23 de jul de 2019

98) A Jornada do herói em cada um de nós


Princesa Leia Organa


Nunca fui de beber, mas Luke SkyWalker apareceu aqui com um holograma da princesa Leia saindo de um robô chamado R2PO que falava digitalês. Ela, querida, alguém que a ajudasse na rebelião contra a Estrela da Morte. Eu disse não, mas ele, como se fosse o Joseph Campbell*, disse:

-  Moça, a forca ou a força? A jornada chama todos para sair do mundo real e ir para o mundo mágico.

Lá são todos os poderes ocultos dentro da gente. Lá, o novo desafia ultrapassar mãe ou pai, até os abusivos, relacionamentos destrutivos, medo da gravidez, de ser pai ou mãe, medo de ser o que queremos e nem sabemos. Ele é todo chamado revelador dos nossos não roteiros impostos e do que realmente queremos, quando nos libertamo desta imposição.  Eu disse:

- Sai pra lá, bonitinho!

Era medo. medo do novo.

A Jornada do Herói tem 12 fases que ajudam saber em que roteiro oculto estamos presos e qual a nossa missão depois de nos libertarmos disso:

1. O mundo comum:  Skywalker desmonta robôs em desuso, mas quer  as estrelas. (O que você quer e o mundo quer de você?);

2. O chamado à aventura: Luke recebe o chamado de Leia para uma rebelião (Engravidamos, homens e mulheres, sem “querer”; temos pais ou parcerias abusivas, trabalhos sem sentido; não sabemos para onde ir; etc.);

3. Recusa do chamado: Luke lembra que os tios padrastos não o deixariam partir (Nós queremos abortar; não somos capazes; “isso não é para mim”;  meus pais, amigos, sociedade são culpados de eu estar assim...só não cabe aqui situação de vulnerabilidade. Neste caso é difícil mesmo sair sem políticas públicas.);

4. Encontro com o mentor: Luke encontra Obi Wan Kinobe que o treina para ser um Jedi (Temos um sonho, um analista, uma amiga, grupos, políticas públicas que conseguem “nos salvar” do que impede de viver nosso destino?);

5. A travessia do primeiro limiar: Luke contrata o irascível Han Solo e o Chewbacca para leva-los até Leia. (Aceitamos os ônus e bônus da travessia? Se tod@s abortaram ou abandoaram seus filhos em nossa família,  seguiremos esse caminho? Se não o fizermos, não pertenceremos? Conseguimos fazer um pouquinho diferente, mesmo sentindo culpa?);

6. Provas, aliados e inimigos: Darth Vader é um inimigo muito perigoso (Muitos abortaram e abandonaram filhos na família? Não seguiram o chamado e se acomodaram? Como fazer diferente sem ser pretensioso ou sucumbir ao poder?);

7. Aproximação da caverna secreta: Luke treina com Yoda e descobre seus poderes (Damos conta de ser pai ou mãe, embora a sociedade queira o diploma ou o companheiro/a certos? Somos bons e felizes no que fazemos? Bancamos o que queremos ou nos fazemos de vítimas?);

8. A provação:  Luke, agora Jedi, enfrenta Darth Vader, seu pai, e a Estrela da Morte. (Quem disse que seria fácil fazer diferente?);

9. A recompensa: Luke descobre a sua força.(Nós também);

10. O caminho de volta: Luke, Leia, Han Solo e Chewbacca vencem a Estrela da Morte  (Vencemos as núpcias com o que não nos leva além. Tomamos a vida do pai ou da mãe e não nos deixamos de ser abusado/a por eles? Tentamos novas relações, mesmo depois das decepções? Nos responsabilizamos pelas dores e amores da nossa vocação? Etc.)

 11.  Ressurreição: Darth Vader não morreu e é pai de Luke e Leia. A aventura  levou todos a se autoconhecerem. (Entendeu que quis abortar porque todos abortaram na família? Que quis se separar porque naquela mesma idade seus pais se separaram? Que quis ser infeliz no trabalho porque seus pais fizeram o mesmo?  Ou que está repetindo um padrão que não é teu e pode se libertar disso sem se sentir melhor que teus ancestrais? Agradeceu a vida, o sustento, os sacrifícios sem se punir?);

12. O retorno com o elixir: Luke, Han Solo, Leia e Chewbacca são vitoriosos. 

Consegue reconhecer o que ganhou, cresceu e aprendeu com o que passou? Ou ainda sente rancor?

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* Por que Guerra nas Estrelas capturou o inconsciente coletivo, se tornando um dos filmes mais visto do século passado e atual? Porque ele contou com a ajuda do mitólogo Joseph Campbell e seus estudos sobre os desafios da Jornada do Herói, no qual todos nós, em algum momento, somos convidados a fazer.


