engana o INOCENTE diante do fim do casamento. Sem usar seu discernimento, quando o cônjuge avisou o problema mil vezes. O Inocente pode aceitar o convite da jornada ou dar piruetas no ar.

“Eu não merecia isso!” Diz a sombra do ÓRFÃO, a vítima do mundo, que se esquiva da vida e do resultado dos seus atos. 

 “Te salvarei!” Voa a Cuca GUERREIRA pelo Céu da soberba. São estudantes com ares de doutores, filhos salvando os pais, ao invés de lutarem e escolherem as próprias batalhas.

“Deixa que eu faço!” Sorri o sobrecarregado CUIDADOR, com medo de ser egoísta, mesmo que não leve adiante o chamado de sua alma.

“Ninguém me controla! Vou ao retiro sim!” diz a sombra do BUSCADOR, no milésimo curso em busca de iluminação, mas incapaz de ajudar em casa. Liberdade lava louça, ganha dinheiro e faz comida, sabia?

“Não vivo sem ele/a! Se joga o AMANTE, como se o parceiro/a fosse a mãe. Como se não soubesse da bem-aventurança que o busca em cada beijo e em cada um que ele leva para frente. 

“Regras são feitas pra quebrar!” arrota o ICONOCLASTA, que confunde desapego com rebeldia, disciplina com regras, desperdiçando os novos poderes. 

“Eu não tenho tempo!” Se vangloria o CRIADOR, que perde as relações para o trabalho que lhe dá fama.  Aqui Ulisses driblou as sereias e continuou sua jornada.

“Eu que mando!”, treme de medo o GOVERNANTE, ao invés de assumir as responsabilidades incluindo sua vulnerabilidade.

“Eu dou um jeitinho!” Alicia a sombra do MÁGICO, ao invés de reinventar o mundo com os poderes que ganhou na jornada. 

“Eu não sou bom o suficiente!” Grita a Cuca do SÁBIO, nas riquezas ganhas com o esforço da sua inteligência. O Sábio está pronto, ao contrário do guerreiro que ainda tem que se esforçar muito. 

“Eu faço o que bem entender!”, sorri o TOLO comendo o que o mata, ao invés de se libertar com o que o faz feliz. Aqui o herói “voltou” ao 1º estágio, mudado e mais completo, mas pronto para um novo convite. Ele pode fazer o que bem entender desafiando a vida. Ou fazer o que bem entender de acordo com o mundo. Nesta hora até a Cuca fluíra junto. 

#CarolPearson
#AwakeningTheHeroesWithin
#JosephCampbell



25 de mai. de 2020

145) Instalando o Chip da Vitória



A boca do pai e, principalmente da mãe, produzem as maiores bençãos. Por isso é importante como eles a usam com suas palavras.

Desinstalando o chip da derrota: Quando os pais nos definem, categoricamente, até nossos 7 anos, ou mais, é projeção, não quem somos. No primeiro setênio reproduzimos o inconsciente dos pais (Von Franz, 1988) ou o inconsciente coletivo familiar (Hellinger, 2002). Ainda não temos força para o processo de individualização (ser quem é). 

Por exemplo, “Você é avoado!” grita o pai que não sabe ganhar dinheiro e é tão criativo como seu filho, porém foi bloqueado como faz com a criança. “Para de chorar, seu covarde!” Crava os dentes da mãe, que perdeu filhos na gestação e não teve apoio para o luto. “Ah, filha, você não sabe o que quer! Não tem disciplina para isso!” Projeta a mãe, que não foi incentivada pelos pais a estudar, porque “mulher é burra”. Etc...

Há ainda pais e adultos que plantam provas falsas para justificar estes mandatos. Escondem coisas da criança “avoada”, para provarem como ela é descuidada. Contam mentiras sobre seus filhos para o outro genitor puni-los sem nem os escutar. Há ainda dezenas de vídeos compartilhados de pais fazendo bullying com os filhos e há quem ria disso. 

Por que alguém coloca provas falsas para provar um crime e com público testemunhando o “delito” plantado? Para ganhar algo com isso. Da mesma forma, os pais que impõem mandatos de derrota em seu filho, na frente da família toda, que passa a acreditar no rótulo imposto, querem algo: que seu filho, derrotado, nunca os abandone. Ou que volte de cabeça baixa em algum momento, massacrando-o novamente. Rapunzel que o diga. 

Como sair dessa? Sempre com terapia! E, voltando para sua criança interior, com cuidado, naquela época em que o chip foi implantado mil vezes. Olhamos para ela com amor e o antídoto: VOCÊ É CRIATIVA! ou VOCÊ É CAPAZ! ou VOCÊ É QUEM EU ESPERAVA! SEJA BEM-VINDO! Para quem escutou que sua gravidez não foi desejada! Qualquer frase que contraefetue a crença imposta. 

Não vale à pena brigar com os pais, no entanto. Se estamos vivos e conseguindo mudar um padrão (e não só isso), eles deram muito mais coisas boas do que só mandatos negativos.

18 de mai. de 2020

144) A Voz Interior e os Florais de Bach




A pergunta “qual a coisa certa a fazer?” (Blome, 1999) busca respostas em dogmas ou doutrinas, ao invés da guiança da voz interior. Leva à “boa consciência”, que é seguir os mandatos do nosso clã, mesmo que custe quem somos. Faz pedir mil conselhos sem acatarmos nenhum.

