12 de jul de 2019

97) Paixão e Emaranhamentos



O amor, como disse Gibran em seu poema maravilhoso, nos leva ao fogo sagrado e nos transforma. Enquanto buscamos ele em sua forma apaixonada e doída nas relações de casal, estamos à serviço dos emaranhamentos do nosso sistema familiar. 

Por exemplo, o avô excluído, o primeiro esposo morto da bisavó antes de encontrar seu bisavô, a noiva largada ou ex-namorado que ainda serve de deboche nas conversas levianas, os filhos perdidos da bisavó, da mãe, nossos, a raiva sufocada da ancestral contra o marido abusivo, e tantos outros “cantos sem cantores”* . Estas dinâmicas ressurgem numa paixão desenfreada buscando a solução tão aguardada. A paixão é insuportável, mas se a perdemos parece que arrancaram um braço, sem perceber que o tronco quebrado da árvore familiar quer renascer através da gente.

Tão logo fazemos os movimentos necessários de incluir os excluídos, aceitar os sentimentos das antigas gerações sem querer vinga-los, aceitar nossos pais como são, inclusive como amam seus parceiros parando de dar-lhes conselhos, voltamos ao nosso lugar de poder. Como um riacho que parou de achar que é a cascata que o fez nascer, equilibramos o dar e receber agradecendo de onde vem mais (os pais) sem se arrogar à pagar para eles, mas servindo à vida que segue em frente.

Reencontramos o nosso centro e deste lugar deixamos o novo movimento atuar por um tempo, até que Eros não use mais suas flechas para resolver a nossa pré-história, antes de nascermos. Daqui em diante o amor ainda vai nos debulhar, mas o Cupido nos lançará a outro tipo de encontro amoroso.

Como disse Hellinger, tem ordens ocultas que permitem o amor fluir. Sem elas, o amor cai no desfiladeiro dos ecos, com elas pode seguir.

*”canto sem cantor” é um verso da música “Catendê” de Jocafi, Ildazio Tavares (a poesia é dele), Onias Camardelli:
intérprete: Maria Creuza, Toquinho, Vinícius de Morais

#DoAmor #Gibran #Hellinger #RelacionametoDeCasal

10 de jul de 2019

96) Afrodite, a riqueza oculta





No meu caminho para o trabalho ninguém vê, mas eu giro no ar mais do que o Baryshnikov trapaceando o Saci. Bato a bota no paralelepípedo no show de rock onde eu sou a star. Acaricio a echarpe como uma amante depois do êxtase enquanto encaro a alma do moço de barba gigante. Eu não gosto de barba, mas com fone de ouvido tocando Tiny Tears eu danço com o que eu costumo me fechar. Me maquio fazendo a Isabella Rossellini temer perder o contrato da Lancôme lá no século XX. Sim, eu viajo no tempo, no espaço e em cometas. Todas as letras dos meus sonhos românticos são em dupla. Ninguém fica de fora quando eu escuto a sua música. Eu invejo, veja a minha pobreza, a menina dormindo no frio no meio da calçada, de barriga para cima e um leve sorriso com Deus e a alvorada de leito. Ela não tem a insônia da minha cama protegida e quentinha? Ela escolheu ou pagou o mais novo regime da moda para ficar mais magra? Os deuses me desprezariam se eu existisse para eles? Afrodite não é seduzir é acessar o prazer que está em mim e em você como uma riqueza que ninguém vê.

#Afrodite #Prazer #RiquezasQueAGenteNãoVê

4 de jul de 2019

95) Conexões Ocultas entre as Mães Ancestrais

                   

Ilustração de Ericka Lugo


                      Muitas mulheres se tornaram mães até a vida chegar em você. Se houve uma ruptura entre uma mãe e sua filha, que foi a mãe da mãe da mãe da mãe da sua mãe, por exemplo, isso ainda pode estar atuando em cada geração aguardando uma solução. Desde lá, pode ser que as futuras mães não consigam se conectar com suas filhas ou vice-versa, ou começam a ter sintomas físicos nos órgãos reprodutores, guardiões do caminho do amor perdido. Então a gente vira para nossa mãe e diz, de verdade (não temos tempo para perder), “você é a certa para mim”!

                     Como uma trilha de dominó perseguindo a próxima peça, esta senha atinge aquela filha e mãe separadas. Não fazemos isso com a intenção de mudar o passado, é impossível. Fazemos isso porque temos a chance! Chance de retomar aquele movimento de amor interrompido e seguir em frente. Como o Bert Hellinger viu isso é um mistério que tem mudado as relações humanas, mas está presente na existência, em toda sua potência, desde a primavera. Nela, como um lembrete, as flores não têm dúvidas de que aquela árvore é a certa para elas. 


#mãe #avó #constelaçãofamiliar #berthellinger

97) Paixão e Emaranhamentos

O amor, como disse Gibran em seu poema maravilhoso, nos leva ao fogo sagrado e nos transforma. Enquanto buscamos ele em sua forma apai...