29 de out de 2018

76) Yogapsicologia e as Nossas Propensões Mentais


PR Sarkar - 1979 - Aeroporto de Geneva - foto Donald Acosta

O filósofo e mestre de Tantra Yoga, PR Sarkar, em muitos de seus livros, práticas e palestras falou das propensões mentais nos centros de energia. Ele deu o nome de yogapsicologia ou biopsicologia a este conhecimento.

Em sânscrito as propensões ou vórtices mentais são chamadas de vrtts e os centros de energia são conhecidos como chakras. No primeiro chakra, na base da coluna, por exemplo, está a Kundalini adormecida (a energia que precisa ascender para a realização da espiritualidade) e mais 4 vrtts:

desejo psicoespiritual (dharma), 
desejo de natureza psíquica (artha), 
desejo de natureza física (Káma), 
desejo espiritual (Moksa). 

Para elevar a kundalini até o sétimo chakra, no topo da cabeça, precisa de muita energia - que os atritos da vida proporcionam - e que os vrtts não a sequestrem. Somos exigidos a “administrá-los” como as práticas do yoga propõem. (O Mahabharata, segundo Sarkar, é um épico indiano que fala desta jornada de aprendizado: como controlar todos os 1000 vrtts para chegar à liberação espiritual - Krshna.)

Sarkar ensinou sobre vrtts e sobre as glândulas associadas e seus hormônios correlatos. Indicou posturas de yoga para equilibrá-las e mostrou como o mantra atua para despertar a kundalini. Além do tantra yoga, ele criou uma filosofia - o Anandan Sutra - e  teve uma obra vasta em várias áreas do conhecimento correlacionando tudo com as questões políticas. Como?

Os vrtts tem uma função evolutiva: por exemplo, o torpor mental (murccha) no segundo chakra é necessário quando um animal é atacado. Assim ele parece morto e seu predador pode desistir de devora-lo pensando que ele estivesse morto há mais tempo.

Ficamos muitas vezes com a mente parada no vrtt murccha quando temos um trauma ou quando um sistema político nos aterroriza de verdade, com ações que colocam em risco direto a nossa vida. 

A inveja (Iirsha) no terceiro chakra também é importante para a pessoa sentir tristeza quando começa a se comparar com os outros. Sem esta infelicidade ela não conseguiria voltar para si mesma e/ou buscar ajuda para ser mais feliz. Imagina se dentro da gente não tivesse um programa destes que nos alertasse a parar de se comparar e seguir em frente? Mas ela também nos tira no torpor mental, afinal começamos a ver que existe um horizonte maior já que alguém conquistou alguma coisa que não temos. A inveja não vai fazer ninguém conseguir nada, mas vai alfinetar a letargia.

Tem uma propensão, no entanto, que parece não fazer sentido nenhum para a evolução - o sadismo (pishunata) no terceiro chakra também. Susan Andrews, uma das maiores pesquisadoras no assunto sempre se indagou sobre a função deste vrtt para a evolução.

Qual a função evolutiva de sentir prazer em fazer alguém sofrer? Até ontem eu não tinha esta resposta. Mas aconteceu de uma moça postar em uma rede social, rindo, logo depois das eleições brasileiras que colocaram um presidenciável que incentiva a violência no poder: “kkkkkk já posso dar uns tirinhos agora?”

Sabemos que o Brasil é um país muito violento, não de hoje, mas qual a diferença agora?  É que sentir prazer com a morte dos outros ficou pública e virou moda, símbolo de poder político. A isto damos o nome de sadismo. 

Tem cartazes que dizem “Viva um torturador” depois de uma declaração destas no congresso nacional. 

A minha hipótese é de que o sadismo pega algumas pessoas à serviço por dois motivos.

1)  É preciso que algumas pessoas façam este papel para que outros possam crescer. Estas pessoas com seu sadismo escancarado, inadvertidamente nos treinam a ter paciência, estômago, perseverança, disciplina e tudo aquilo que Don Juan ensinou para Castanheda sobre os pequenos tiranos e a impecabilidade do guerreiro espiritual. Texto aqui.

Não ficar com raiva de um sádico e continuar a lutar por um mundo mais inclusivo exige muito da gente. Exige, por exemplo, que estejamos muito mais unidos e sejamos mais democráticos ainda.

2) E como colocar a mente no mamata vrtt (compaixão) que fica no quarto chakra, ou no vrtt phat (colocar a teoria em prática) no quinto chakra exige muito mais energia do que ficar nos vrtts do terceiro chakra, que são importantes também, imagina o treinamento que passamos para evoluir? 

A função evolutiva do sadismo então, talvez seja 1) criar força interior para escaparmos do prazer que ele gera e assim evoluirmos e 2) nos unir em direção oposta ao que ele faz. Digo isso porque tem muito mais amor explicitado nas mãos dadas de pessoas que querem criar outras realidades de convivências. 

É verdade que o amor também faz isso sem o sadismo de outros no reboque, mas quando os nossos egos ficam tão grandes a ponto de nos dividir, o sadismo (de outros) pode nos lembrar daqueles vínculos que nos mantém. Não é o vínculo de interesses ideológicos, mas do que nos torna humanos.

Por isso eu acho que o sadismo é o contrário radical de JUNTOS, mas também um dos percursos que a evolução usa para nos lembrar de algo mais profundo quando esquecemos o que nos mantém em sociedade.



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Susan Andrews no Parque Ecológico Visão Futuro é quem oferece uma das melhores formações nesta área. No RJ temos a Joana Amaral, o Ruy Marra e outros. Em SP a Cristina Ibiapina, Germana Lucena, Silvia Fuller e outros, em Porto Alegre tem a Naila Sarkar, a Janaína Farias, a Jaqueline Lessa e outros e todos os monges da Ananda Marga são treinados em biopsicologia (yogapsicologia) direto da Fonte - PR Sarkar.

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