7 de jul de 2018

72) Óculos e a nossa maneira de enxergar




Este artista cria óculos feitos de materiais achados do lixo de Nairobi
para expressar potentes reflexões políticas e sociais.



Em um seminário, o psicoterapeuta e filósofo Bert Hellinger falou sobre os óculos e o movimento sistêmico ligado ao seu uso. É como se ainda fossemos crianças, guiados pelo olhar da mãe. Isso se dá quando temos algum movimento interrompido (trauma) como a morte precoce dela, desmame ou falta de amamentação, afastamento da mãe na infância por doenças, adoção e outras dinâmicas que ainda buscam alguma solução. Nem todos que passaram por estas provas de vida (e todos nós as temos) terão problemas com os olhos, mas o contrário tem mostrado a sua relevância para compreensão sistêmica do uso dos óculos.

Rudijer Dahlke em seus livros sobre o significado da doença observa os problemas dos olhos como movimentos que devem ser seguidos, para saber o que revelam. Por exemplo, ele diz para a pessoa com astigmatismo olhar de forma diferente para o mundo, assumindo seu jeito de enxergar para daí tirar as suas conclusões e reflexões sobre a sua vida.

            Na verdade, o médico Dahlke usa este esquema em quase todas as doenças, indicando a intensificação dos caminhos mesmos delas a serem perseguidos por nós, para, ao final, tirarmos alguma solução a partir do desequilíbrio. Para as Constelações Familiares é também assim: a doença (a)guarda o caminho de amor perdido em alguma situação familiar atual ou ancestral.

            Então, sempre pedimos para os representantes e constelandos tirarem seus óculos quando estão em um seminário. Assim eles começam a ver com os seus olhos, sem correções, mas com a sua maneira de enxergar. Com a dificuldade, outros sentidos são mobilizados, o aprendizado entra por mais “poros” e o olhar se torna mais pessoal. Único.

            Por exemplo, se a nossa mãe ou pai usam óculos, talvez eles precisem ainda de algo da mãe deles. Como não são eles que estão lendo este texto, talvez seja a gente que deva ir até a nossa avó e colocá-la no coração. Se usamos óculos, podemos escolher parar de ver como a mamãe e seguir em frente. Talvez ela esteja lá, esperando o nosso abraço com um sorriso cheio de coração. Podemos também encontrar medo, raiva e outros sentimentos, mas estarão no lugar certo e não mais sentados no nosso nariz.







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