15 de nov de 2018

78) Depressão




Quando eu li pela primeira vez que a depressão, segundo as observações do Bert Hellinger nas Constelações Familiares, era, geralmente, a falta de um dos pais, eu não acreditei. Afinal esta sombra que puxa a gente para baixo de uma areia movediça psíquica parecia ser muito mais complexa do que isso. Eu que nem sabia o quanto era complexo caminhar para os pais em algumas situações.

Nesta época, a depressão ainda estava pequena em mim, mas ela me pegou para eu, enfim, mergulhar no que faltava. Durante anos eu tentei, em vão, me curar desta dor como se ela fosse me deixar continuar errando. Então, meu analista me disse, em cinco minutos de entrevista, sem me conhecer, sem a gente saber entraríamos em análise:

- O que você fez com o teu pai?

Eu não vou me alongar aqui para explicar que nascer da mãe e ficar em sua esfera durante anos não nos completa, apesar de ser vital. Nem vou explicar que caminhar para o pai é uma das nossas tarefas heroicas, com muitas barreiras sem forma ideal de acontecer.

Eu só vou me fixar no resultado de 2 semanas de análise: minha depressão de anos acabou! Meu analista me deu a mão e me levou ao meu papai. Me fez ver como eu o desprezei, não o valorizei e o excluí do meu coração. Ele é e sempre foi um pai maravilhoso, mas eu nem via. Tomar a vida que veio dele, então, nem me passava pelo coração.

Claro que houve obstáculos entre nós dois, como sempre há, e erros dele também, que eu nem lembro, mas eu criei um novo caminho, sem ir pela estrada antiga que nos separava. Foi uma rua nova, florida, cheia de sinal para eu nunca mais me perder desta conexão. Quando eu descobri o pai que eu tinha, me senti abençoada! Era como aquelas histórias espirituais, quando o guru tira um véu de nossa vida e vivemos um pouco mais do extraordinário. Nunca mais eu senti depressão.

Tem pessoas que excluem a mãe e deprimem também. Suas vidas ficam paradas, sem saídas e pobres. Às vezes, esta exclusão é porque houve um afastamento de um dos pais muito cedo. A isso chamamos de movimento interrompido. Ele também tem cura: dar o primeiro passo, para dentro da dor, da raiva e do desespero, para a construção de uma nova avenida até o pai ou a mãe excluída do nosso coração.

Pode ser que o pai ou a mãe não correspondam a sua caminhada até eles porque não podem. Estão mortos, ou eles mesmo estão deprimidos, ou ainda cegos por um emaranhamento. Neste caso, você ainda pode tomar a vida que veio deles com amor, todo dia, até que se sinta preenchido. A impossibilidade deles NUNCA É as suas expectativas do que eles deviam ser. Este é o teu problema ou as mentiras que te contaram.

Se você tiver expectativas de como deve ser este encontro, esqueça. Sempre é melhor e nunca é para atender as nossas fantasias de perfeição. E ainda tem mais uma coisa, como disse Mimansa[1]: “nunca é tarde e sempre é a primeira vez.”




[1] Erica Farni, ou Mimansa, é uma alemã residente no Brasil,  facilitadora de Constelação Familiar, Professora da Hellinger Schule que trouxe as Constelações para o Brasil. Ela acompanha os grupos de Bert Hellinger na Alemanha há mais de 30 anos, quando a Constelação ainda estava nascendo.

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