Já a pergunta “o que é melhor para mim e como chego a isso?” (Blome, 1999) nos põe em sintonia com a própria sabedoria. Uhtred Ragnarson, personagem principal do “O Último Reino” – série da Netflix baseada nas Crônicas Saxônicas de Bernard Cornwell -, é um guerreiro do século IX, leal e destemido, ora servindo ao Rei Alfredo de Wessex, ora em busca do seu destino roubado.

De linhagem saxã e cristã, ainda criança perde sua Fortaleza, no Reino da Nortúmbria, o irmão e o pai para os Vikings, com quem cresce e aprende os costumes pagãos. Sua forte liderança e estratégias de guerra, conquistam reinos para um monarca de corpo frágil e mente poderosa. São a Luz e a Sombra um do outro: o rei sábio e o escravo guerreiro, o general e o visionário, as repressões cristãs e o apetite Dinamarquês.

Uhtred é forjado entre estes conflitos lutando pela unificação da futura Inglaterra, contra as invasões, contra si mesmo e seu desejo de reconquistar o que lhe foi tirado. E, mesmo nas mãos de ferro do Rei ou se contorcendo entre o amor pelo seu clã adotivo e a busca da sua origem, não perde a conexão consigo.  

Cada uma de suas mulheres o desafiou também tentando mudá-lo, ou aceitando seu caminho, ou fazendo-o se escutar. Ele encarna a difícil tarefa humana de continuar escutando a voz interior no meio dos desafios.

Quem não confia ou perde a conexão com a voz interior, no entanto, fica submisso e autoritário. O submisso se perde em orientações externas porque perdeu seu discernimento, entregando sua autoridade a alguém.  E compensa esta insegurança afirmando-se brutalmente. São tentativas infrutíferas de voltar a se escutar do lado de fora, como, por exemplo, a negação da verdade em nome do achismo, do óbvio por conta do ódio de ter se perdido.

Nestas horas nos voltamos ao azul violeta do Cerato, à flor nativa do Tibete, extraviada para a Inglaterra. Apesar dos reveses, não duvidou de si mesma enquanto se adaptava à paisagem estrangeira.

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Cerato é uma flor tibetana que, atualmente, é uma das Essências do Floral de Bach, que ajuda a nos reconectar com a voz Interior. 

As perguntas iniciais do texto são de autoria do Götz Blome em seu livro Advanced Bach Flower Therapy - A Scientific Approach To Diagnosis anda Treatment. United State,  Healing Arts Press, 1999.



16 de mai. de 2020

143) Como Interpretar Seus Sonhos?




Ilustração: Dream Energy 

1.     Anote-o ao acordar:  começo, meio e fim; o que lembrar, sem interpretar.

2.     Selecione passagens, personagens e coisas que te marcaram. Onde estavam? Qual a relação com você? Não interpreta ainda. 

3.     O que sente em cada parte?

4.     Se é pessoa conhecida: o que representa para você? (Você quer, possivelmente, estas características ou não as reconhece em você.) 

5.     Se for animais: o que significa para você? Este significado geralmente é o talento não desenvolvido ou conteúdo inconsciente teu.

6.     Se for um Arquétipo complexo: use um dicionário de símbolos depois de descobrir o significado dele para você.

7.     Se for homem desconhecido e você é mulher, é uma versão do teu animus (sua contrapartida masculina inconsciente). Como ele é? Como vocês se relacionam? Este é um padrão teu de relação. Se te ele te ataca como policiais te perseguindo querendo matar, você falou ou pensou mal de você ontem. Se você é homem, é uma parte tua que precisa ser reconhecida.

8.      Se for mulher desconhecida e você é homem, é uma versão da sua anima (contrapartida feminina inconsciente), e o que falei acima serve aqui também. Se você é mulher, é uma parte sua para ser integrada.

9.     Se você é mulher e sonha com um menino: é um novo projeto. Se é menina: é você na infância. Como se relaciona com eles? Se você é homem e sonha com um menino: é você na infância. Se é uma menina, é um novo projeto. Se estão feridos, você está se traindo ou se negando?

10.Objetos, eventos naturais: qual o elemento? Ar, fogo, terra, ar, éter? Pesquise os órgãos relacionados. Partes do corpo atacadas por bicho sinaliza início de doenças ou dons.

11.Agora lembre de uma situação vivida no dia anterior ou que tem te preocupado. Qual a relação deles com os eventos e sentimentos do sonho? Junte as peças e comece a interpretar, sem se analisar!

12.Pesadelo é aviso: cuidado com isso que te fez acordar.

13.Ilusão e baixa-estima prejudicam a interpretação: sonhar com o namorado com outra, não é premonição, é insegurança. Sonhar que está transando com um/a conhecido/a: você quer virar amigo dele/a. Nada mais. 

14.Sonho premonitório não tem emoção, ele é.

15.A melhor interpretação é de um profissional. Mas estas dicas podem ajudar um pouco a entender alguns sonhos.

16.Indico um livro para começar: “O Caminho dos Sonhos” da Marie-Louise Von Franz. 


156) A Ajuda

Às vezes eu queria que alguém tivesse me dito, lá numa época difícil, o que só agora eu sei. Alguém com o dom de tocar o lugar certo...