12 de jul de 2019

97) Paixão e Emaranhamentos



O amor, como disse Gibran em seu poema maravilhoso, nos leva ao fogo sagrado e nos transforma. Enquanto buscamos ele em sua forma apaixonada e doída nas relações de casal, estamos à serviço dos emaranhamentos do nosso sistema familiar. 

Por exemplo, o avô excluído, o primeiro esposo morto da bisavó antes de encontrar seu bisavô, a noiva largada ou ex-namorado que ainda serve de deboche nas conversas levianas, os filhos perdidos da bisavó, da mãe, nossos, a raiva sufocada da ancestral contra o marido abusivo, e tantos outros “cantos sem cantores”* . Estas dinâmicas ressurgem numa paixão desenfreada buscando a solução tão aguardada. A paixão é insuportável, mas se a perdemos parece que arrancaram um braço, sem perceber que o tronco quebrado da árvore familiar quer renascer através da gente.

Tão logo fazemos os movimentos necessários de incluir os excluídos, aceitar os sentimentos das antigas gerações sem querer vinga-los, aceitar nossos pais como são, inclusive como amam seus parceiros parando de dar-lhes conselhos, voltamos ao nosso lugar de poder. Como um riacho que parou de achar que é a cascata que o fez nascer, equilibramos o dar e receber agradecendo de onde vem mais (os pais) sem se arrogar à pagar para eles, mas servindo à vida que segue em frente.

Reencontramos o nosso centro e deste lugar deixamos o novo movimento atuar por um tempo, até que Eros não use mais suas flechas para resolver a nossa pré-história, antes de nascermos. Daqui em diante o amor ainda vai nos debulhar, mas o Cupido nos lançará a outro tipo de encontro amoroso.

Como disse Hellinger, tem ordens ocultas que permitem o amor fluir. Sem elas, o amor cai no desfiladeiro dos ecos, com elas pode seguir.

*”canto sem cantor” é um verso da música “Catendê” de Jocafi, Ildazio Tavares (a poesia é dele), Onias Camardelli:
intérprete: Maria Creuza, Toquinho, Vinícius de Morais

#DoAmor #Gibran #Hellinger #RelacionametoDeCasal

10 de jul de 2019

96) Afrodite, a riqueza oculta





No meu caminho para o trabalho ninguém vê, mas eu giro no ar mais do que o Baryshnikov trapaceando o Saci. Bato a bota no paralelepípedo no show de rock onde eu sou a star. Acaricio a echarpe como uma amante depois do êxtase enquanto encaro a alma do moço de barba gigante. Eu não gosto de barba, mas com fone de ouvido tocando Tiny Tears eu danço com o que eu costumo me fechar. Me maquio fazendo a Isabella Rossellini temer perder o contrato da Lancôme lá no século XX. Sim, eu viajo no tempo, no espaço e em cometas. Todas as letras dos meus sonhos românticos são em dupla. Ninguém fica de fora quando eu escuto a sua música. Eu invejo, veja a minha pobreza, a menina dormindo no frio no meio da calçada, de barriga para cima e um leve sorriso com Deus e a alvorada de leito. Ela não tem a insônia da minha cama protegida e quentinha? Ela escolheu ou pagou o mais novo regime da moda para ficar mais magra? Os deuses me desprezariam se eu existisse para eles? Afrodite não é seduzir é acessar o prazer que está em mim e em você como uma riqueza que ninguém vê.

#Afrodite #Prazer #RiquezasQueAGenteNãoVê

4 de jul de 2019

95) Conexões Ocultas entre as Mães Ancestrais

                   

Ilustração de Ericka Lugo


                      Muitas mulheres se tornaram mães até a vida chegar em você. Se houve uma ruptura entre uma mãe e sua filha, que foi a mãe da mãe da mãe da mãe da sua mãe, por exemplo, isso ainda pode estar atuando em cada geração aguardando uma solução. Desde lá, pode ser que as futuras mães não consigam se conectar com suas filhas ou vice-versa, ou começam a ter sintomas físicos nos órgãos reprodutores, guardiões do caminho do amor perdido. Então a gente vira para nossa mãe e diz, de verdade (não temos tempo para perder), “você é a certa para mim”!

                     Como uma trilha de dominó perseguindo a próxima peça, esta senha atinge aquela filha e mãe separadas. Não fazemos isso com a intenção de mudar o passado, é impossível. Fazemos isso porque temos a chance! Chance de retomar aquele movimento de amor interrompido e seguir em frente. Como o Bert Hellinger viu isso é um mistério que tem mudado as relações humanas, mas está presente na existência, em toda sua potência, desde a primavera. Nela, como um lembrete, as flores não têm dúvidas de que aquela árvore é a certa para elas. 


#mãe #avó #constelaçãofamiliar #berthellinger

103) O Pai e o Mundo

O PAI E O MUNDO O Pai nos prepara para o Mundo, mas qual mundo? O mundo terreno, do aqui e agora. Das possibilidades reais. Com o ...